Alysson Augusto
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Afinal, que tipo de conteúdo eu devo levar à comunidade?

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Descartes nos ajuda a explicar a utilidade da filosofia.

A Filosofia é como uma árvore, cujas raízes são a Metafísica, o tronco a Física, e os ramos que saem do tronco são todas as outras ciências que, se reduzem a três principais: a Medicina, a Mecânica e a Moral. (…)

Ora, como não é das raízes nem do tronco das árvores que se colhe os frutos, mas apenas das extremidades dos ramos, a principal utilidade da Filosofia depende daquelas suas partes que são aprendidas em último lugar.


— Descartes, Princípios de Filosofia, p. 22.
É um fato constatado que o primeiro Governo Lula foi o melhor governo até aqui. Conseguiu colocar as contas do país em ordem, controlou a inflação e, em especial, a confiança que os investidores externos tinham no Brasil foi inédita. O crescimento econômico fluiu com muito sucesso, ao passo em que as camadas mais pobres da população tiveram ascensão social, formando a nova classe média (aqui eu me incluo).

O que também é um fato constatado, mas que poucos petistas conseguem reconhecer, entretanto, é que o sucesso de Lula não foi devido a pautas petistas. Antes, foi devido ao NEOLIBERALISMO implantado em seu governo, somando o fato de ter dado continuidade às reformas de FHC.

O próprio petista Eduardo Suplicy tentou convencer, na época, muitos petistas de que o "imposto de renda negativo", criado pelo economista neoliberal Milton Friedman, da Escola de Chicago (aquela que tornou o Chile no maior sucesso econômico da América Latina), era uma boa medida para focalizar o combate à desigualdade de renda que acabou criando o Bolsa Família, coisa que até hoje o Marcos Lisboa (para muitos o melhor economista brasileiro) tem que defender. Muitos economistas petistas seguiram criticando a equipe econômica de Lula como se fosse uma conspiração dos EUA, o que instigou o segundo Governo Lula a abandonar sua equipe neoliberal, surfando na boa maré que ela trouxe e, mais tarde e devido à descontinuidade das reformas neoliberais, trazendo o país de volta à crise.

Mas poucos dos que querem a liberdade de Lula, hoje em dia, reconheceriam isso. Mal conseguem reconhecer que Lula tenha alguma responsabilidade num governo corrupto.

http://mercadopopular.org/2015/09/neoliberais-infiltrados/
Não vejo contradição em defender meritocracia ao mesmo tempo em que se defende medidas afirmativas. O importante é definir o que se entende por meritocracia.

O senso-comum é que meritocracia significa "se você se esforçar, você vai chegar lá." Assim, de fato não há mérito algum em entrar numa universidade pelo ProUni, pois você não se esforçou para ser pobre.

(Não assombra que quem pensa que meritocracia é isso acabe por dizer que, na verdade, "meritocracia não existe".)

Agora, se você pensa que, na verdade, meritocracia tem nada a ver com esforço, mas com o quanto alguém é capaz de executar bem uma tarefa - de modo que só tem mérito aquele que é bom no que faz, independente do esforço que teve pra chegar lá -, então as coisas ficam diferentes.

Uma medida afirmativa, como o ProUni, não é contraditória com essa meritocracia. Antes, o ProUni apenas estabelece as regras do jogo, e o mérito dos jogadores estará em atingirem os padrões necessários para que sejam selecionados e, portanto, tenham mérito. Não importa se os jogadores se esforçaram, importa somente se atingiram as notas necessárias, mostrando-se aptos pra executar a tarefa de futuramente se graduarem.

Você seria capaz de negar que essa meritocracia existe? Aliás, seu rancor com o termo seria capaz de sustentar que é melhor que essa meritocracia não exista?

Indo mais longe, acredita que processos seletivos não deveriam existir, já que não medem o esforço dos sujeitos que passarão pela seleção?

