DEIXE A DANÇA FAZER PARTE DA SUA VIDA
Alysson Augusto
Quando alguém me pergunta “por que você dança?”, várias respostas podem surgir. “Porque faz bem à saúde”, “porque é divertido”, são algumas delas. Mas danço principalmente porque dançar é meu direito – meu direito num mundo em que cada vez dançamos menos e cada vez corremos mais.
Numa sociedade cada vez mais acelerada em direção ao chamado “progresso”, dançar não é só o que o dicionário diz, não é só mexer o corpo de acordo com a música. Dançar é impor seu ritmo ao mundo, é subverter as regras que você não escolheu e que buscam ditar como você deve viver.
Quando você escolhe quais movimentos executar, qual música ouvir, qual batida acompanhar e até mesmo qual o local onde dançar, você está dizendo ao mundo que a vida é a sua tela e que seus passos de dança são a sua tinta e pincel, e no quadro da vida você eternizará a sua obra. Você passa a ter voz, mas sem necessariamente falar.
Tudo o que você faz, cada gesto e cada passo podem ser assimilados às dificuldades da vida. E quando você executa cada ação se mostra um ser pulsante, vivo, que age diante dessas dificuldades com a cabeça erguida, e mostra ao mundo que, acima de tudo, é você quem escreve a sua própria história.
Reclame ao mundo o seu direito de dançar, independentemente de estilo musical, de tipo de dança, de gênero artístico. Se são os seus atos que definem o seu caráter, então que seus atos sejam belos, harmônicos, performáticos, expressivos e cheios de sentido. Deixe a dança fazer parte da sua vida.
Alysson Augusto
Quando alguém me pergunta “por que você dança?”, várias respostas podem surgir. “Porque faz bem à saúde”, “porque é divertido”, são algumas delas. Mas danço principalmente porque dançar é meu direito – meu direito num mundo em que cada vez dançamos menos e cada vez corremos mais.
Numa sociedade cada vez mais acelerada em direção ao chamado “progresso”, dançar não é só o que o dicionário diz, não é só mexer o corpo de acordo com a música. Dançar é impor seu ritmo ao mundo, é subverter as regras que você não escolheu e que buscam ditar como você deve viver.
Quando você escolhe quais movimentos executar, qual música ouvir, qual batida acompanhar e até mesmo qual o local onde dançar, você está dizendo ao mundo que a vida é a sua tela e que seus passos de dança são a sua tinta e pincel, e no quadro da vida você eternizará a sua obra. Você passa a ter voz, mas sem necessariamente falar.
Tudo o que você faz, cada gesto e cada passo podem ser assimilados às dificuldades da vida. E quando você executa cada ação se mostra um ser pulsante, vivo, que age diante dessas dificuldades com a cabeça erguida, e mostra ao mundo que, acima de tudo, é você quem escreve a sua própria história.
Reclame ao mundo o seu direito de dançar, independentemente de estilo musical, de tipo de dança, de gênero artístico. Se são os seus atos que definem o seu caráter, então que seus atos sejam belos, harmônicos, performáticos, expressivos e cheios de sentido. Deixe a dança fazer parte da sua vida.
Não acredito em igualdade pelo simples motivo que isso é bastante impossível.
Sócrates é Sócrates, e você não pode criar quatro bilhões de Sócrates para tornar o mundo inteiro igual. Todo ser humano é único. Não há dois seres humanos que sejam iguais, e nunca deveria haver, do contrário o mundo deixaria de ser o mundo. Apenas rosas e rosas em todo o mundo: tudo da mesma cor e do mesmo tamanho? Não. O mundo precisa de uma enorme variedade de flores, de todas as cores: é o que lhes dá sua riqueza.
Acredito na singularidade dos indivíduos, não na igualdade entre indivíduos. Mas também acredito na ideia de que devemos conferir oportunidades iguais a todos.
