Eu tenho uma mentalidade muito empreendedora pra me preocupar em ficar criticando capitalismo na academia. Eu entendo muito das posições críticas ao capitalismo, especialmente quando entendemos o capitalismo num sentido marxista, cuja associação ao Estado é inevitável. Agora, eu não posso me dar ao luxo de olhar pros problemas do mundo sem tentar saná-los na prática, e a verdade é que os problemas começam sempre num sentido micro: você tem que resolver a si mesmo antes de resolver aos outros e ao mundo.
Por isso mesmo tô cada vez mais preocupado em ter uma fonte de renda. Na condição de professor desempregado (mandei currículo para dezenas de escolas aqui em Porto Alegre e até agora nada), não vou ficar me lamentando diante do fato de que não sou assalariado. A verdade é que até prefiro assim, gosto do fato de que posso ser meu próprio gerente, determinando como eu trabalho, quando trabalho e a que preço. É por isso que tento unir o útil ao agradável: se gosto de fazer vídeos, por que não extrair renda disso?
Quando abri para apoiadores investirem no meu hobby, transformando-o em trabalho, não imaginava que conseguiria os mais de 200 reais mensais que recebo hoje de 9 pessoas que gostam do meu conteúdo. Também não imaginava que receberia tantos dólares quanto comecei meu canal no YouTube. De fato, nada que pagasse o custo que tive pra produzir mais de uma centena de vídeos, todos disponíveis de modo gratuito pra quem quiser ver, vídeos muitas vezes educativos, com referências e indicações intelectuais; vídeos muitas vezes opinativos, mostrando que tenho um lado, o meu lado, que por acaso é o lado de muita gente.
Mas o hobby ainda não é trabalho, e é preciso trabalhar para sobreviver. Se o intelectual de aspiração marxista critica o capitalismo, é porque tem problemas com o trabalho, porque gostaria de viver num mundo onde o trabalho beira a desnecessidade, sendo possível ficar apenas filosofando em ócio criativo o dia inteiro numa sociedade pretensamente justa. Nesse sentido utópico, eu também sou marxista: ora, prefiro não precisar transformar tempo e labor em dinheiro.
Agora, quem disse que minha preferência é determinante? Nem mesmo a favor de mim mesmo! O que determina a conduta de qualquer um são as condições que possibilitam sua agência. Se não tenho comida, preciso de comida e, portanto, minha ação se inclina à busca da comida. Se não tenho dinheiro e dele preciso, minha ação vai nesse sentido, e isso ocorre em todos os níveis da nossa realidade mundana (até mesmo ao nível da curiosidade filosófica). A pirâmide de Maslow é real.
Ora, se não tenho trabalho por meio do qual extrair o dinheiro, o que me impede de transformar em dinheiro aquilo que já faço de modo espontâneo e naturalmente dedicado? Quem dera ter uma bolsa integral e só me preocupar em ficar pesquisando pro mestrado, mas na ausência da regalia estatal, impera a necessidade, e necessidade é a geradora da criatividade, que é a verdadeira motivadora do livre mercado. Educação é mercadoria sim, e é por isso que tô me dispondo a dar aulas particulares e combinando com algumas pessoas para lançar cursos de filosofia.
Que a mentalidade anticapitalista vá de retro, satanás. Antes de me guiar por aspirações coletivas, sou um indivíduo precisando respeitar meus próprios desejos, limitações e possibilidades. Se o trabalho dignifica, tornar-se empreendedor de si mesmo transforma, autonomiza e supera a mentalidade assistencialista parasitária. Bora gerar valor definindo as próprias métricas, porque se independência não existe, ao menos deve ser desejável.
Por isso mesmo tô cada vez mais preocupado em ter uma fonte de renda. Na condição de professor desempregado (mandei currículo para dezenas de escolas aqui em Porto Alegre e até agora nada), não vou ficar me lamentando diante do fato de que não sou assalariado. A verdade é que até prefiro assim, gosto do fato de que posso ser meu próprio gerente, determinando como eu trabalho, quando trabalho e a que preço. É por isso que tento unir o útil ao agradável: se gosto de fazer vídeos, por que não extrair renda disso?
