Alysson Augusto
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Forwarded from Ética Animal (Alysson Augusto) via @like
Este é de longe o mais bem elaborado diálogo filosófico entre um comedor de carne e um vegano que você vai ver. Michael Huemer é o filósofo que o escreveu.

Dois amigos estudantes de filosofia, V (vegano) e C (comedor de carne), dialogam sobre a validade moral de comer carne. Ao longo do texto, V convence C de que existem muitos problemas em seu estilo de vida carnívoro. C, então, começa a apelar para o ceticismo moral, uma tática comum e conveniente quando os argumentos a favor da exploração de animais são enfraquecidos. Abaixo colo a parte do diálogo que, ao meu ver, é inovadora sobre o assunto:

V — Esse tipo de ceticismo só parece surgir quando as pessoas são criticadas por comportamentos que não querem mudar e não têm mais argumentos para defendê-los. Só aí começam a sentir ceticismo pela moralidade. No resto do tempo, não têm problema em aceitar juízos morais.

C — Que quer dizer? Não saio por aí emitindo juízos sobre as pessoas o tempo todo!

V — Deixe-me dar-lhe um exemplo. Digamos que a pessoa A está processando a pessoa B, e estamos no júri. Precisamos decidir se B lesou A de uma maneira que mereça compensação.

C — Não é o papel do júri decidir apenas se B fez algo ilegal?

V — Suponha que a lei diz que A merece compensação somente se B o lesou.

C — Okay.

V — Acontece que o que B fez foi destruir o carro de A com um martelo, só por diversão, causando $2000 de danos. Várias pessoas testemunharam a situação.

C — Parece um caso fácil. A ganha os $2000.

V — Não tão rápido! Há alguns filósofos no júri: um metafísico, um teórico político, um epistemólogo e um eticista. O metafísico argumenta que B não é responsável por sua ação, porque o livre-arbítrio não existe.

C — Acho que isso faria sentido…

V — O teórico político diz que a ação de B não foi errada porque os direitos à propriedade são ilegítimos. O epistemólogo afirma que não podemos aceitar o depoimento das testemunhas visuais até se provar que os sentidos são confiáveis. Por fim, o eticista diz que não existem fatos morais, então B não poderia ter feito algo errado.

C — Acho que é por isso que, em geral, não permitem filósofos no júri.

V — (Ri) Sem dúvida. Então, como votaria?

C — Se eu concordasse com um desses filósofos, teria de apoiar o acusado.

V — Correto. Mas como efetivamente votaria? Diria que B não fez algo errado?

C — Não. Pessoalmente, adjudicaria mesmo assim os $2000 a A.

V — Então as teorias filosóficas céticas não o impedem de fazer juízos morais sobre o comportamento de outra pessoa.

C — Não.

V — Inclusive, logo que lhe contei a história, disse que parecia um caso fácil.

C — Sim, parecia.

V — Bem, o caso do vegetarianismo ético é igualmente fácil. Não há mais dúvida quanto à injustiça de comer carne do que quanto à injustiça de destruir o carro de outrem por diversão — ou quanto à injustiça de espancar crianças ou de matar por dinheiro ou de qualquer outra coisa paradigmaticamente errada. Você não sairia por aí fazendo essas outras coisas só porque pode não haver fatos morais, pois não?

C — Não. Mas acha realmente que ser vegetariano é uma decisão simples e clara, como decidir não matar pessoas por dinheiro?

V — Basicamente, sim. No seu núcleo, a questão é: eu apoio uma coisa que causa enormes quantidades de dor e de sofrimento em troca de benefícios pequenos para mim? É só isso. Não é “São as vidas humanas mais valiosas que as animais?” Não é “Existem valores objetivos?” nem “Qual é a base dos direitos?” É somente sobre causar enorme sofrimento por ganhos pequenos.

criticanarede.com/animais.html
TCC defendido e aprovado. Nota 10 com recomendação para publicação.

Tema:
"Animais Têm Direitos? Entendendo a Ética Animal à Luz da Filosofia."

Participaram da banca: Leonardo Agostini (prof. Orientador), Luciano Marques de Jesus e Ir. Marcelo Bonhemberger.

Quem quiser ver o esquema da defesa em slide, pode acessar meu post no Facebook pelo link: goo.gl/m6bptZ
A quem estiver em Porto Alegre nesta sexta-feira e quiser prestigiar este momento, só chegar!
Um inscrito me presenteou com o livro "Justiça: o que é fazer a coisa certa", do filósofo Michael Sandel, e embora eu esteja terminando o livro, vou aproveitar pra seguir a leitura enquanto faço o curso de mesmo nome da edX, que me garante um certificado internacional pela Harvard.

