Alysson Augusto
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"Não apoiar ninguém agora, não é o mesmo que apoiar Bolsonaro? Ser isentão não seria o mesmo que estar ao lado de quem tá ganhando?"

São coisas diferentes. Embora seja possível que a consequência de votar nulo/branco seja positiva para quem tá ganhando, o voto nulo/branco em si mesmo não reflete apoio algum a ninguém. Não culpe quem preferiu se isentar pela eleição de Bolsonaro. Culpe aqueles que votaram nele e aqueles que, contrários a ele, não conseguiram converter mais votos para suas causas. Haddad não ganhará apoio com você acusando os outros de isentões.

Aliás, que mundo merda este onde você ser contrário a modelar-se conforme a conjuntura te torna cúmplice da tragédia anunciada. Os dois lados estão atacando os isentos como se fossem coniventes com a possibilidade de qualquer dos candidatos vencer. Ser isento não é lavar as mãos, mas 1) não acreditar que seu voto individual fará diferença e, 2) acima de tudo, posicionar-se pela rejeição às opções disponíveis, sinalizando a carência por opções melhores, incentivando assim que a concorrência no mercado das ideias se amplie para que tais isentos sejam verdadeiramente representados.
Um conflito moral que tenho enfrentado ultimamente é sobre o consumo de livros pirateados. Por um lado, a violação de direitos autorais ao reproduzir uma obra em meio digital sem autorização de seus criadores/detentores reforça um desincentivo à produção de obras como essa. Por outro, o acesso facilitado à obra favorece a qualidade do conteúdo de quem está pesquisando sobre o assunto tratado para escrever papers, monografias, dissertações, teses e por aí vai. As coisas ficam ainda mais interessantes quando seu campo de estudo é a Ética. Afinal, estaria eu sendo ético ao basear meus estudos em conteúdo pirateado? Por quê?

Uma coisa que me faz ficar com a consciência relativamente tranquila quanto ao conteúdo pirata é este documentário. Super recomendo.

https://papodehomem.com.br/voce-nao-e-criativo/
Tem gente dizendo que eu deveria fazer campanha pelo Haddad só pra provar que eu tava certo neste vídeo. Gente, muita coisa aconteceu depois deste post que deu a Bolsonaro um apoio maior que o esperado. Não vou fazer campanha contra ele apenas pra dizer que eu tava certo. Motivos para não votar no Bolsonaro não significam motivos para votar no Haddad. É cada uma...

eusoulivres.org/textos/por-que-bolsonaro-nao-sera-presidente-por-alysson-augusto/
Forwarded from Altruísmo Eficaz Brasil via @like
De todos os problemas que a Humanidade enfrenta, em quais nos devemos concentrar para resolver primeiro? Numa palestra convincente sobre como tornar o mundo melhor, o filósofo moral Will MacAskill apresenta um enquadramento para responder a essa questão com base na filosofia do "altruísmo eficaz" — e partilha ideias para enfrentar três questões globais prementes.

ted.com/talks/will_macaskill_how_can_we_do_the_most_good_for_the_world?language=pt
Com as quatro últimas eleições presidenciais tendo sido vencidas à base de acusar o opositor político como um inimigo dos pobres e oprimidos a ser combatido pelas forças do bem, não é de se surpreender que os atuais adeptos do petismo só saibam buscar convencer a grande massa com o discurso do medo. A questão para os cientistas políticos e sociais é descobrir em que ponto exatamente esse jogo virou, em que ponto o discurso do medo, de que o opositor irá estabelecer o fascismo caso eleito, ou entregar os bens públicos aos grandes interesses do capital financeiro, passaram a ser discursos vazios, que não convencem ninguém, embora alimentem a movimentação dos já convertidos. Não só isso: é preciso entender também o quanto a mesma tática tem favorecido uma visão negativa sobre o próprio petismo, que se espalha como uma visão negativa sobre a esquerda em geral, onde ser de esquerda torna-se ser no mínimo conivente com o petismo, diante da ameaça Bolsonaro. A única coisa certa até aqui, me parece, é o quanto o uso frequente da tática política que desumaniza a oposição, embora possa ser constantemente renovada, é uma tática que cansa o eleitorado, que põe em descrédito aquele que a utiliza. Se o PT não renovou a tática ou não adotou táticas melhores até agora, é de se esperar que atualize sua militância após a derrota que, me parece evidente, sofrerá nas urnas. Se a tática da imposição do medo ainda persistir, bem... Que 2022 seja majoritariamente cômico, porque de tragédia 2018 já saturou há tempos.
Muitas pessoas me disseram conhecer, seja direta ou indiretamente, a jovem gaúcha que denunciou ter sido esfaqueada por nazistas em pleno bairro famoso e repleto de câmeras da cidade de Porto Alegre. Todas essas pessoas tentaram me garantir que o relato era verdadeiro, e bastava conhecer a vítima para acreditar nela.

Acontece que a perícia investigou o caso e, até o momento, nada tem sido favorável ao discurso da denunciante e suposta vítima.

Me soa muito razoável que uma pessoa que faça uma séria denúncia envolvendo a violação de seu corpo torne-se, ela mesma, criminosa diante da prova de que ela mentiu — seja lá por quais motivos forem.

Não porque eu quero ver ela se danar, mas porque instituições democráticas sólidas precisam trabalhar com base em incentivos, e ter em mente a chance de você se dar mal com uma denúncia falsa certamente tende a diminuir os casos de denúncias do tipo.

Ora, seria muito atraente para militância de qualquer tipo mutilar o próprio corpo e culpar como criminosa a sua oposição, diante da falta de mecanismos punitivos para no mínimo fazer com que ela repense suas estratégias políticas.