Quando abri para apoiadores investirem no meu hobby, transformando-o em trabalho, não imaginava que conseguiria os mais de 200 reais mensais que recebo hoje de 9 pessoas que gostam do meu conteúdo. Também não imaginava que receberia tantos dólares quanto comecei meu canal no YouTube. De fato, nada que pagasse o custo que tive pra produzir mais de uma centena de vídeos, todos disponíveis de modo gratuito pra quem quiser ver, vídeos muitas vezes educativos, com referências e indicações intelectuais; vídeos muitas vezes opinativos, mostrando que tenho um lado, o meu lado, que por acaso é o lado de muita gente.
Mas o hobby ainda não é trabalho, e é preciso trabalhar para sobreviver. Se o intelectual de aspiração marxista critica o capitalismo, é porque tem problemas com o trabalho, porque gostaria de viver num mundo onde o trabalho beira a desnecessidade, sendo possível ficar apenas filosofando em ócio criativo o dia inteiro numa sociedade pretensamente justa. Nesse sentido utópico, eu também sou marxista: ora, prefiro não precisar transformar tempo e labor em dinheiro.
Agora, quem disse que minha preferência é determinante? Nem mesmo a favor de mim mesmo! O que determina a conduta de qualquer um são as condições que possibilitam sua agência. Se não tenho comida, preciso de comida e, portanto, minha ação se inclina à busca da comida. Se não tenho dinheiro e dele preciso, minha ação vai nesse sentido, e isso ocorre em todos os níveis da nossa realidade mundana (até mesmo ao nível da curiosidade filosófica). A pirâmide de Maslow é real.
Ora, se não tenho trabalho por meio do qual extrair o dinheiro, o que me impede de transformar em dinheiro aquilo que já faço de modo espontâneo e naturalmente dedicado? Quem dera ter uma bolsa integral e só me preocupar em ficar pesquisando pro mestrado, mas na ausência da regalia estatal, impera a necessidade, e necessidade é a geradora da criatividade, que é a verdadeira motivadora do livre mercado. Educação é mercadoria sim, e é por isso que tô me dispondo a dar aulas particulares e combinando com algumas pessoas para lançar cursos de filosofia.
Que a mentalidade anticapitalista vá de retro, satanás. Antes de me guiar por aspirações coletivas, sou um indivíduo precisando respeitar meus próprios desejos, limitações e possibilidades. Se o trabalho dignifica, tornar-se empreendedor de si mesmo transforma, autonomiza e supera a mentalidade assistencialista parasitária. Bora gerar valor definindo as próprias métricas, porque se independência não existe, ao menos deve ser desejável.
Alysson Augusto via @like
LIVE HOJE ÀS 20:30!
Link: https://youtu.be/ODCze82wZsY (adicione lembrete para receber notificação antes de começarmos)
Na live de hoje, bateremos um papo com Luan Rafael Marques sobre ética, livre arbítrio e responsabilidade moral. Afinal, se não houver livre arbítrio, como responsabilizar alguém por seus atos?
Tópicos desta live:
1 – Teorias diferentes sobre o livre-arbítrio
2 – É preciso de livre-arbítrio para haver ética?
3 – Consequências para uma ética sem livre-arbítrio
4 – Punição e merecimento
Participam deste papo, além do Luan (UFRJ), o Tiago Carneiro (UFRJ), o Vitor Douglas (UFOP) e, claro, eu (PUCRS).
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Na live de hoje, bateremos um papo com Luan Rafael Marques sobre ética, livre arbítrio e responsabilidade moral. Afinal, se não houver livre arbítrio, como responsabilizar alguém por seus atos?
Tópicos desta live:
1 – Teorias diferentes sobre o livre-arbítrio
2 – É preciso de livre-arbítrio para haver ética?
3 – Consequências para uma ética sem livre-arbítrio
4 – Punição e merecimento
Participam deste papo, além do Luan (UFRJ), o Tiago Carneiro (UFRJ), o Vitor Douglas (UFOP) e, claro, eu (PUCRS).