São coisas completamente diferentes – oportunidades iguais para que uma rosa cresça, oportunidades iguais para que uma flor de lótus cresça, oportunidades iguais para que uma margarida cresça.
Esse é o princípio: oportunidades iguais para que todos possam ser desiguais, únicos. Por isso, não acredito na igualdade entre os indivíduos, mas certamente acredito em dar oportunidades iguais a todos.
Se alguém quiser se tornar um pintor, e outra pessoa quiser se tornar um doutor ou um escultor, todas deveriam ter oportunidades iguais mas não deveriam ser forçadas a ser iguais, pois isso seria assassinar toda a riqueza da humanidade.
Sócrates é Sócrates, e você não pode criar quatro bilhões de Sócrates para tornar o mundo inteiro igual. Todo ser humano é único. Não há dois seres humanos que sejam iguais, e nunca deveria haver, do contrário o mundo deixaria de ser o mundo. Apenas rosas e rosas em todo o mundo: tudo da mesma cor e do mesmo tamanho? Não. O mundo precisa de uma enorme variedade de flores, de todas as cores: é o que lhes dá sua riqueza.
Acredito na singularidade dos indivíduos, não na igualdade entre indivíduos. Mas também acredito na ideia de que devemos conferir oportunidades iguais a todos.
São coisas completamente diferentes – oportunidades iguais para que uma rosa cresça, oportunidades iguais para que uma flor de lótus cresça, oportunidades iguais para que uma margarida cresça.
Esse é o princípio: oportunidades iguais para que todos possam ser desiguais, únicos. Por isso, não acredito na igualdade entre os indivíduos, mas certamente acredito em dar oportunidades iguais a todos.
Se alguém quiser se tornar um pintor, e outra pessoa quiser se tornar um doutor ou um escultor, todas deveriam ter oportunidades iguais mas não deveriam ser forçadas a ser iguais, pois isso seria assassinar toda a riqueza da humanidade.
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A VIDA QUE VOCÊ LEVA
Alysson Augusto
Certa vez, um conhecido me fez a seguinte pergunta: qual seria a verdadeira tristeza para você e o que procuraria fazer para afugentá-la?
Vamos confessar: é uma pergunta complicada de se responder. E penso que o filósofo grego Epicuro pode nos ajudar nisso.
Quando falamos em tristeza, logo lembramos de uma “ausência de felicidade”. É como se a primeira não existisse sem a segunda. E, de acordo com Epicuro, toda a nossa existência é resumida a uma busca constante por prazer, na tentativa de anular a nossa dor. Logo, talvez não possamos afirmar o que seja uma “verdadeira tristeza”. Mas, fazendo o caminho inverso, podemos falar sobre o que “não vai de encontro à felicidade”.
É comum reduzirmos todo o bem-estar humano ao jogo da sociedade, que basicamente nos diz: quanto mais dinheiro você tem, mais feliz você é. Mas, em se tratando de felicidade, é realmente saudável pensar assim?
Quando temos amigos que estão próximos e marcam nossas vidas, quando temos com quem dialogar, quando temos a fome saciada, quando podemos aliviar nossas necessidades sexuais com frequência e, acima de tudo, quando temos tempo para pensar a vida e sobre a vida, somos felizes, e conseguimos manter uma felicidade constante, a partir da simplicidade das nossas ações diante da própria vida.
É bem verdade que, se temos muita fome, um pedaço de pão e um copo d’água podem ser as coisas mais desejadas naquele momento. E Epicuro já dizia isso há mais de 2.300 anos:
"Os alimentos frugais produzem um prazer idêntico ao de uma farta mesa ao eliminarmos a dor da necessidade, e pão e água oferecem o máximo dos prazeres quando deles se servem quem deles tem necessidade."
Também é verdade que, quando estamos carentes, uma simples troca de olhares com pessoas que consideramos nossas amigas pode nos aliviar e nos proporcionar prazer.