Não sei vocês mas, se ter mérito for uma questão de ser bom no que faz, entregando resultados condizentes com o que se espera do ofício estabelecido, independente do esforço e da aprovação social, então eu acredito que precisamos, sim, de meritocracia. Tanto na iniciativa privada, fazendo concorrer por vagas melhores os cérebros mais capazes, quanto em funções públicas - e em especial em funções públicas -, pois certos cargos que buscam representar a população e definir os rumos de uma nação exigem, no mínimo, que a pessoa esteja ciente do que está fazendo.
A primeira coisa que posso afirmar sobre isso é que, na verdade, eu não acredito em revoluções. Não que elas não ocorram ou que não sejam necessárias em certos contextos. Minha descrença em revoluções se dá pelo meu posicionamento reformista.

https://busy.org/@alyaugusto/eu-nao-acredito-em-revolucoes
Nociceptores: quase todos os animais sentem dor

O livro de Anamaria Feijó é uma obra que tenta dar uma base científica (biológica e fisiológica) e moral para o estabelecimento de legislações pertinentes que especifiquem o trabalho de comitês de ética na avaliação de projetos de pesquisa envolvendo animais vivos como modelos biológicos.

Basicamente a conclusão é que qualquer projeto que queira pesquisar com animais deva ter uma justificativa forte (eu diria que "muito forte", inclusive), de tal modo que a utilização de "casos marginais" (i.e., seres humanos débeis/anormais ou sem capacidade de autonomia plena) possa estar igualmente justificada.

Logo, a utilização de animais em pesquisa deve ser fundamentada numa relação de custo-benefício: os benefícios aos humanos (ou aos próprios animais) devem superar os custos (que serão arcados pelos animais) de uma forma evidente, considerando a dor dos animais de forma semelhante à dor que seres humanos sentiriam em ocasião parecida (que, aliás, é o que justifica qualquer pesquisa com animais que tente extrapolar resultados para humanos).

Qualquer legislação sobre pesquisa em animais deve ser norteada pela tentativa de extinguir os "testes fúteis" em animais, sem benefícios evidentes, o que inclui testes que podem ser feitos com modelos biológicos alternativos (sem usar animais, como tecidos, proveta, simulações de computador, etc) que são muitas vezes mais eficientes, de modo inclusive que a utilização de animais no âmbito educacional (seja no ensino fundamental e médio, seja nas graduações) deva ser abolida dada sua desnecessidade.

Na obra, os "nociceptores", que são receptores sensoriais comuns na grande maioria dos animais, indo muito além dos vertebrados — tendo como função enviar sinal causando a percepção da dor em resposta a um estímulo que possui potencial de dano —, são centrais para sua defesa da consideração moral dos animais utilizados em pesquisas científicas e mesmo no âmbito educacional.

Acredito ser uma boa recomendação para compreender um pouco melhor acerca do estado da arte da ética animal no presente século, bem como se atualizar sobre questões científicas relevantes e, igualmente, conhecer legislações importantes quanto aos animais pelo mundo.

Recomendo a obra para estudiosos e curiosos.

skoob.com.br/utilizacao-de-animais-na-investigacao-e-docencia-86278ed95309.html
Para quem deseja conhecer o trabalho do novo ministro da educação indicado por Bolsonaro, Ricardo Vélez Rodríguez, aqui está o seu currículo acadêmico. Tudo indica que é uma pessoa que adotará projetos liberais: http://lattes.cnpq.br/1381097733139496

Resta agora saber se o filósofo será um defensor da filosofia no currículo básico ou se seguirá a cartilha da relativização da importância das humanidades nas escolas. Já vi, também, críticas de que ele seria apoiador de "pseudagens", algo que se fundamenta, aparentemente, no fato de Olavo de Carvalho tê-lo indicado para o ministério.
Mais um teste político: o quão populista você é?
Meu nível de populismo é: Barack Obama.

Teste o seu pelo The Guardian: theguardian.com/world/ng-interactive/2018/nov/21/how-populist-are-you-quiz
Antonio Nipo: Alysson, só por curiosidade, que tipo de ser você considera ter direitos? Tipo, isso varia demais com a moral da sociedade, meio difícil dizer quem merece ter direitos, e mais ainda sobre direito natural se é que você acredita nisso.