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Existe Ética sem Livre Arbítrio? | Papo com Luan Rafael Marques
Na live de hoje, bateremos um papo com Luan Rafael Marques sobre ética, livre arbítrio e responsabilidade moral. Afinal, se não houver livre arbítrio, como r...
Alysson Augusto via @like
Escrevi para a LiHS.
"Nem tudo são narrativas, há uma verdade objetiva, essa verdade é alcançável por mais que não consigamos ser perfeitamente imparciais, e a forma de se aproximar de tal verdade é por meio do comportamento prudencial coletivo."
Leia: https://lihs.org.br/geral/greenwald-moro-presuncao-de-inocencia-e-a-mentalidade-narrativista-falhamos-enquanto-democracia/
"Nem tudo são narrativas, há uma verdade objetiva, essa verdade é alcançável por mais que não consigamos ser perfeitamente imparciais, e a forma de se aproximar de tal verdade é por meio do comportamento prudencial coletivo."
Leia: https://lihs.org.br/geral/greenwald-moro-presuncao-de-inocencia-e-a-mentalidade-narrativista-falhamos-enquanto-democracia/
LiHS - Liga Humanista Secular do Brasil
Greenwald, Moro, presunção de inocência e a mentalidade narrativista: falhamos enquanto democracia?
Alysson Augusto é licenciado e mestrando em filosofia pela PUCRS. O Brasil enfrenta uma conjuntura que nos faz questionar quais são os fatos. Há pouco, o camisa 10 da seleção, Neymar, foi acusado…
Como podemos ter certeza que, ao cair, uma árvore produz barulho? No vídeo de hoje, diferencio o método indutivo do dedutivo para ilustrar graus de certeza científica.
Assista ao vídeo: https://youtu.be/4np6kc1xnp8
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YouTube
Como ter certeza que uma árvore faz barulho? | Indução x Dedução
Como podemos ter certeza que, ao cair, uma árvore produz barulho? No vídeo de hoje, diferencio o método indutivo do dedutivo para ilustrar graus de certeza científica.
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Tô muito feliz de conseguir ter um site com link próprio! http://alyssonaugusto.com.br/
Mas ainda tenho uma dúvida: alguém sabe aí como configurar pro site não precisar do "www" do link? Tipo, sem o "www" o acesso não vai. Quem souber ajudar, me dá um toque aí!
EDIT: consegui ♥️
Visitem todas as páginas do meu site pra conhecer melhor meu trabalho!
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www.alyssonaugusto.com.br
INICÍO
VÍDEO NOVO!
Sacerdote de religião africana faz campanha no Brasil contra o sacrifício animal na umbanda e no candomblé. O líder do culto, Dagoberto Isaac, conhecido como Alawowwo, é um sacerdote do culto de Yezan, uma religião africana com mais de 4.500 anos que nunca usou sacrifício de animais.
Assista: youtu.be/BSHi_UAagtk
Sacerdote de religião africana faz campanha no Brasil contra o sacrifício animal na umbanda e no candomblé. O líder do culto, Dagoberto Isaac, conhecido como Alawowwo, é um sacerdote do culto de Yezan, uma religião africana com mais de 4.500 anos que nunca usou sacrifício de animais.
Assista: youtu.be/BSHi_UAagtk
YouTube
RELIGIÃO AFRO NÃO PRECISA SACRIFICAR ANIMAIS
Sacerdote de religião africana faz campanha no Brasil contra o sacrifício animal na umbanda e no candomblé. O líder do culto, Dagoberto Isaac, conhecido como Alawowwo, é um sacerdote do culto de Yezan, uma religião africana com mais de 4.500 anos que nunca…
Dúvida aleatória: fundamentar uma posição normativa no fato de que ela é originada de uma "forte intuição" não acaba caindo em falácia naturalista? Ora, na medida em que somos produtos evolutivos, por que nossas intuições também não seriam, nesse sentido, produtos naturais? Ser intuitivo e ser natural, entendidos aqui como equivalentes, não seriam fatos insuficientes para fundamentar normas para ação?