Mesmo assim, toda a vida lá fora insiste em nos dizer que tempo é dinheiro, e sabemos que tudo o que conhecemos está ligado ao tempo. Somado a isso, nos dizem que é o dinheiro que traz a felicidade, nos fazendo acreditar que a felicidade é uma luta constante contra o tempo em busca de mais e mais dinheiro. E essa lógica fica ainda mais aceitável quando sabemos que ter muito dinheiro não nos impede de sermos felizes – pelo contrário, facilita.
"Só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, ele não se faz sentir como necessidade ou carência."
Por mais feliz que alguém possa ser com muito dinheiro, não dá pra viver numa constância de felicidade sem antes suprir as reais necessidades de nossa condição humana, necessidades já citadas como cultivar relações de amizade, nos alimentarmos e mantermos relações sexuais. Você pode ser feliz com muito dinheiro, claro. Mas, para Epicuro, isso não significa que você não possa ser feliz com pouco – ou quase nenhum.
Talvez não seja possível associar a uma “verdadeira tristeza” algo certo e inquestionável, como se cabesse a todo mundo. Mas, na tentativa de responder à pergunta que inicia este texto, triste mesmo é a nossa aparente incapacidade de problematizar o assunto da felicidade.
Uma “verdadeira tristeza” talvez seja a triste realidade de que as influências do meio em que vivemos nos moldam à revelia, e esse meio não costuma se importar com a nossa saúde, com o nosso bem-estar, com as nossas particularidades. Esse meio, junto à publicidade, se importa em introjetar a ideia de que é com a abundância de bens materiais (e consequentemente o desperdício) o único jeito de sermos felizes. O que, aliás, Epicuro critica:
"Não são bebidas nem banquetes contínuos, nem o aproveitar-se de jovens e mulheres, ou do peixe e de tudo o que pode oferecer uma rica mesa, que levam a uma existência feliz. Mas, sim, uma límpida capacidade de raciocínio que esteja consciente de cada escolha, de cada aceitação e de cada rejeição, e elimine a vacuidade das opiniões falsas, em função das quais a pior das perturbações surpreende a alma."
Alysson Augusto
Certa vez, um conhecido me fez a seguinte pergunta: qual seria a verdadeira tristeza para você e o que procuraria fazer para afugentá-la?
Vamos confessar: é uma pergunta complicada de se responder. E penso que o filósofo grego Epicuro pode nos ajudar nisso.
Quando falamos em tristeza, logo lembramos de uma “ausência de felicidade”. É como se a primeira não existisse sem a segunda. E, de acordo com Epicuro, toda a nossa existência é resumida a uma busca constante por prazer, na tentativa de anular a nossa dor. Logo, talvez não possamos afirmar o que seja uma “verdadeira tristeza”. Mas, fazendo o caminho inverso, podemos falar sobre o que “não vai de encontro à felicidade”.
É comum reduzirmos todo o bem-estar humano ao jogo da sociedade, que basicamente nos diz: quanto mais dinheiro você tem, mais feliz você é. Mas, em se tratando de felicidade, é realmente saudável pensar assim?
Quando temos amigos que estão próximos e marcam nossas vidas, quando temos com quem dialogar, quando temos a fome saciada, quando podemos aliviar nossas necessidades sexuais com frequência e, acima de tudo, quando temos tempo para pensar a vida e sobre a vida, somos felizes, e conseguimos manter uma felicidade constante, a partir da simplicidade das nossas ações diante da própria vida.
É bem verdade que, se temos muita fome, um pedaço de pão e um copo d’água podem ser as coisas mais desejadas naquele momento. E Epicuro já dizia isso há mais de 2.300 anos:
"Os alimentos frugais produzem um prazer idêntico ao de uma farta mesa ao eliminarmos a dor da necessidade, e pão e água oferecem o máximo dos prazeres quando deles se servem quem deles tem necessidade."
Também é verdade que, quando estamos carentes, uma simples troca de olhares com pessoas que consideramos nossas amigas pode nos aliviar e nos proporcionar prazer.
