Alysson Augusto
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O poder da propaganda política me parece inegável. Ainda que a conjuntura seja suficiente para determinar votos de pessoas razoáveis (como, por ex., perceber que o maior problema é segurança pública), o grande motor para fazer uma campanha política de sucesso é, me parece, o discurso utilizado para convencer as pessoas de que existem intenções maléficas por trás dos problemas que enfrentamos.

Em outras palavras, entre dizer que:

1) o problema de segurança pública é um problema sistêmico, difícil de resolver por envolver tantas variáveis, de modo que são apenas pessoas comuns agindo por incentivos que lhes levam ao crime, do mais banal ao cúmulo, do rent-seeking ao fomento de milícias.

E dizer que:

2) tudo isso de ruim que tá aí é culpa da mão do Soros, do PT, dos globalistas, do Foro de SP, da maldade dos especuladores e dos interesses anti-pobre do capital financeiro, etc...

É mais potente o discurso número 2.

A criação de inimigos imaginários vira arma política, mais por retórica do que por fato comprovado. Tem apelo maior, pois nos faz acreditar que não fazemos parte do problema, que estamos do lado da solução, que somos vítimas injustiçadas.

Obviamente existem aqueles que, como muitos de nós, acreditamos mais no discurso 1. Mas pensar que o 2 não tem um apelo maior me parece ingênuo.

Joseph Goebbels, João Santana e Steve Bannon não são pessoas maléficas, mas também não são qualquer Madre Teresa. São pessoas comuns que entendem de comportamento de massas, reconhecem como nosso psicológico primitivo opera e tentam extrair benefícios a partir disso com suas propagandas políticas mentirosas marteladas mil vezes até se tornarem verdade.

Se tem um fator realmente malefício nisso tudo é o simples fato humano de que somos sugestionáveis e adoramos uma boa história para confirmar nossas predisposições tribais. Não é que existam seres excepcionais nos conduzindo maquiavelicamente, é apenas que, como diz o meme, somos "gado D+".
"Bolsonaro vai a Davos em busca de investimentos sem viés ideológico."

Se bozo lesse Adam Smith saberia que a essência do comércio é o desprendimento com qualquer viés ideológico. O único viés dos negócios é o autointeresse. Aliás, isso se estende inclusive na política. É como o Nobel em economia e reconhecido esquerdista, Joseph Stiglitz, falava sobre rent-seeking: o importante é descobrir meios dentro da legalidade para aumentar o próprio patrimônio, ainda que seja imoral ou possa vir a ser criminoso. O também Nobel em economia Milton Friedman, influência acadêmica do próprio Paulo Guedes, também já alertava que viés ideológico é secundário no mundo do comércio, e seu vídeo famoso sobre as origens de um simples lápis comprovam que as pessoas podem mesmo se odiar, que ainda assim estarão trocando bens e serviços. A teoria da Escolha Pública é a melhor explicação para o fato econômico do autointeresse, antes de qualquer viés ideológico, dominar não apenas empresários como também políticos. E as denúncias de corrupção de baixo clero na família Bolsonaro apenas atestam isso, da mesma forma que as denúncias de corrupção de Lula e Dilma também atestaram. Nesse sentido, o discurso ideológico anti-ideológico é apenas um meio de atingir seus objetivos pessoais, pois tem gado caindo nessa.
Pare e pense: em qual grupo de países abaixo você gostaria de trabalhar?

1) Estados Unidos, Canadá, Austrália, Cingapura, Hong Kong (China), Maldivas, Ilhas Marshall.

2) Bolívia, Venezuela, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Congo e República Centro-Africana.

Se você é uma pessoa autointeressada, vai preferir viver em qualquer dos países do grupo 1 em detrimento do 2. Ora, você quer ter boas condições de emprego, poder ascender socialmente e viver em paz com seu bolso e estômago cheios.