Digo..., até mesmo pensamentos são naturais. O problema não é ser natural, é ser utilizado como justificação. Imagina alguém alegando "isso deve ser verdade porque as pessoas geralmente pensam que isso é verdade". Ora, as pessoas tenderem a pensar que algo é verdade torna isso verdade? Por quê? E por que essa descrição da realidade (pessoas pensam que X é verdade) justificaria a atribuição de uma norma frente à realidade (por pensarem que é verdade, então deve ser verdade)? Eu atribuiria duas falácias aí: falácia naturalista e argumentum ad populum (apelo ao povo).
Aliás... por que essa dúvida surgiu? Tava lendo isto e me perguntei kk
"Some theorists of moral status have argued that most people just have the intuition that certain beings (either humans or adult humans with certain capacities) have a special moral status, and that such a strong intuition is all we need to hold that view. However, this view appears to be insufficiently grounded too."
https://www.academia.edu/36392939/Why_the_Concept_of_Moral_Status_Should_Be_Abandoned
Digo..., até mesmo pensamentos são naturais. O problema não é ser natural, é ser utilizado como justificação. Imagina alguém alegando "isso deve ser verdade porque as pessoas geralmente pensam que isso é verdade". Ora, as pessoas tenderem a pensar que algo é verdade torna isso verdade? Por quê? E por que essa descrição da realidade (pessoas pensam que X é verdade) justificaria a atribuição de uma norma frente à realidade (por pensarem que é verdade, então deve ser verdade)? Eu atribuiria duas falácias aí: falácia naturalista e argumentum ad populum (apelo ao povo).
Aliás... por que essa dúvida surgiu? Tava lendo isto e me perguntei kk
"Some theorists of moral status have argued that most people just have the intuition that certain beings (either humans or adult humans with certain capacities) have a special moral status, and that such a strong intuition is all we need to hold that view. However, this view appears to be insufficiently grounded too."
https://www.academia.edu/36392939/Why_the_Concept_of_Moral_Status_Should_Be_Abandoned
www.academia.edu
Why the Concept of Moral Status Should Be Abandoned
The use of the concept of moral status is commonplace today in debates about the moral consideration of entities lacking certain special capacities, such as nonhuman animals. This concept has been typically used to defend the view that adult human
Estou ao vivo pra bater um papo sobre relevância moral dos animais. https://youtu.be/6PO39MLHLvA
YouTube
O que os animais têm de relevante? | Alysson Responde #04
Apoie o canal → http://bit.do/apoiador Apoiadores que tornam meus vídeos possíveis: Fernando Moreno Nildson Loki Andressa Tabaczinski Lourenço Menezes D'Alme...
Escrevi um pouco sobre como a educação molda nossa identidade por meio de novos hábitos.
https://medium.com/@alysson/novos-hábitos-nos-dão-nova-identidade-educar-para-ser-82268c41061a
https://medium.com/@alysson/novos-hábitos-nos-dão-nova-identidade-educar-para-ser-82268c41061a
Medium
Novos Hábitos Nos Dão Nova Identidade | Educar para Ser
Ultimamente tenho lido mais textos em inglês do que em português, e me pergunto sobre por que isso tem acontecido. Analisando meu…
Seu principal marqueteiro é você mesmo, não sua mãe nem seus "paga-paus". Elogios giram em torno de seus esforços, mas também da sua abertura em recebê-los. A ideia de que somos responsáveis pela nossa imagem ajuda a nos dar rumo e limites. Aparências são importantes sim.
INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 30 DE JUNHO!!
Serão aceitos trabalhos em todas as áreas de pesquisa em Filosofia e em temas conexos de alunos vinculados a Programas de Pós-Graduação stricto sensu. As comunicações deverão ter até 20 (vinte) minutos de duração e serão seguidas por até 10 (dez) minutos de discussão, com perguntas e comentários. Os apresentadores receberão certificado no final de cada sessão e terão seus trabalhos publicados nos anais do evento, como capítulo de livro.
As inscrições poderão ser feitas por meio deste link
https://sites.google.com/view/xixsacfilpucrs/inscrições
Diretrizes completas para participação e demais informações estão disponíveis no site
https://sites.google.com/view/xixsacfilpucrs/diretrizes
A XIX Semana Acadêmica do PPG Filosofia da PUCRS ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de outubro de 2019.