Alysson: Eu sigo mais uma visão consequencialista do que jurnaturalista. Assim, direitos são apenas tentativas de assegurar boas consequências, não havendo então nada na natureza que assegure tais direitos independentemente da constituição de uma sociedade. Logo, direitos são fluidos, moldáveis, culturais. O que não é fluido, entretanto, são as capacidades sensoriais dos animais. Por determinação biológica, todo vertebrado é capaz de senciência, por exemplo. Nesse sentido os direitos devem existir e serem criados para assegurar o bem-estar daqueles que (aí sim, por natureza) são capazes de bem-estar. E os seres humanos não são os únicos. Os animais não-humanos os merecem, e se um dia tivermos inteligências artificiais sencientes, merecerão também.
Excelente aula pra entender o utilitarismo em duas versões famosas: utilitarismo de atos e utilitarismo de regras.

youtu.be/jEv123Zo5qM
Faz tempo me posiciono pela ideia de que pardo não é negro. Eu me identifico como pardo, e sempre que alguém diz que pardo é negro eu pergunto pra pessoa se ela estaria disposta e me chamar de negro, uma vez que claramente não sou. Ser negro virou questão política, não mais mera questão de etnia ou cor da pele. Só vou deixar de martelar isso quando o IBGE parar de englobar pardos e pretos como negros, como se mestiços, mamelucos e mesmo filhos de indígenas com asiáticos fossem todos igualmente negros.

https://youtu.be/0QMeLYLBsJA
Ambições filosóficas pra popularização da filosofia em tempos digitais:

— Podcast semanal de filosofia
— Site comunitário BR ao estilo Aeon, Quillete e Areo
— Site BR de notícias sobre filosofia ao estilo Philosophy News
— Site pessoal pra dar uma de blogueirinha e ter um portfólio
— Canal de vídeos comunitário ao estilo BláBláLogia
— "TEDx Filosófico" rodando pelas universidades do Brasil com palestras foda e curtas de filosofia
— App de geolocalização de eventos filosóficos pelo Brasil
— "Treta News" filosófico pra fazer o debate de ideias complexas ser atraente no mundo da fofoca
— Revista "Tititi" de filosofia, onde a vida pessoal de filósofos será espalhada tal como de subcelebridades
— "Porta dos Fundos" filosófico (e o próprio Porta sabe como fazer isso, vide os vídeos "PERDIDO" e "FILOSOFIA NOS DIAS DE HOJE")
— E muito mais (cansei de imaginar doidera)

O Filosofismo Cultural precisa de você!
Este é definitivamente o melhor resumo de ideias filosóficas com suas respectivas concordâncias e discordâncias que eu já vi.

As pessoas que fizeram isso tiveram um trabalho braçal de se admirar.

www.denizcemonduygu.com/philo/browse/
Acompanho diariamente o que youtubers políticos andam postando em seus canais, e estou percebendo uma ascensão da tática de entrar em treta por parte de 'influencers' de esquerda. Inclusive tem filósofo que antes parecia jogado ao limbo batendo 100 mil inscritos apenas por voltar a se envolver em política. Vi canais de esquerda surgirem do nada e crescerem mesmo com apresentadores pedantes, que falam por meia hora e sem nada de edição nos vídeos. Aparentemente a esquerda parou de ridicularizar o discurso da batalha cultural iniciada por Gramsci que Olavo tanto martelou, e começou agora a, de fato, entrar no jogo. E tão entrando com tudo. Veja um vídeo de youtuber de esquerda falando sobre qualquer coisa e verá mais 20 youtubers também de esquerda nos comentários os apoiando e denunciando opositores. É algo que se via mais comumente em canais de direita, mas parece que as coisas ficaram mais interessantes agora.
O cão morto no Carrefour só causa revolta porque cães nos são familiares, nutrimos afeto por eles durante uma vida toda, e fomos aculturados com a noção de que "o cão é o melhor amigo do homem".

Mesmo reconhecendo essa simbiose entre nós e os cães, ainda assim o que geralmente conta para nossa sensação de "dever de protegê-los" é o valor que retiramos de relações entre espécies distintas que, sem auxílio de instrumental racional, conseguem fazer brotar Virtudes humanas a partir de uma relação passional, onde empatia, carinho e afeto nutrido ao longo de uma vida tornam-se expressivos.