"Mas, Alysson, se a vítima tem chances de virar criminosa quando faz uma denúncia, basta uma falha da perícia para tornar passível de crime alguém que não o cometeu!"

Paciência. Não é por que a justiça é imperfeita que devemos deixar as porteiras abertas para fazer de sua imperfeição uma oportunidade perfeita.

Além disso, esse tipo de incentivo não apenas coíbe denúncias falsas. Antes, economiza recursos públicos, uma vez que o processo de investigação, demorado que é, envolve a disposição de horas de trabalho e pagamento de salários de policiais, advogados, médicos legistas, equipe de imprensa e outros detalhes custosos que poderiam estar sendo direcionados para denúncias reais e verdadeiramente importantes.

Lembram daquela fábula infantil, sobre o menino e o lobo? Talvez seja preciso lembrá-la: o menino tinha o dever de cuidar das ovelhas, e alertar o povoado caso aparecesse um lobo. O menino, entediado, mentiu algumas vezes ao povoado que tinha visto um lobo. O povoado cansou das mentiras, e parou de acreditar no menino. Quando o lobo de fato apareceu, ninguém acreditou no menino e as ovelhas foram devoradas.

Se casos reais de nazistas esfaqueando jovens estiverem de fato rolando por aí, saibam que mentiras e falsas denúncias são oportunidades perfeitas para que ninguém mais leve esses casos a sério.

Os lobos agradecem.
Aceitar a eleição de Bolsonaro é aceitar a democracia (da qual nunca fui grande fã, se é que me entendem). E aos bons democratas caberá endossar medidas positivas de seu governo, e fiscalizar e denunciar as medidas negativas, sempre a partir de critérios objetivos (comecemos descartando argumentos do tipo "ah mas ele é malvado então só pode vir coisa ruim de seu governo"). Qualquer oposição que se propuser a ser "oposição pela oposição" (o que alguns mais ideológicos chamam de "resistência"), seguindo o discurso de "Nós X Eles", não estará respeitando a democracia, mas sim buscando, em nome dela, subvertê-la. A prova da maturidade democrática de qualquer pessoa ou partido é aceitar um resultado contrário ao desejado, e, como já diria Popper, será pela transição pacífica e diplomática de um governo a outro que nossa democracia dará provas de ter a força que queremos que ela tenha.
Na corrida presidencial, só podemos avaliar candidatos por suas crenças e pretensões, não pelo que objetivamente farão durante o mandato. Por isso a ideia de que "político só promete" é tão corriqueira: estamos acostumados com o fato de que não cumpram o que defendem. Ainda assim, só podemos julgá-los, antes de serem eleitos, pelo que defendem — embora o histórico de suas atuações seja relevante, também.

Parece razoável, então, julgar Bolsonaro pelo que ele disse e explicitamente defendeu (e por seus anos de atuação política também, claro). Ainda assim, a corrida presidencial é uma realidade distinta de uma candidatura já validada democraticamente. A questão agora, considerando o histórico de políticos não cumprirem o que prometem, é julgar o presidente eleito menos por suas colocações do passado, e mais por suas efetivas atuações no presente.

Será que estamos dispostos a assumir a possibilidade de Bolsonaro não ser, na prática, o fascista que é no discurso? Poucos darão o braço a torcer.
Thread sobre uma das questões do ENEM 2018, denunciada pelo filósofo Francisco Razzo conforme print.

Leia a explicação ↓

https://twitter.com/alystoteles/status/1060889392099803136
"Cabe a pergunta: 'Por que as pessoas têm compaixão para com crianças de rua?' Duvido que alguém me responda: 'Porque são inteligentes, conseguem se comunicar por meio da linguagem, têm capacidade de aprender matemática e talvez tocar piano.' A resposta mais comum seria: 'Porque estão sofrendo, passando fome e sede.' Também é assim com os animais."

- Rafaella Chuahy, Manifesto pelos Direitos dos Animais, Ed. Record, pg. 28
"Responda ao tolo de acordo com a tolice dele para que ele não fique pensando que é sábio."

— Provérbios 26, versículo 5.
Excelente. Atualmente me considero liberal, e me vejo representado no movimento Livres. Assim, conforme as categorias debatidas, sou um progressista. Entretanto, sobre natureza humana e respeito às instituições democráticas, sou conservador. Infelizmente o Brasil não está apto a entender tais categorias em suas sutilezas. Poucos conseguirão acompanhar o raciocínio de Coutinho, e acredito que eu mesmo precisaria assistir ao vídeo alguns pares de vezes para captá-lo bem.

youtu.be/NCRKfS2en90
"O conflito entre a ética e a ciência pode ser bastante positivo ao incentivar a comunidade científica a investigar outros métodos de testes em laboratório. O movimento para os direitos dos animais também depende de cientistas pioneiros que não tenham medo de procurar alternativas. Afinal, elas representam a evolução da própria ciência. É mera obrigação dos cientistas estar a par de novas tecnologias assim como constantemente questionar verdades."

- R. Chuahy, Manifesto pelos Direitos dos Animais, Ed. Record, pg. 73
O YouTube liberou postagens para a comunidade de canais com menos de 10.000 inscritos!

Como fui contemplado e quero ser bastante ativo por lá, peço que votem nesta enquete.

Afinal, que tipo de conteúdo eu devo levar à comunidade?

Vote pelo link: http://youtube.com/channel/UC8F6DJHfJ7dLZWgjZ5VDrpA/community?lb=UgyrgBS6_is9x2XjfHJ4AaABCQ