Alysson Augusto
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O Vitor Douglas já esteve presente em diversas lives no meu canal, e agora ele resolveu inaugurar o seu prório canal de Filosofia. O nome é Implicações Filosóficas. Conheçam!

https://youtu.be/Zhp3cxHhfEo
Blue Sunday — ou, em tradução livre, "Domingo Depressivo" — é uma expressão em inglês que diz muito sobre a sociedade corrida em que vivemos: durante a semana temos metas e horários definidos. Aos domingos, o ritmo é quebrado e sentimos aquela "nhaca existencial". Tô assim agora.
Percebo que quanto mais cansado com as responsabilidades a gente fica mais a gente se abre à possibilidade real de um Deus generoso existir pra nos compensar no final de tanto estresse e dificuldades a serem resolvidas. Deus é sempre uma boa desculpa pra sentir alívio existencial.
Recentemente a mundialmente famosa Miley Cyrus fez uma declaração no mínimo curiosa. Até então defensora do veganismo e dos animais, declarou que seu tipo de cérebro precisa de peixe para funcionar direito.

O erro comum aqui é achar que o Ômega 3 é original da carne de peixe. Na verdade, o Ômega 3 é oriundo de algas que peixes como o salmão — que é criado em cativeiro — não têm acesso. A melhor forma de obter Ômega 3 é por meio de suplementos vegetais.

A declaração de Cyrus deixa claro que o efeito placebo, somado às preferências de paladar, é o que impulsiona as pessoas a abandonarem uma causa tão importante como a defesa dos animais.
Richard Dawkins, além de célebre cientista e divulgador científico, também é famoso por fazer críticas abertas ao especismo: a ideia de que, por pertencermos à espécie humana, somos moralmente superiores. Leia na íntegra o que diz Dawkins no livro O Gene Egoísta:

"Muitos de nós recuamos constrangidos diante da execução de um ser humano, não obstante se trate do mais terrível criminoso, ao passo que defendemos despreocupados a exterminação sem julgamento de pragas relativamente pouco nocivas. A bem da verdade, matamos membros de outras espécies inofensivas como forma de recreação e divertimento. Um feto da nossa espécie, desprovido de mais sentimentos humanos do que uma ameba, goza de um respeito e de uma proteção legais que excedem em ampla medida aqueles concedidos a um chimpanzé adulto. E, contudo, o chimpanzé sente e pensa e — de acordo com os achados experimentais recentes — é até mesmo capaz de aprender alguma forma de linguagem humana. O feto pertence à nossa espécie e, por essa razão, conta instantaneamente com privilégios e direitos especiais. Será que a ética do "especismo", para usar o termo de Richard Ryder, se sustenta em bases biológicas mais sólidas do que a ética do racismo? Eu não sei. O que sei é que ela não encontra nenhuma fundamentação na biologia evolutiva." (Richard Dawkins, em O Gene Egoísta: São Paulo, Companhia das Letras, 2007, p. 50-51)
Jeremy Bentham foi um notável jurista, reformador social e filósofo inglês que fundou a corrente moral do utilitarismo, segundo a qual devemos buscar o maior bem do maior número de indivíduos. Confira abaixo sua famosa citação em defesa da inclusão dos animais no nosso círculo de consideração moral:

"Talvez chegue o dia em que o restante da criação animal venha a adquirir os direitos dos quais jamais poderiam ter sido privados, a não ser pela mão da tirania. Os franceses já descobriram que o escuro da pele não é motivo para que um ser humano seja abandonado, irreparavelmente, aos caprichos de um torturador. É possível que algum dia se reconheça que o número de pernas, a vilosidade da pele ou a terminação de os sacrum são motivos igualmente insuficientes para se abandonar um ser sensível ao mesmo destino. O que mais deveria determinar a linha insuperável? A faculdade da razão, ou, talvez, a capacidade de falar? Mas para lá de toda comparação possível, um cavalo ou um cão adultos são muito mais racionais, além de bem mais sociáveis, do que um bebê de um dia, uma semana, ou até mesmo de um mês. Imaginemos, porém, que as coisas não fossem assim; que importância teria tal fato? A questão não é saber se são capazes de raciocinar, ou se conseguem falar, mas sim se são passíveis de sofrimento."

JEREMY BENTHAM, em An introduction to the principles of morals and legislation. New York: Dover Publications, 2007. Tradução de Gabriel Garmendia de Trindade.

Para saber mais sobre Jeremy Bentham, ouça este audiotexto: http://youtu.be/N2RMSoVGUpY
Jeremy Bentham foi um notável jurista, reformador social e filósofo inglês que fundou a corrente moral do utilitarismo, segundo a qual devemos buscar o maior bem do maior número de indivíduos. Confira sua famosa citação em defesa da inclusão dos animais no nosso círculo de consideração moral neste link https://t.me/alyaugusto/901

@alyaugusto
Devemos manter certos hábitos porque "sempre foi assim"?