Serão aceitos trabalhos em todas as áreas de pesquisa em Filosofia e em temas conexos de alunos vinculados a Programas de Pós-Graduação stricto sensu. As comunicações deverão ter até 20 (vinte) minutos de duração e serão seguidas por até 10 (dez) minutos de discussão, com perguntas e comentários. Os apresentadores receberão certificado no final de cada sessão e terão seus trabalhos publicados nos anais do evento, como capítulo de livro.
As inscrições poderão ser feitas por meio deste link
https://sites.google.com/view/xixsacfilpucrs/inscrições
Diretrizes completas para participação e demais informações estão disponíveis no site
https://sites.google.com/view/xixsacfilpucrs/diretrizes
A XIX Semana Acadêmica do PPG Filosofia da PUCRS ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de outubro de 2019.
Forwarded from Ética Animal (Alysson Augusto)
Estou lendo o livro "Critical Theory and Animal Liberation", organizado por John Sanbonmatsu, e o segundo artigo, que trata sobre fetichismo, tem insights bem interessantes a respeito da nossa indiferença com os animais que são mortos em beiras de estradas. Pensando aqui em fazer vídeo explicando essa relação, aproveitando inclusive que já escrevi um paper sobre fetiche da mercadoria na questão animal.
Quem tiver interesse pode baixá-lo (PDF) pelo LibGen: booksdescr.org/item/index.php?md5=2F0340F05A326949E26FD2B9D1D0BB91
Quem tiver interesse pode baixá-lo (PDF) pelo LibGen: booksdescr.org/item/index.php?md5=2F0340F05A326949E26FD2B9D1D0BB91
O Estado da Arte, em parceria inédita com o Livres, publicou um texto meu.
"A natureza tribal humana permitiu nossa sobrevivência, mas também tem fomentado a geração muitas vezes inconsequente de novos conflitos. Entender este processo talvez seja o único meio de superá-lo."
Link para ler: https://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/superar-a-politica-tribal-e-possivel/
"A natureza tribal humana permitiu nossa sobrevivência, mas também tem fomentado a geração muitas vezes inconsequente de novos conflitos. Entender este processo talvez seja o único meio de superá-lo."
Link para ler: https://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/superar-a-politica-tribal-e-possivel/
Estado da Arte
Estado da Arte - Revista de cultura, artes e ideias
Talvez a dica mais valiosa pra seguir carreira acadêmica seja a tentativa de consistência.
Digo, constantemente nos sabotamos tentando falar de diversos assuntos que não dominamos, e os motivos são variados. No meu caso, gosto da sensação de interdisciplinariedade proporcionada pela referenciação de diversas fontes num mesmo tema. Acredito que torna o assunto mais rico. E pra ter essa sensação, preciso peregrinar sobre temas inéditos a mim mesmo, de modo que eu acabe sendo um leigo falando genericamente sobre um ponto que nunca abordei antes.
Isso mostra abertura pro aprendizado, mas esse impulso por ampliação temática pode ser perigoso também: você acaba se tornando um generalista, não foca em nada em específico e — o que é pior — facilmente perde a continuidade de seus estudos anteriores.
Essa contínua descontinuidade ocasionada pela curiosidade criativa pode ser ótima para pensadores livres, que não têm compromisso intelectual e acadêmico com alguma instituição que lhe paga bolsas para entregar resultados. Para o acadêmico, entretanto, o foco é mais que necessário, e se ele pode acabar podando a liberdade criativa, por outro lado ele pode facilitar o próprio serviço acadêmico: pela pesquisa contínua, você não apenas consegue atingir novidades na área — e, assim, entregar conteúdo inédito e rigoroso —, como você também pode alcançar tal nível de consistência a ponto de você se tornar uma referência na área e seus trabalhos, girando todos dentro de uma temática comum, acabarem sendo constantemente reaproveitados para as produções inéditas que precisará fazer.
