Alysson Augusto
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Na corrida presidencial, só podemos avaliar candidatos por suas crenças e pretensões, não pelo que objetivamente farão durante o mandato. Por isso a ideia de que "político só promete" é tão corriqueira: estamos acostumados com o fato de que não cumpram o que defendem. Ainda assim, só podemos julgá-los, antes de serem eleitos, pelo que defendem — embora o histórico de suas atuações seja relevante, também.

Parece razoável, então, julgar Bolsonaro pelo que ele disse e explicitamente defendeu (e por seus anos de atuação política também, claro). Ainda assim, a corrida presidencial é uma realidade distinta de uma candidatura já validada democraticamente. A questão agora, considerando o histórico de políticos não cumprirem o que prometem, é julgar o presidente eleito menos por suas colocações do passado, e mais por suas efetivas atuações no presente.

Será que estamos dispostos a assumir a possibilidade de Bolsonaro não ser, na prática, o fascista que é no discurso? Poucos darão o braço a torcer.
Thread sobre uma das questões do ENEM 2018, denunciada pelo filósofo Francisco Razzo conforme print.

Leia a explicação ↓

https://twitter.com/alystoteles/status/1060889392099803136
"Cabe a pergunta: 'Por que as pessoas têm compaixão para com crianças de rua?' Duvido que alguém me responda: 'Porque são inteligentes, conseguem se comunicar por meio da linguagem, têm capacidade de aprender matemática e talvez tocar piano.' A resposta mais comum seria: 'Porque estão sofrendo, passando fome e sede.' Também é assim com os animais."

- Rafaella Chuahy, Manifesto pelos Direitos dos Animais, Ed. Record, pg. 28
"Responda ao tolo de acordo com a tolice dele para que ele não fique pensando que é sábio."

— Provérbios 26, versículo 5.
Excelente. Atualmente me considero liberal, e me vejo representado no movimento Livres. Assim, conforme as categorias debatidas, sou um progressista. Entretanto, sobre natureza humana e respeito às instituições democráticas, sou conservador. Infelizmente o Brasil não está apto a entender tais categorias em suas sutilezas. Poucos conseguirão acompanhar o raciocínio de Coutinho, e acredito que eu mesmo precisaria assistir ao vídeo alguns pares de vezes para captá-lo bem.

youtu.be/NCRKfS2en90
"O conflito entre a ética e a ciência pode ser bastante positivo ao incentivar a comunidade científica a investigar outros métodos de testes em laboratório. O movimento para os direitos dos animais também depende de cientistas pioneiros que não tenham medo de procurar alternativas. Afinal, elas representam a evolução da própria ciência. É mera obrigação dos cientistas estar a par de novas tecnologias assim como constantemente questionar verdades."

- R. Chuahy, Manifesto pelos Direitos dos Animais, Ed. Record, pg. 73
O YouTube liberou postagens para a comunidade de canais com menos de 10.000 inscritos!

Como fui contemplado e quero ser bastante ativo por lá, peço que votem nesta enquete.

Afinal, que tipo de conteúdo eu devo levar à comunidade?

Vote pelo link: http://youtube.com/channel/UC8F6DJHfJ7dLZWgjZ5VDrpA/community?lb=UgyrgBS6_is9x2XjfHJ4AaABCQ
Descartes nos ajuda a explicar a utilidade da filosofia.

A Filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a Metafísica, o tronco a Física, e os ramos que saem do tronco são todas as outras ciências que, se reduzem a três principais: a Medicina, a Mecânica e a Moral. (…)

Ora, como não é das raízes nem do tronco das árvores que se colhe os frutos, mas apenas das extremidades dos ramos, a principal utilidade da Filosofia depende daquelas suas partes que são aprendidas em último lugar.


— Descartes, Princípios de Filosofia, p. 22.
É um fato constatado que o primeiro Governo Lula foi o melhor governo até aqui. Conseguiu colocar as contas do país em ordem, controlou a inflação e, em especial, a confiança que os investidores externos tinham no Brasil foi inédita. O crescimento econômico fluiu com muito sucesso, ao passo em que as camadas mais pobres da população tiveram ascensão social, formando a nova classe média (aqui eu me incluo).