Mesmo assim, toda a vida lá fora insiste em nos dizer que tempo é dinheiro, e sabemos que tudo o que conhecemos está ligado ao tempo. Somado a isso, nos dizem que é o dinheiro que traz a felicidade, nos fazendo acreditar que a felicidade é uma luta constante contra o tempo em busca de mais e mais dinheiro. E essa lógica fica ainda mais aceitável quando sabemos que ter muito dinheiro não nos impede de sermos felizes – pelo contrário, facilita.
"Só sentimos necessidade do prazer quando sofremos pela sua ausência; ao contrário, quando não sofremos, ele não se faz sentir como necessidade ou carência."
Por mais feliz que alguém possa ser com muito dinheiro, não dá pra viver numa constância de felicidade sem antes suprir as reais necessidades de nossa condição humana, necessidades já citadas como cultivar relações de amizade, nos alimentarmos e mantermos relações sexuais. Você pode ser feliz com muito dinheiro, claro. Mas, para Epicuro, isso não significa que você não possa ser feliz com pouco – ou quase nenhum.
Talvez não seja possível associar a uma “verdadeira tristeza” algo certo e inquestionável, como se cabesse a todo mundo. Mas, na tentativa de responder à pergunta que inicia este texto, triste mesmo é a nossa aparente incapacidade de problematizar o assunto da felicidade.
Uma “verdadeira tristeza” talvez seja a triste realidade de que as influências do meio em que vivemos nos moldam à revelia, e esse meio não costuma se importar com a nossa saúde, com o nosso bem-estar, com as nossas particularidades. Esse meio, junto à publicidade, se importa em introjetar a ideia de que é com a abundância de bens materiais (e consequentemente o desperdício) o único jeito de sermos felizes. O que, aliás, Epicuro critica:
"Não são bebidas nem banquetes contínuos, nem o aproveitar-se de jovens e mulheres, ou do peixe e de tudo o que pode oferecer uma rica mesa, que levam a uma existência feliz. Mas, sim, uma límpida capacidade de raciocínio que esteja consciente de cada escolha, de cada aceitação e de cada rejeição, e elimine a vacuidade das opiniões falsas, em função das quais a pior das perturbações surpreende a alma."
Sabemos que somos todos reprodutores de uma sociedade que nos vende uma felicidade material, colorida e atraente, em forma de propaganda, mercadorias e bens materiais. E por isso cabe a nós discutirmos se esse é realmente o caminho para alcançarmos a tão procurada felicidade humana, diante de uma realidade que preza pelas estatísticas, pelos “valores da bolsa”, e não pelos valores humanos.
Essa “verdadeira tristeza” se apropria de nosso desejo pela felicidade. Assim, nos vende uma “fórmula mágica da felicidade” totalmente materialista (“você é o que você tem”), onde todos nós, homens e mulheres, das mais variadas origens e comportamentos, semelhantes e diferentes que somos, todos cada vez mais deixando de sermos cidadãos e consequentemente reduzidos a consumidores.
Mas o que eu procuro fazer para afugentar essa “verdadeira tristeza”?
A resposta é simples: reconhecê-la.
Essa “verdadeira tristeza” se apropria de nosso desejo pela felicidade. Assim, nos vende uma “fórmula mágica da felicidade” totalmente materialista (“você é o que você tem”), onde todos nós, homens e mulheres, das mais variadas origens e comportamentos, semelhantes e diferentes que somos, todos cada vez mais deixando de sermos cidadãos e consequentemente reduzidos a consumidores.
Mas o que eu procuro fazer para afugentar essa “verdadeira tristeza”?
A resposta é simples: reconhecê-la.
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Sequências e mais sequências de tiros. É com isso que acabo de acordar.
Com a crise política, a crise de segurança pública, principalmente em regiões mais pobres, acaba por ser esquecida em prol dos holofotes sobre outros assuntos.