Apelar à consistência é tornar sua carreira acadêmica mais profissional e atraente a nível de referência. É especializar-se nas generalidades de uma única temática. É facilitar seu empreendimento e sua conquista de bolsas (se não fosse o trabalho que fiz na minha graduação, não teria adquirido meu mestrado, por exemplo). A lição que fica é esta: se você já está naturalmente com os olhos e o foco em algo, aproveite essa sua disposição inicial e trace as próximas etapas. Tudo fica mais fácil, proveitoso e rigoroso quando você consegue ousar inovar num lugar comum — aceite que você nunca esgotará um único assunto, e então sua especialização se abrirá a possibilidades nunca antes imaginadas.
Digo, constantemente nos sabotamos tentando falar de diversos assuntos que não dominamos, e os motivos são variados. No meu caso, gosto da sensação de interdisciplinariedade proporcionada pela referenciação de diversas fontes num mesmo tema. Acredito que torna o assunto mais rico. E pra ter essa sensação, preciso peregrinar sobre temas inéditos a mim mesmo, de modo que eu acabe sendo um leigo falando genericamente sobre um ponto que nunca abordei antes.
Isso mostra abertura pro aprendizado, mas esse impulso por ampliação temática pode ser perigoso também: você acaba se tornando um generalista, não foca em nada em específico e — o que é pior — facilmente perde a continuidade de seus estudos anteriores.
Essa contínua descontinuidade ocasionada pela curiosidade criativa pode ser ótima para pensadores livres, que não têm compromisso intelectual e acadêmico com alguma instituição que lhe paga bolsas para entregar resultados. Para o acadêmico, entretanto, o foco é mais que necessário, e se ele pode acabar podando a liberdade criativa, por outro lado ele pode facilitar o próprio serviço acadêmico: pela pesquisa contínua, você não apenas consegue atingir novidades na área — e, assim, entregar conteúdo inédito e rigoroso —, como você também pode alcançar tal nível de consistência a ponto de você se tornar uma referência na área e seus trabalhos, girando todos dentro de uma temática comum, acabarem sendo constantemente reaproveitados para as produções inéditas que precisará fazer.
Apelar à consistência é tornar sua carreira acadêmica mais profissional e atraente a nível de referência. É especializar-se nas generalidades de uma única temática. É facilitar seu empreendimento e sua conquista de bolsas (se não fosse o trabalho que fiz na minha graduação, não teria adquirido meu mestrado, por exemplo). A lição que fica é esta: se você já está naturalmente com os olhos e o foco em algo, aproveite essa sua disposição inicial e trace as próximas etapas. Tudo fica mais fácil, proveitoso e rigoroso quando você consegue ousar inovar num lugar comum — aceite que você nunca esgotará um único assunto, e então sua especialização se abrirá a possibilidades nunca antes imaginadas.
Acabei de salvar um rato que caiu no "cola-rato", uma armadilha grudenta feita para que o rato (ou outros animais pequenos) fiquem presos até a morte ou até que a pessoa que a armou descubra e 1) esmague o rato ou 2) o libere longe de casa.
Como não vejo necessidade em matar o animal, após vê-lo gritando por ter sido colado, peguei ele preso na armadilha e pedi à minha prima que pegasse uma vasilha. Ela trouxe um daqueles potes avulsos de bolo (era o que tinha), então coloquei o rato colado ali dentro, joguei óleo de cozinha por cima dele e fechei a tampa. Em questão de segundos o óleo de cozinha fez com que a cola parasse de ser grudenta, e o rato se libertou do grude. Como ele ainda tava preso dentro do pote, levamos ele num terreno baldio longe de casa e soltamos.
Pontos positivos: o rato mantém sua vida, a armadilha pode ser reutilizada e a "ameaça" foi distanciada (altamente improvável que volte aqui pra casa).
Pontos negativos: o rato pode passar a importunar outra pessoa que morava perto daquele terreno baldio, e continuar procriando e importunando ainda mais pessoas.
Pensando num cálculo de custo-benefício, os pontos positivos se sobrepõem aos negativos, especialmente frente ao fato de que o incômodo que o rato possa ocasionar (que no caso é apenas ativar o "nojo" de muitas pessoas) é muito menor que o sofrimento e a perda da sua vida que possamos lhe infligir.