O que também é um fato constatado, mas que poucos petistas conseguem reconhecer, entretanto, é que o sucesso de Lula não foi devido a pautas petistas. Antes, foi devido ao NEOLIBERALISMO implantado em seu governo, somando o fato de ter dado continuidade às reformas de FHC.

O próprio petista Eduardo Suplicy tentou convencer, na época, muitos petistas de que o "imposto de renda negativo", criado pelo economista neoliberal Milton Friedman, da Escola de Chicago (aquela que tornou o Chile no maior sucesso econômico da América Latina), era uma boa medida para focalizar o combate à desigualdade de renda que acabou criando o Bolsa Família, coisa que até hoje o Marcos Lisboa (para muitos o melhor economista brasileiro) tem que defender. Muitos economistas petistas seguiram criticando a equipe econômica de Lula como se fosse uma conspiração dos EUA, o que instigou o segundo Governo Lula a abandonar sua equipe neoliberal, surfando na boa maré que ela trouxe e, mais tarde e devido à descontinuidade das reformas neoliberais, trazendo o país de volta à crise.

Mas poucos dos que querem a liberdade de Lula, hoje em dia, reconheceriam isso. Mal conseguem reconhecer que Lula tenha alguma responsabilidade num governo corrupto.

http://mercadopopular.org/2015/09/neoliberais-infiltrados/
Não vejo contradição em defender meritocracia ao mesmo tempo em que se defende medidas afirmativas. O importante é definir o que se entende por meritocracia.

O senso-comum é que meritocracia significa "se você se esforçar, você vai chegar lá." Assim, de fato não há mérito algum em entrar numa universidade pelo ProUni, pois você não se esforçou para ser pobre.

(Não assombra que quem pensa que meritocracia é isso acabe por dizer que, na verdade, "meritocracia não existe".)

Agora, se você pensa que, na verdade, meritocracia tem nada a ver com esforço, mas com o quanto alguém é capaz de executar bem uma tarefa - de modo que só tem mérito aquele que é bom no que faz, independente do esforço que teve pra chegar lá -, então as coisas ficam diferentes.

Uma medida afirmativa, como o ProUni, não é contraditória com essa meritocracia. Antes, o ProUni apenas estabelece as regras do jogo, e o mérito dos jogadores estará em atingirem os padrões necessários para que sejam selecionados e, portanto, tenham mérito. Não importa se os jogadores se esforçaram, importa somente se atingiram as notas necessárias, mostrando-se aptos pra executar a tarefa de futuramente se graduarem.

Você seria capaz de negar que essa meritocracia existe? Aliás, seu rancor com o termo seria capaz de sustentar que é melhor que essa meritocracia não exista?

Indo mais longe, acredita que processos seletivos não deveriam existir, já que não medem o esforço dos sujeitos que passarão pela seleção?

Não sei vocês mas, se ter mérito for uma questão de ser bom no que faz, entregando resultados condizentes com o que se espera do ofício estabelecido, independente do esforço e da aprovação social, então eu acredito que precisamos, sim, de meritocracia. Tanto na iniciativa privada, fazendo concorrer por vagas melhores os cérebros mais capazes, quanto em funções públicas - e em especial em funções públicas -, pois certos cargos que buscam representar a população e definir os rumos de uma nação exigem, no mínimo, que a pessoa esteja ciente do que está fazendo.
A primeira coisa que posso afirmar sobre isso é que, na verdade, eu não acredito em revoluções. Não que elas não ocorram ou que não sejam necessárias em certos contextos. Minha descrença em revoluções se dá pelo meu posicionamento reformista.

https://busy.org/@alyaugusto/eu-nao-acredito-em-revolucoes
Nociceptores: quase todos os animais sentem dor

O livro de Anamaria Feijó é uma obra que tenta dar uma base científica (biológica e fisiológica) e moral para o estabelecimento de legislações pertinentes que especifiquem o trabalho de comitês de ética na avaliação de projetos de pesquisa envolvendo animais vivos como modelos biológicos.