Rosa Parks foi uma ativista negra norte-americana que se recusou a ceder seu lugar no ônibus a um branco, tornando-se símbolo da luta anti-racista por direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Gary Francione, famoso acadêmico na luta pelos direitos dos animais, defende que, se fôssemos levar o apelo à tradição a sério, Rosa Parks ainda estaria sentada no fundo do ônibus. Veja o que Francione diz, na íntegra:

"Defensores da ingestão de carne alegam que, mesmo se a prática for desnecessária porque podemos sobreviver em boas (se não melhores) condições com uma dieta vegetariana, os humanos vêm comendo carne há séculos e a prática é justificada pela 'tradição'. Há, no entanto, ao menos dois problemas com esse tipo de argumento. Primeiro, historicamente, houve e há um certo número de culturas que não comem alimentos de origem animal; portanto, se houver uma tradição, não se pode caracterizá-la como aquela que compartilhamos enquanto espécie. De fato, até a era moderna — e especialmente até a ascensão do agronegócio — a maioria das pessoas no mundo comia menos, muito menos, carne do que hoje. Segundo, e mais importante, mesmo se houvesse uma tradição compartilhada por todos os humanos, ou apenas por alguns humanos, que diferença isso faria em termos morais? Se o uso de animais não é necessário no caso em questão, como qualquer tradição pode passar por cima dos interesses animais que estão em jogo, se esses interesses são moralmente significativos, conforme dizemos que são? Nas justificações morais, o argumento a favor da tradição sempre é, no mínimo, suspeito. A tradição, afinal de contas, tem sido frequentemente oferecida como justificação para o sexismo, o racismo e outras condutas que hoje reconhecemos como moralmente injustificáveis. Se fôssemos escravos da tradição, Rosa Parks ainda estaria viajando no fundo do ônibus."

Gary L. Francione, "Introdução aos Direitos Animais: seu filho ou o cachorro?", 2015, p. 66-67, Ed. Unicamp.
Quando me dizem que o ser humano não evoluiu pra ser vegano:
Forwarded from Ética Animal (Alysson Augusto) via @like
Este tubarão não evoluiu dos seus antepassados pra comer alface.

@EticaAnimal
John Locke, filósofo iluminista inglês reconhecido por ser o pai do liberalismo e do empirismo filosófico, foi da opinião de que a crueldade praticada contra animais desde a infância deve ser desincentivada. Confira nas palavras do próprio Locke:

"Algo que eu tenho observado frequentemente em crianças é que quando estão em posse de qualquer criatura frágil, elas estão aptas a usá-la malevolamente: muitas vezes elas irão atormentar e tratar bruscamente passarinhos, borboletas, bem como qualquer outra criatura frágil que cair em suas mãos, e o farão com uma espécie de prazer aparente. Penso que isso deveria ser observado nelas, e caso estejam inclinadas a qualquer tipo de crueldade, deveriam ser ensinadas a agir de modo diferente. Pois o costume de atormentar e matar animais irá, aos poucos, endurecer suas mentes mesmo para com os homens; e aqueles que se comprazem com o sofrimento e destruição de criaturas inferiores não estão aptos a serem muito compassivos ou benignos para com os seus semelhantes. A nossa prática observa isso na exclusão de açougueiros em júris de vida ou morte. As crianças deveriam ser criadas desde o início com aversão ao ato de matar ou atormentar qualquer criatura viva; e ensinadas a não estragar ou destruir qualquer coisa, a não ser para a preservação ou benefício de alguma outra coisa mais nobre."

John Locke, Some Thoughts Concerning Education. Vol. XXXVII, Part 1. The Harvard Classics. New York: P.F. Collier & Son, 1909-14. Tradução de Gabriel Garmendia de Trindade.
Ao examinar as considerações militares levantadas por Kant, Clausewitz, Marx, Engels e Tolstoy no decorrer de suas carreiras, o filósofo e teórico político escocês W. B. Gallie observa:

“Com exceção de Kant, todos esses autores foram escritores capazes, sendo alguns até excepcionalmente dotados. [...] Toda a obra política de Kant data de sua velhice, quando seu estilo já não era o mesmo. Além do mais, Kant foi um dos poucos filósofos em que o homem se dissocia do estilo: a forma da obra obsessivamente pedante; a criatura, apesar de algumas patéticas fraquezas, heroicamente humana. Portanto, não tive escrúpulos em escrever e ordenar novamente as opiniões expressas na Paz Perpétua, de forma a evidenciar suas provas, questões, argumentos e conclusões mais originais – escondidos pelos desajeitados esforços de Kant para popularizar o panfleto.” (W. B. Gallie – Os Filósofos da Paz e da Terra. 1979)

Sempre achei que Kant escreve extremamente mal, mas pelo visto não tô sozinho.