Os benefícios são evidentes: duas plataformas distintas (internet e livro) me guiando para o reforço de conhecimentos em ética e filosofia política. Além disso, no fim de tudo posso colocar no meu currículo que fui aluno de Michael Sandel, ainda que não pessoalmente.

Só fala mal de Educação à Distância (EAD) quem não tá sabendo aproveitá-la.

www.edx.org/course/justice
Obrigado a todos pela presença e carinho inestimável. Para quem não pôde ir e quiser assistir, minha formatura já está disponível no YouTube!

O vídeo começa pelos 12 minutos!

youtu.be/6yZEMdMyFmI
Pessoal, postei stories sobre livros de economia e política que recebi, além de comentar minha formatura. Segue lá no Instagram pra ver como foi!

Nome de usuário: alyenado
https://instagram.com/alyenado?r=nametag
Fiz este vídeo quando 2018 estava recém começando, e a mensagem continua bastante atual. Feliz Ano Novo, em especial àqueles que, como eu, cultivam falsas esperanças de um ano de sucesso que virá.

youtu.be/Dd8zJc-4EGU
Michael Sandel é muito bom em seu livro "Justiça: o que é fazer a coisa certa". Ele sabe reconhecer as falhas das teorias que aborda, bem como seus méritos.

Ainda assim, é possível notar sua preferência por uma linha mais kantiana (preocupada em estabelecer deveres morais que não se curvam às consequências) em detrimento de uma linha mais utilitarista (preocupada em definir quais são as consequências para validar [ou não] moralmente diferentes atos) - seu erro sobre o utilitarismo parece ser o simples fato de tratar essa corrente de pensamento moral como algo simplista, não entrando em qualificações relevantes a utilitaristas como utilitarismo de atos, de preferências ou de regras.

Sua filiação a um ideal de justiça mais distributivo e igualitário fica evidente quando fala de John Rawls, sendo um capítulo inteiro basicamente defendendo sua teoria da justiça, sem dar a consistência necessária para que as objeções o pusessem em descrédito. É só quando fala na Ética das Virtudes de Aristóteles que Rawls (e Ronald Dworkin) passa a parecer insuficiente para pensar o que é justiça, pois a noção aristotélica de justiça (dar a cada um o que lhe é devido) está suficientemente entranhada em nosso senso-comum que parece pouco aceitável a visão rawlsiana de que as habilidades naturais de diferentes seres humanos não os façam "merecer" distintos benefícios. De alguma forma, embora cientistas não levem Aristóteles a sério quando fala de física ou biologia, sua visão moral é bastante relevante para pensar, dentre outras coisas, qual o propósito de instituições sociais como universidades (Jonathan Haidt tem uma palestra apenas pensando qual deveria ser a "missão" de uma universidade, distinguindo a busca pela verdade da busca pela justiça social, o que é algo central para validar, por exemplo, cotas raciais).

Ainda estou lendo o livro, e farei resenha em vídeo no meu canal. De toda forma, é uma leitura empolgante, suficientemente honesta com as categorias abordadas, e em especial Sandel demonstra plena preocupação em dar luz às principais defesas e críticas das teorias que aborda, o que faz de seu livro uma boa introdução à ética e filosofia política, sendo um livro que eu usaria sem problemas para lecionar filosofia em escolas de ensino médio - e agora que sou licenciado em filosofia, talvez seja isso mesmo que farei neste 2019 que se apresenta.
Quando iniciei a graduação em filosofia, eu acreditava que filósofos clássicos, aqueles antigos que vemos nas escolas, eram de alguma forma "superiores" a qualquer filósofo que temos hoje em dia, afinal eles deram as bases pro pensamento filosófico. E ao longo da graduação essa ideia parecia ser reforçada, ao menos nas cadeiras de história da filosofia, vendo pensadores do passado dialogando com profundidade e mesmo em latim e grego me fazia ter a sensação de que eles eram, em alguma medida, sobre-humanos.

Hoje, já formado e estando mais habituado a ler pensadores ainda vivos, e contrastando suas ideias com as ideias dos filósofos clássicos, sinto que abandonei essa visão estereotipada de um Aristóteles inaugurando várias áreas de investigação e de um Leonardo Da Vinci sendo competente em todas as profissões em que se aventurava, como se ser bem sucedido em suas empreitadas fosse o mesmo que "estar terminantemente certo", ter dado seus tópicos por encerrados ou ter suas palavras como as últimas a serem consultadas em caso de dúvida, de tal forma que os filósofos dos dias de hoje apenas estejam criando novas firulas sobre o que já foi consolidado pelos grandes nomes do passado.