Enquanto isso, vizinhos próximos estão apavorados, e vizinhos mais distantes, aqueles que moram extremamente próximos dos conflitos, estão desesperados, sem saber para onde correr.
A segurança pública está sucateada. As pessoas, inconformadas. As autoridades? Caladas e inoperantes.
Seguimos. Só nunca saberemos até quando.
Com a crise política, a crise de segurança pública, principalmente em regiões mais pobres, acaba por ser esquecida em prol dos holofotes sobre outros assuntos.
Enquanto isso, vizinhos próximos estão apavorados, e vizinhos mais distantes, aqueles que moram extremamente próximos dos conflitos, estão desesperados, sem saber para onde correr.
A segurança pública está sucateada. As pessoas, inconformadas. As autoridades? Caladas e inoperantes.
Seguimos. Só nunca saberemos até quando.
De tudo o que já senti, me sinto convicto de que a paixão, aquela repentina e sedutora, mais fala comigo, mais me atrai e me distrai. Aquele fogo que, num ímpeto de insanidade, acende sem dar vestígios, sem partir de faíscas ou se importar com inícios. Simplesmente nasce.
Para a paixão que em mim brota, não há acordos e regras de como proceder, não há diálogos.
Minto. Há sim um diálogo, mas é platônico.
Para Platão, amor é desejo, uma ânsia por adquirir algo que ainda não se tem. Amor é o que nos move em busca de um mundo utópico e que supra todos nossos interesses. Mas Platão generaliza ao chamar amor de paixão.
Quem se importa? Minha paixão é amor platônico.
[Alysson Augusto]
Para a paixão que em mim brota, não há acordos e regras de como proceder, não há diálogos.
Minto. Há sim um diálogo, mas é platônico.
Para Platão, amor é desejo, uma ânsia por adquirir algo que ainda não se tem. Amor é o que nos move em busca de um mundo utópico e que supra todos nossos interesses. Mas Platão generaliza ao chamar amor de paixão.
Quem se importa? Minha paixão é amor platônico.
[Alysson Augusto]
Aceite a diferença de opinião
Alysson Augusto
É interessante como algumas pessoas, não contentes com os algoritmos das redes sociais (os quais beneficiam os interesses em comum e nos fazem ver o que queremos ver), vão além e levam suas bolhas para os debates pessoais, com familiares e amigos.
Não é a primeira vez que testemunho um caso em que uma pessoa desistiu de conversar com a outra por um motivo banal: “a gente pensa muito diferente, não quero discutir contigo”, ela disse.
Oras, não é a diferença de opinião que fundamenta a existência de uma discussão?
Prezo por um mundo onde todos saibamos que discutir é diferente de massagear o próprio ego e reforçar os próprios pensamentos.
Textos mais elaborados no Medium: https://medium.com/@alysson
Alysson Augusto
É interessante como algumas pessoas, não contentes com os algoritmos das redes sociais (os quais beneficiam os interesses em comum e nos fazem ver o que queremos ver), vão além e levam suas bolhas para os debates pessoais, com familiares e amigos.
Não é a primeira vez que testemunho um caso em que uma pessoa desistiu de conversar com a outra por um motivo banal: “a gente pensa muito diferente, não quero discutir contigo”, ela disse.
Oras, não é a diferença de opinião que fundamenta a existência de uma discussão?
Prezo por um mundo onde todos saibamos que discutir é diferente de massagear o próprio ego e reforçar os próprios pensamentos.
Textos mais elaborados no Medium: https://medium.com/@alysson
Medium
Alysson Augusto – Medium
Read writing from Alysson Augusto on Medium. Mestrando em Filosofia (PUCRS). Produzo vídeos de divulgação filosófica no Youtube. Inscreva-se: http://youtube.com/alyssonaugusto.
Como você, eu busco alguma certeza na vida. Busco um fundamento, uma base para pôr os pés sabendo que o solo é firme. Busco um caminhar que, embora incerto, tenha um objetivo. Uma luz, talvez distante, brilhando ao fim do túnel.