Basicamente a conclusão é que qualquer projeto que queira pesquisar com animais deva ter uma justificativa forte (eu diria que "muito forte", inclusive), de tal modo que a utilização de "casos marginais" (i.e., seres humanos débeis/anormais ou sem capacidade de autonomia plena) possa estar igualmente justificada.

Logo, a utilização de animais em pesquisa deve ser fundamentada numa relação de custo-benefício: os benefícios aos humanos (ou aos próprios animais) devem superar os custos (que serão arcados pelos animais) de uma forma evidente, considerando a dor dos animais de forma semelhante à dor que seres humanos sentiriam em ocasião parecida (que, aliás, é o que justifica qualquer pesquisa com animais que tente extrapolar resultados para humanos).

Qualquer legislação sobre pesquisa em animais deve ser norteada pela tentativa de extinguir os "testes fúteis" em animais, sem benefícios evidentes, o que inclui testes que podem ser feitos com modelos biológicos alternativos (sem usar animais, como tecidos, proveta, simulações de computador, etc) que são muitas vezes mais eficientes, de modo inclusive que a utilização de animais no âmbito educacional (seja no ensino fundamental e médio, seja nas graduações) deva ser abolida dada sua desnecessidade.

Na obra, os "nociceptores", que são receptores sensoriais comuns na grande maioria dos animais, indo muito além dos vertebrados — tendo como função enviar sinal causando a percepção da dor em resposta a um estímulo que possui potencial de dano —, são centrais para sua defesa da consideração moral dos animais utilizados em pesquisas científicas e mesmo no âmbito educacional.

Acredito ser uma boa recomendação para compreender um pouco melhor acerca do estado da arte da ética animal no presente século, bem como se atualizar sobre questões científicas relevantes e, igualmente, conhecer legislações importantes quanto aos animais pelo mundo.

Recomendo a obra para estudiosos e curiosos.

skoob.com.br/utilizacao-de-animais-na-investigacao-e-docencia-86278ed95309.html
Para quem deseja conhecer o trabalho do novo ministro da educação indicado por Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez, aqui está o seu currículo acadêmico. Tudo indica que é uma pessoa que adotará projetos liberais: http://lattes.cnpq.br/1381097733139496

Resta agora saber se o filósofo será um defensor da filosofia no currículo básico ou se seguirá a cartilha da relativização da importância das humanidades nas escolas. Já vi, também, críticas de que ele seria apoiador de "pseudagens", algo que se fundamenta, aparentemente, no fato de Olavo de Carvalho tê-lo indicado para o ministério.
Mais um teste político: o quão populista você é?
Meu nível de populismo é: Barack Obama.

Teste o seu pelo The Guardian: theguardian.com/world/ng-interactive/2018/nov/21/how-populist-are-you-quiz
Antonio Nipo: Alysson, só por curiosidade, que tipo de ser você considera ter direitos? Tipo, isso varia demais com a moral da sociedade, meio difícil dizer quem merece ter direitos, e mais ainda sobre direito natural se é que você acredita nisso.

Alysson: Eu sigo mais uma visão consequencialista do que jurnaturalista. Assim, direitos são apenas tentativas de assegurar boas consequências, não havendo então nada na natureza que assegure tais direitos independentemente da constituição de uma sociedade. Logo, direitos são fluidos, moldáveis, culturais. O que não é fluido, entretanto, são as capacidades sensoriais dos animais. Por determinação biológica, todo vertebrado é capaz de senciência, por exemplo. Nesse sentido os direitos devem existir e serem criados para assegurar o bem-estar daqueles que (aí sim, por natureza) são capazes de bem-estar. E os seres humanos não são os únicos. Os animais não-humanos os merecem, e se um dia tivermos inteligências artificiais sencientes, merecerão também.
Excelente aula pra entender o utilitarismo em duas versões famosas: utilitarismo de atos e utilitarismo de regras.

youtu.be/jEv123Zo5qM