Ainda assim, são os países do Grupo 2 que mais protegem seus trabalhadores. A Venezuela proíbe demissão de quem ganha até um salário mínimo e meio, e o dono de uma fábrica em Guiné Equatorial tem de pagar anos de salário a funcionários demitidos. As leis nesse grupo de países são rígidas em defesa dos trabalhadores.

Mas por que são as nações do grupo 1 que costumam receber imigrantes buscando trabalho, enquanto as nações do grupo 2 costumam exportar trabalhadores? As leis protegendo o proletariado não estão sendo aplicadas?

Para muitos é contra-intuitivo, mas pra maioria dos economistas é bem simples: leis trabalhistas rígidas mais prejudicam do que ajudam trabalhadores. Os países do primeiro grupo têm as legislações trabalhistas mais flexíveis do mundo, enquanto os do segundo grupo têm as mais rígidas.

Agora você entende do que fala um liberal quando aponta que de boas intenções o inferno está cheio?

Prefira a liberdade, e não o paternalismo.
Pessoal, dia 29, próxima terça, vamos discutir os 3 primeiros capítulos do livro "O Maior Bem Que Se Pode Fazer" do filósofo australiano Peter Singer.

A ideia é pensar o @AltruismoEficaz, corrente de ética prática inaugurada por Peter Singer e que está movimento bilhões de dólares pela caridade ao redor do mundo.

Claro, existem das mais variadas formas de ser um altruísta eficaz sem precisar tirar dinheiro do seu bolso, e isso tudo será abordado no encontro.

Espero que tenham interesse, nos vemos lá!

Link para participar do evento no Facebook: facebook.com/events/385136342219987/

Link para participar no MeetUp: meetup.com/pt-BR/Altruismo-Eficaz-em-PoA/events/257741567/
Meu HD pifou e preciso de toda ajuda possível. Explico melhor no vídeo, espero que compreendam!

youtu.be/_NCcAqPPZH0
Fala pessoal, convido todos a baterem um papo comigo e outros entusiastas do @AltruismoEficaz. Será na Cidade Baixa às 19h! Mais informações no link do evento abaixo:

facebook.com/events/385136342219987/
Pode à primeira vista parecer horrendo, mas privatizar a Amazônia, os oceanos, todos os museus, escolas e serviços culturalmente entendidos como públicos pode ter resultados muito bons pra todo mundo, inclusive pro próprio Estado - cujo papel primordial seria o da regulamentação e garantia do Império da Lei, recolhendo impostos de onde antes não recolhia. Quando a gente aprende na faculdade que "Centro Acadêmico de TodXs" é, na prática, Centro Acadêmico de ninguém (tudo fica pixado, ninguém lava a louça nem varre o chão, etc), a gente tem que começar a se perguntar se isso também não é o que rola na vida em sociedade, onde tudo que for público acaba, na ausência de um proprietário delimitado, sofrendo com a indiferença de todos que utilizam do espaço. Se você não tem a quem responsabilizar pelo problema, que incentivo existirá pra cuidar do grêmio estudantil, da escola sucateada, da floresta desmatada, do mar sem peixes? A gente precisa falar mais sobre Tragédia dos Comuns e menos sobre boas intenções. O mundo é muito mais politicamente Incorreto do que os intelectuais e os ativistas empoderados gostariam que fosse.
"Pela soberania do povo brasileiro, o Brasil precisa ser industrializado!"

Pra pessoas que pensam assim, o Brasil deve atuar numa gama de atividades cada vez mais amplas, não sendo apenas uma potência na questão da agricultura, alimentando povos de todo o mundo. É preciso ser uma potência na tecnologia, nos bens e serviços, de modo a inclusive se tornar "autossuficiente", sem depender das relações comerciais a nível internacional.

O que essas pessoas não contam (ou não sabem reconhecer) é algo que vem lá de David Ricardo, um dos nomes clássicos da economia. Trata-se do Princípio da Vantagem Comparativa, que basicamente diz que tanto pessoas quanto países naturalmente escolhem investir seus esforços em atividades com o menor custo de oportunidade.