Aniquilar o animal seria a opção fácil, e sua proliferação em ambiente doméstico diz mais sobre como o ambiente é porcamente gerido do que sobre como o rato é uma real ameaça.
Como não vejo necessidade em matar o animal, após vê-lo gritando por ter sido colado, peguei ele preso na armadilha e pedi à minha prima que pegasse uma vasilha. Ela trouxe um daqueles potes avulsos de bolo (era o que tinha), então coloquei o rato colado ali dentro, joguei óleo de cozinha por cima dele e fechei a tampa. Em questão de segundos o óleo de cozinha fez com que a cola parasse de ser grudenta, e o rato se libertou do grude. Como ele ainda tava preso dentro do pote, levamos ele num terreno baldio longe de casa e soltamos.
Pontos positivos: o rato mantém sua vida, a armadilha pode ser reutilizada e a "ameaça" foi distanciada (altamente improvável que volte aqui pra casa).
Pontos negativos: o rato pode passar a importunar outra pessoa que morava perto daquele terreno baldio, e continuar procriando e importunando ainda mais pessoas.
Pensando num cálculo de custo-benefício, os pontos positivos se sobrepõem aos negativos, especialmente frente ao fato de que o incômodo que o rato possa ocasionar (que no caso é apenas ativar o "nojo" de muitas pessoas) é muito menor que o sofrimento e a perda da sua vida que possamos lhe infligir.
Aniquilar o animal seria a opção fácil, e sua proliferação em ambiente doméstico diz mais sobre como o ambiente é porcamente gerido do que sobre como o rato é uma real ameaça.
Ontem postei o que fiz com um camundongo (evitei matá-lo após tê-lo pego) e algum ofendidinho resolveu compartilhar meu post num grupo conservador (não vou dar nomes, embora já saiba quem seja). Surgiu monte de gente me zoando ou apontando que serei o responsável pela nova peste bubônica, e que o caos social se instalará porque, afinal, eu salvei um animal de 7 centímetros.
É incrível como o método de ataque político (promover caça às bruxas de quem se discorda), a afecção proporcionada (mostrar-se ofendido com um ato localizado) e o fatalismo denunciado (defender que tal ato culminará num desequilíbrio social) representam exatamente o tipo de tática que há tempos tem tornado um lixo o debate público, só que agora com o sinal trocado: se antes eram os justiceiros sociais promovendo linchamento virtual, hoje são os conservadores mimizentos se sentindo ofendidos porque alguém contrariou seus valores sacros, mostrando que talvez os animais não sejam tão inferiores aos humanos como gostam de pensar.
Em certo sentido eu dou risada da situação: ora, um bando de marmanjo se ofendendo porque alguém salvou um rato é risível. Ainda assim, a situação é preocupante, porque mostra exatamente o tipo de coisa que venho criticando há tempos, que é o tribalismo político determinante da política nacional.
É incrível como o método de ataque político (promover caça às bruxas de quem se discorda), a afecção proporcionada (mostrar-se ofendido com um ato localizado) e o fatalismo denunciado (defender que tal ato culminará num desequilíbrio social) representam exatamente o tipo de tática que há tempos tem tornado um lixo o debate público, só que agora com o sinal trocado: se antes eram os justiceiros sociais promovendo linchamento virtual, hoje são os conservadores mimizentos se sentindo ofendidos porque alguém contrariou seus valores sacros, mostrando que talvez os animais não sejam tão inferiores aos humanos como gostam de pensar.
Em certo sentido eu dou risada da situação: ora, um bando de marmanjo se ofendendo porque alguém salvou um rato é risível. Ainda assim, a situação é preocupante, porque mostra exatamente o tipo de coisa que venho criticando há tempos, que é o tribalismo político determinante da política nacional.
Seria o vegetarianismo uma obrigação ética? Na live de hoje batemos um papo descompromissado sobre o assunto. Começa às 19h.
youtu.be/efl4xQf8aMU
youtu.be/efl4xQf8aMU
YouTube
LIVE DO VEGETARIANISMO ÉTICO
Seria o vegetarianismo uma obrigação ética? Na live de hoje batemos um papo descompromissado sobre o assunto. Apoie o canal → https://www.alyssonaugusto.com....