O que quero dizer é que estou convencido de que a filosofia, embora repleta de debates intermináveis, e mesmo tendo como marco pensadores históricos que, para muitos pesquisadores especializados em estudá-los, estariam de alguma forma "terminantemente certos"... A filosofia contém sim progressos.

Em outras palavras, não é como se pudéssemos colocar ao mesmo nível de validade as ideias clássicas com as ideias que estão hoje em disputa. Pensamentos clássicos serviram muito pra consolidar a filosofia em seus diferentes campos de estudo, sim, entretanto só é possível qualificar e aprimorar raciocínios quando eles já estão à mesa. Assim sendo, um filósofo atual tem à mão um arsenal muito maior de possibilidades para ser um filósofo ainda mais valioso que um filósofo cuja vida e obra já foram encerradas, e não sobrevivem se não por lembrança ou por reinterpretações.

Aliás, esse apego a filósofos em específico, muitas vezes filósofos cuja morte ocorreu há dois milênios — antes mesmo de livros terem sido inventados com a prensa de Gutenberg — é provavelmente um dos maiores entraves para fazer avançar a filosofia. Trata-se de um costume doutrinário, de filiação ideológica ao pensamento de um filósofo ou escola de pensamento, ignorando todo o resto que, muitas vezes, acaba por refutar pontos essenciais da estrutura epistêmica do raciocínio que acadêmicos de filosofia (e de humanidades em geral) costumam abraçar. É potencialmente o entrave mais ridículo (pois apenas atesta viés cognitivo) e que mais desmerece a ideia de que a filosofia seria esse "amor à sabedoria" que nos direciona à busca irrestrita e apaixonada à verdade — ora, não há qualquer apreço à Verdade quando tudo o que se faz é defender ideias pré-concebidas sem preocupação com o contraditório.

Mas, ainda que a academia brasileira esteja tomada de pessoas preocupadas com a defesa irrestrita de nomes específicos, sou muito otimista quanto ao progresso filosófico, e não me vejo mais cogitando a possibilidade de toda ideia filosófica valer igualmente a pena — ou que as ideias passadas bastam para os desafios presentes e futuros. A discriminação de raciocínios variados, jogando uns contra os outros e os verificando frente aos fatos da realidade que a ciência nos apresenta, me parece ser o norte necessário para que a filosofia continue sustentável e viva nas gerações futuras.

Se a compreensão dos "porquês" contradiz ou não se ajusta aos "comos" das ciências mais sofisticadas que a humanidade até o momento conseguiu consolidar, então que tal compreensão pereça. Não deve ser tarefa da filosofia somar esforços em justificar o injustificável. Sua tarefa deve ser, antes de tudo, aceitar a realidade tal como se apresenta para, daí sim, tentar interpretá-la à luz de nosso melhor juízo.
Fiz várias capas para os destaques dos meus stories no Instagram. Aposto que tem gente vendo os stories lá e entendendo nada haha. Mas ao menos a vitrine ficou apresentável.

instagram.com/alyenado
Pra mostrar a "ideologia anti-ideológica" proposta por Bolsonaro, vou tratar de três coisas principais neste vídeo:

1°) A segurança e as alianças no rito de posse como presidente do Bolsonaro;
2°) A diferença dos discursos feitos no Congresso e no Parlatório;
3°) E por fim vou invocar aqui a presença de Voltaire, um dos filósofos iluministas franceses que pode nos ajudar a lidar com o novo governo.

youtu.be/PVaCkYPxqQQ
Olavete segue o mesmo script de qualquer confraria de esquerda que, pra ter razão, precisa defender tudo que seu ídolo/escola defendem. Estão mais preocupados em preservar a imagem do mestre do que em endossar as boas ideias e criticar as más. Foi exatamente isso que critiquei recentemente aqui no meu mural, sobre o progresso da filosofia. Basicamente, ser olavete é ser anti-progresso filosófico, pois é defender o mestre a despeito de seus erros. É ser, portanto, anticientífico. https://t.me/alyaugusto/402
O canal do prof. de filosofia Bruno Neppo é o canal brasileiro com maior constância de produção de conteúdo filosófico que conheço. Ainda assim, tá com apenas 1.215 inscritos. Se você acredita que educação filosófica merece espaço, se inscreva e RT!

http://bit.do/luftballon