Em outras palavras, se você se muda para uma cidade e precisa de uma casa, de comida e de bens e serviços, é mais vantajoso, pra você mesmo, investir seu tempo e esforço fazendo aquilo que, dentro do seu campo de possibilidades, te dará o melhor retorno financeiro para que, assim, você possa contratar pessoas que te darão o que você quer/precisa. Isso também vem da economia clássica, e se chama "divisão do trabalho" (para Adam Smith, considerado pai da economia, esse é o principal motivo da riqueza das nações). Assim, para que você tenha sucesso e tenha prosperidade, você precisa se especializar e fornecer a maior produtividade possível para colher os melhores frutos possíveis. O mesmo acontece com as nações.

Ou seja, em termos de vantagem comparativa, não é vantajoso, para o Brasil, "reinventar a roda", tentando disputar no mercado global de smartphones ou peças para espaçonaves. Para o Brasil, é melhor disputar a hegemonia da exportação de produtos alimentares, algo em que somos bons. Em troca de nossa comida, o Japão nos manda sua tecnologia, a França nos manda seu Vinho, e a Inglaterra nos manda suas ferramentas. Assim como você, enquanto indivíduo, pode usar do bom e do melhor produzindo localmente em sua cidade apenas com a divisão do trabalho... O Brasil, enquanto nação, pode ter do bom e do melhor apenas se especializando no que é bom fazendo.

Se o Chile (país mais rico da América Latina), o Canadá e a Austrália conseguem viver da exportação de matérias primas e importação de produtos industrializados (e vão muito bem, obrigado), por que o Brasil deveria ignorar a vantagem comparativa para arriscar dinheiro e esforços em projetos potencialmente fracassados e que não trarão lucro diante da concorrência global? Não é mais inteligente abrir as fronteiras e permitir o livre comércio, ao invés de defender o protecionismo local em nome de uma suposta "soberania nacional"?

É pra se pensar.
Uma pesquisa encomendada pelo MEC concluiu que 55,8% da população é favorável a incluir a discussão sobre gênero e sexualidade nas escolas, e 62,6% não sabe explicar o que é ideologia de gênero. Bora falar sobre isso.

Assista no YouTube:
https://youtu.be/5gdkxBBp1O4

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🔴 Hangout hoje as 20:30 no *Além da Nuvem*
Convidado: Alysson Augusto da página de Facebook *Eu defendo a liberdade de expressão MAS*

Falaremos sobre a Censura corporativista e sobre a hipocrisia daqueles que dizem defender a liberdade de expressão, "mas..."

http://youtu.be/4ax6mtkiyTo
Se você perguntar pra alguém qual a diferença entre ética e moral, é bem capaz de essa pessoa dizer que ética é universal e objetiva, e que moral é relativa e subjetiva. A questão é... Será mesmo?

Assista no YouTube:
https://youtu.be/vhm5ursdbrE

Link para a live com Tiago Carneiro:
https://youtu.be/MW6dM8zWclc

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Estou ajudando a organizar um grupo de discussões filosóficas no Discord (um aplicativo criado para gamers, mas no qual você pode interagir por diferentes canais de texto e mesmo por voz em tempo real) e tô achando bem bacana. Quem tiver interesse em dar um pé lá e interagir comigo e com os outros integrantes (cerca de 100 até o momento) pode clicar no link abaixo. A ideia é falar sobre filosofia, das noções mais básicas às suas diferentes especializações. Fico à disposição.

Link para participar https://discord.gg/dqzVxvN
Caso a proposta de ‘homeschooling’ vire lei, uma das medidas que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos estuda pra viabilizar a fiscalização do ensino em casa é a cobrança de uma taxa dos pais. Faz sentido?

Assista no YouTube: https://youtu.be/XssgRHX1CkQ
Trecho do livro "All Animals Are Equal", de Peter Singer, fornecendo as bases para a noção de que o utilitarismo é o mínimo ético. https://t.co/pRACHoRwPR