Busco, porque não tenho. Não tenho, porque com pouco não me contento. O que me falam, o que me ditam e o que pensam me provar não pode me acomodar. Não penso que eu deva abrir mão de minha consciência a favor de uma atraente crença que alivia a carga que é estar vivo.
E estou vivo. Sei, porque sinto. Mas não sinto por testemunho ou por uma breve percepção de mim mesmo neste mundo. Sinto por experimentar, em mesma intensidade, o ansiado prazer, bem como a tão repudiada dor.
Sinto porque sigo, persisto e persigo algum rumo. Quando buscamos solo, fundamento e terreno fértil, o que temos é uma sensação, um sentimento de que é possível. Falta certeza, falta clareza. Mas não falta horizonte, não falta utopia.
Basta a possibilidade.
O resto? Bem, o resto depende de você pegar com vontade e fazer acontecer.
[Alysson Augusto]
Busco, porque não tenho. Não tenho, porque com pouco não me contento. O que me falam, o que me ditam e o que pensam me provar não pode me acomodar. Não penso que eu deva abrir mão de minha consciência a favor de uma atraente crença que alivia a carga que é estar vivo.
E estou vivo. Sei, porque sinto. Mas não sinto por testemunho ou por uma breve percepção de mim mesmo neste mundo. Sinto por experimentar, em mesma intensidade, o ansiado prazer, bem como a tão repudiada dor.
Sinto porque sigo, persisto e persigo algum rumo. Quando buscamos solo, fundamento e terreno fértil, o que temos é uma sensação, um sentimento de que é possível. Falta certeza, falta clareza. Mas não falta horizonte, não falta utopia.
Basta a possibilidade.
O resto? Bem, o resto depende de você pegar com vontade e fazer acontecer.
[Alysson Augusto]
Pras bandas de cá, o frio chegou. Com o frio, a certeza de que um abraço significa amor próprio e torna-se gesto de caridade. De quebra, a oportunidade de mostrarmos um outro lado nosso, mais enroupado e estiloso.
Por fim, temos o calor. É o calor que justifica o frio, é pelo calor que pedimos o frio. Não há touca, se não pelo calor. Não há casacos pesados, se não pelo calor. Não há camadas de cobertores nos afogando contra o colchão, se não pelo calor.
Vamos evitar hipocrisias. A verdade é que não gostamos do frio. Gostamos é da sensação de estarmos protegidos do frio. Gostamos de encarar a geada lá fora dando gargalhada, com um copo de chocolate quente em mãos, sem sentir a verdadeira sensação que é passar frio.
E eu falo de passar frio, não de sentir frio. Um brisa gelada encostando no seu rosto não pode ser comparada à sensação de ter o corpo todo tomado por injeções anestésicas vencidas.
Se aqueles que se acobertam com papelões e escondem-se em latas de lixo fossem lembrados, dizer amar o frio seria crime de falta de empatia.
Alysson Augusto
Por fim, temos o calor. É o calor que justifica o frio, é pelo calor que pedimos o frio. Não há touca, se não pelo calor. Não há casacos pesados, se não pelo calor. Não há camadas de cobertores nos afogando contra o colchão, se não pelo calor.
Vamos evitar hipocrisias. A verdade é que não gostamos do frio. Gostamos é da sensação de estarmos protegidos do frio. Gostamos de encarar a geada lá fora dando gargalhada, com um copo de chocolate quente em mãos, sem sentir a verdadeira sensação que é passar frio.
E eu falo de passar frio, não de sentir frio. Um brisa gelada encostando no seu rosto não pode ser comparada à sensação de ter o corpo todo tomado por injeções anestésicas vencidas.
Se aqueles que se acobertam com papelões e escondem-se em latas de lixo fossem lembrados, dizer amar o frio seria crime de falta de empatia.
Alysson Augusto