Assim sendo, quando vemos um cão sofrer, especialmente por mãos humanas, somos confrontados com os valores tão caros à nossa mentalidade ocidental, e a incoerência da realidade joga na nossa cara que, se o cão é nosso melhor amigo, ainda assim não conseguimos retribuir o respeito que eles nutrem por nós. A ferida da moralidade comum é aberta e fica exposta, exigindo alguma remediação, seja demitindo o funcionário que espancou o cachorro, seja rolando a linha do tempo pra não ver mais a faceta da crueldade humana que ronda entre nós.

O segurança foi cruel, de fato. Ainda assim, basta trocarmos o personagem "cão" por ratos, baratas ou quaisquer tipos de animais que por qualquer motivo sejam interpretados como indesejáveis (como o cão de fato foi visto na ocasião, pois se espera de grandes estabelecimentos uma higienização onde cães de rua não são nunca bem-vindos) e, pronto, espancamento e morte tornam-se socialmente toleráveis.

As pessoas estão certas quando reclamam da injustiça praticada por humanos contra cães. A questão é até que ponto nos preocupamos mesmo com a injustiça, e não com o fato de que estamos sendo obrigados a confrontar valores antagônicos entre barbárie e civilização, onde nos prostramos a ser bastiões da defesa daqueles que não podem se defender, porém apenas até a página dois, desmerecendo que o mesmo acontece de forma muito mais generalizada, o tempo todo e mesmo por culpa direta nossa, com outras espécies que esquecemos de considerar.

O cão não existe mais, trata-se de um cadáver, uma vida que não terá mais experiências para viver. Que a justiça seja feita, e que possamos reconhecer que a verdadeira justiça está menos em remediar situações e mais em evitar que aconteçam. Expandir nosso círculo moral para contemplar outros animais que não apenas "pets" é o passo que o processo civilizacional exige que devamos dar. Assim não apenas seremos mais justos, como também mais coerentes.
Pessoal, tô upando vídeo novo e minha internet não tá ajudando. Vocês preferem que eu poste assim que o vídeo subir, nem que seja lá pela meia noite (ou madrugada), ou preferem que eu programe o vídeo pelas 11h de amanhã?
public poll

Melhor postar amanhã cedo... – 7
👍👍👍👍👍👍👍 64%
@AdautoNz, @allannelle, @alyssonaugusto, @Marinheiropopeye, @Meuririn, @casberp, Matheus

Posta meia-noite mesmo! – 4
👍👍👍👍 36%
@VinnyCosta89, @Mochileiro42, @CelticEmpress, Davi

👥 11 people voted so far.
O advogado fez errado em ofender um ministro do STF gratuitamente, apenas pra incomodá-lo. Mas o ministro fez ainda mais errado ao solicitar a prisão do advogado, pois isso feriu o Princípio da Proporcionalidade. Dois errados não fazem um certo. Existindo a liberdade de expressão primordialmente para combater abusos do Estado, o ministro é o grande culpado da história. Entretanto, o advogado feriu a razoabilidade necessária para abordar o ministro, que era apenas mais um sujeito no mesmo avião. Se ambos os lados fossem moderados, a situação não ocorreria, e não estaríamos vendo tantas pessoas desmoralizarem o STF (o que, por tabela, é uma desmoralização do Estado de Direito) enquanto tantas outras o defendem apenas por corporativismo (o que precisa ser denunciado pois imoral). O ministro e seus apoiadores precisam reconhecer o excesso, bem como o advogado que ofendeu gratuitamente precisa admitir que não foi razoável.
Você deixa um vídeo upando no YouTube a madrugada toda.
No outro dia, você acorda e vai ver se deu tudo certinho.
Você descobre que o vídeo foi cortado ao meio do nada e não é possível reverter.
Você tenta novo upload de 6 horas.
O vídeo está duplicado e sai do ar sem possibilidade de recurso.

Foda isso.

A pior parte é que é um vídeo que exige timing, e quanto mais demora, menos impacto ele tem. Problema técnico é foda, internet ruim é pior ainda. Que uma plataforma multinacional não forneça ferramentas pro criador de conteúdo superar a situação sem ter de reiniciá-la, então, é só desgosto.