Alysson Augusto
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Precisamos de mais direitos a animais e não mais penas em favor de cães e gatos agora.
O principal nome da Teoria da Evolução, Charles Darwin, revolucionou a história da humanidade por, justamente, aproximar o ser humano dos outros animais. No seguinte trecho, Gary Francione explica a importância de Darwin na defesa dos animais não-humanos:

"É empiricamente difícil negar que os animais possuem muitas das características mentais que temos considerado exclusivas aos humanos. De fato, a proposição de que os humanos têm características mentais totalmente ausentes nos animais demonstra uma confusão sobre a teoria da evolução, que, embora contestada por alguns extremistas religiosos, geralmente é aceita pela maioria das pessoas educadas em todo o mundo.

Charles Darwin deixou claro que não existem características unicamente humanas, quando escreveu que 'a diferença entre a capacidade mental do homem e a dos animais superiores, por grande que seja, é certamente uma diferença de grau e não de tipo.'

Darwin não tinha dúvida de que os cachorros, gatos, animais de fazenda e outros são capazes de pensar e têm muitas das mesmas reações emocionais que os humanos têm: 'os sentidos e as intuições, as diferentes emoções e faculdades, tais como o amor, a memória, a atenção, a curiosidade, a imitação, a razão etc., dos quais o homem se gaba, podem ser encontrados em estado incipiente, ou às vezes até bem desenvolvido, nos animais inferiores.'

Darwin afirmou que os animais fêmeas exibiam afeição maternal e observou que 'os animais que se tornam companheiros têm um sentimento de amor uns pelos outros' e que 'muitos animais [...] certamente se compadecem dos outros que estejam angustiados ou em perigo.'

Quaisquer diferenças entre os humanos e os animais, Darwin afirmava, são diferenças de grau, ou diferenças quantitativas, e não diferenças de tipo, ou diferenças qualitativas. Em resumo, os humanos não têm nenhuma característica exclusivamente humana que possa justificar um tratamento diferencial baseado apenas na espécie."

Gary Francione, Introdução aos Direitos Animais: seu filho ou o cachorro? 2015, Ed. Unicamp, Trad. Regina Rheda, p. 200-201.
Para filósofos como Immanuel Kant, a forma cruel com que tratamos os animais deturpa o que há de melhor na espécie humana, como a compaixão e a bondade. Leia o que disse o pensador iluminista:


"[O] homem precisa exercitar sua compaixão com os animais, pois aquele que se comporta cruelmente com eles também possui um coração insensível [endurecido] para com seus congêneres. Pode-se, pois, conhecer o coração humano a partir de sua relação com os animais. [...] Quanto mais nos ocupamos de observar aos animais e sua conduta, mais os amamos, pois teremos a oportunidade de ver como cuidam de suas crias; desta forma, nem sequer seremos capazes de manter pensamentos cruéis acerca do lobo."


Immanuel Kant, em "Lecciones de Ética", 2° ed., Barcelona: Crítica, 2008c. Tradução de Gabriel Garmendia de Trindade.
Vou tentar uma nova estratégia conciliando produção de conteúdo com meus deveres acadêmicos: a partir de hoje, entre 21h e 22h, vou fazer transmissões ao vivo diárias, no meu canal no YouTube, lendo meus livros pendentes. Quem quiser acompanhar minhas leituras, já sabe onde e quando me encontrar.
A sugestão de que levar os interesses dos animais a sério requer que nos tornemos vegetarianos pode parecer radical. Mas, como observou o filósofo James Rachels,

"[...] o oposto é verdadeiro: a norma contra causar dor desnecessária é a menos excêntrica dentre todos os princípios morais, e essa norma leva direto à conclusão de que deveríamos abandonar a produção de carne e adotar dietas alternativas. Considerando por esse ângulo, o vegetarianismo pode ser visto como uma postura moral severamente conservadora."

James Rachels, Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism. Oxford, Oxford University Press, 1990, p. 212.
Está escolhida a próxima leitura comentada no meu canal no YouTube. Para acompanhar, acesse diariamente YouTube.com/AlyssonAugusto e estude comigo sobre a ideologia do #carnismo, de que fala Melanie Joy, autora do livro "Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas: uma introdução ao carnismo". Te espero lá!
Em pleno século 21, muitas pessoas ainda acreditam que apenas seres humanos são capazes de agir moralmente. Porém, são inúmeras as evidências de que animais de outras espécies são seres complexos e fundamentalmente semelhantes aos seres humanos — mesmo no sentido moral. Como alerta Frans de Waal, renomado etologista:

"[...] podem-se rastrear a honestidade, o sentimento de culpa e a ponderação de dilemas éticos até áreas específicas do cérebro. Portanto, encontrar paralelos animais não deveria nos surpreender. O cérebro humano é um produto da evolução. Apesar de ser mais volumoso e mais complexo, é fundamentalmente semelhante ao sistema nervoso central dos outros mamíferos."

Frans de Waal, Good Natured: The Origins of Right and Wrong in Humans and Other Animals. Cambridge, Harvard University Press, 1996, p. 218. Trad. Regina Rheda.

Confira também a palestra intitulada "Comportamento moral em animais", de Frans de Waal, disponível como TED Talk.
Vegano Periférico é um documentário que aborda o veganismo a partir da perspectiva de Leonardo e Eduardo, dois irmãos ativistas da periferia de Campinas/SP. Vem comigo entender, filosoficamente, o que esse documentário está defendendo.

https://youtu.be/CtlYUAw4UTE
Ao vivo no canal ATEUINFORMA (do Pedro Ivo Souza de Alcântara) falando sobre veganismo, utilitarismo e outras coisas mais.

https://youtu.be/YCu5OhH1YSI