Alysson Augusto
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No livro Conflito de Visões do Thomas Sowell ele faz uma distinção muito original entre visão restrita (Smith, Hayek, Friedman, Malthus, etc) e visão irrestrita (Godwin, Condorcet, Rawls, Dworkin, etc) e mostra como, pra visão irrestrita, a crença no potencial humano (ao contrário da restrita que nos vê como terminantemente falíveis) é uma crença que justifica a ideia de que alguns poucos líderes intelectuais estariam autorizados a liderar uma nação pro seu próprio bem, ainda que isso envolva custos de processo caros aos da visão restrita (como escravidão, exploração autoritária da mão de obra e desigualdade formal). Pelos estudos de Sowell, é natural que pessoas mais alinhadas à visão irrestrita queiram dar poderes políticos excepcionais a uma casta de seres humanos "iluminados" para ajeitarem os males da civilização, em nome da "justiça social". Daí o flerte com socialismo, já que só importam os fins, não os meios.

Se inscrevam em meu canal no YouTube que vai ter vídeo sobre esse livro sensacional.

YouTube.com/AlyssonAugusto
Em meados de 2018 fiz um vídeo apostando que Bolsonaro NÃO seria presidente. Errei miseravelmente, pois (acredito que sejam fatores determinantes) não relevei o poder da pessoalidade gerada pelo encaminhamento de mensagens via WhatsApp (as pessoas tendem a acreditar em familiares quando estão impossibilitadas de confrontar as fontes primárias, daí pra fake news é um pulo), a atuação estratégica de Steve Bannon (o cara da Cambridge Analytica que ajudou Trump e declarou apoio à Bolsonaro no Brasil) e, entre outras coisas, não poderia sequer imaginar que Bolsonaro seria esfaqueado - algo que ajudou a pintá-lo como vítima (e "provavelmente o lado certo" da história, para indecisos). Também ignorei o fator antipetista que apenas Bolsonaro encampou de forma relevante. Não fui o único a errar, muitos erraram o resultado das urnas, algo que apenas foi ficando claro na medida em que as pesquisas (especialmente do Datafolha) mostravam que Bolsonaro só teria sucesso se Haddad fosse ao segundo turno com ele - e foi o que rolou. Da mesma forma, ainda que eu tivesse acertado que Bolsonaro não seria presidente, eu poderia estar errado no método utilizado para a análise - nem sempre o acerto de uma previsão se dá de forma intencional.

Obviamente, muitos bolsominions me ridicularizaram, e todas as ofensas e ataques gratuitos sem qualquer capacidade de argumentar sobre os fatores relativos à previsão estão lá, registrados nos comentários do vídeo. Muitos, se não a maioria, aliás, mostraram-se adeptos da previsão de que Bolsonaro, ao chegar ao poder, combateria a ponto de extirpar a corrupção do Brasil.

A questão que coloco é: será que esses bolsominions estão dispostos a reconhecer que sua crença no Mito como anti-corrupção (o que foi uma previsão) também fracassou miseravelmente, ou "ainda é muito cedo pra dizer" (como tem sido arguido, embora tenha dado nem um mês de governo e a podridão já tá escancarada no próprio nucleo familiar do presidente)?

Eu realmente não espero que chegue a esse ponto. Uma vez bolsominion, (provavelmente) sempre bolsominion. Ao menos desconheço um que não esteja relativizando a necessidade ética de formalizar no MP a denúncia à família Bolsonaro em nome do combate à corrupção. Nem o próprio Dallagnol, o nome que mais se destacou depois de Moro na Lava-jato, está engolindo essa do STF salvar Flávio Bolsonaro com foro privilegiado.

Como o próprio bolsominion Roger do Ultraje A Rigor já disse, o problema não é a corrupção, nunca foi. A causa desse pessoal é atacar o fantasma do comunismo pra alavancar os próprios interesses. Teoria da Escolha Pública explica bem isso, mas também não adianta apontar fundamentos acadêmicos pra desmistificação de políticos quando a pessoa só quer desfrutar do conforto de ter um líder belo, bom, moral e justo. Até acreditar em Deus é mais racional.
Quem aí já ouviu falar da teoria da ferradura?

Fiz vídeo sobre ela, assistam: https://youtu.be/BY_aQG7xJIA
Não é sensacionalismo, é reconhecer que Flávio é o filho do presidente, portanto mais relevante mesmo pra chamar espectadores e vender anúncio. Ou vamos esquecer dos escândalos noticiados em todos os jornais relativos ao filho do Lula agora?

É SIMPLES: não é que a mídia esteja caçando seu político de estimação e ignorando todo resto. É PORQUE tantos como você têm político de estimação que a mídia fala mais sobre ele. É a lei da oferta e demanda, economia básica. Pare de estimar político que a mídia para de falar nele.
Que um presídio privado receba por preso é um claro incentivo perverso para que donos dos presídios tentem comprar juízes para mandarem mais presos para seus estabelecimentos, vide o caso Kids for Cash nos EUA.

Porém existe forma de privatizar presídios combatendo isso, e é utilizando Análise Econômica do Direito.

Este vídeo aqui que fiz tem uns anos pode nos orientar sobre incentivos adequados para o sistema penitenciário: https://youtu.be/gANUhxE7PRs
Eu apostaria na hipótese de que ele é apenas alguém que teve oportunidades derivadas de um sistema imperfeito e sistematicamente perpetuador de impunidades, de tal forma que a diferença entre ele e a grande maioria dos brasileiros é nem uma questão de caráter, mas de incentivos.
Pelo visto a suposta ligação de Flávio Bolsonaro com milicianos não é tão suposta assim... Faz todo sentido desconfiar de que haja uma mão lavando a outra não apenas por BolsoKid ter empregado familiares de um miliciano, mas especialmente pelas declarações que ele fez ao longo dos anos relativizando crimes cometidos por policiais corruptos. A juíza Patrícia Acioli, que condenou 60 milicianos, foi morta numa emboscada desse pessoal, e Flávio chegou mesmo a culpar a vítima em seu Twitter. Pelo visto a podridão vai muito além da laranja do Queiroz - ao qual, aliás, Flávio está empurrando a culpa (vamos aguardar Queiroz retaliar). Por ora, só me resta contribuir para a agricultura nacional, demandando mais e mais pipoca.

Thread esclarecedora do Ivanildo Santos Terceiro: https://twitter.com/ivanildo_iii/status/1087801659676340225
O poder da propaganda política me parece inegável. Ainda que a conjuntura seja suficiente para determinar votos de pessoas razoáveis (como, por ex., perceber que o maior problema é segurança pública), o grande motor para fazer uma campanha política de sucesso é, me parece, o discurso utilizado para convencer as pessoas de que existem intenções maléficas por trás dos problemas que enfrentamos.

Em outras palavras, entre dizer que:

1) o problema de segurança pública é um problema sistêmico, difícil de resolver por envolver tantas variáveis, de modo que são apenas pessoas comuns agindo por incentivos que lhes levam ao crime, do mais banal ao cúmulo, do rent-seeking ao fomento de milícias.

E dizer que:

2) tudo isso de ruim que tá aí é culpa da mão do Soros, do PT, dos globalistas, do Foro de SP, da maldade dos especuladores e dos interesses anti-pobre do capital financeiro, etc...

É mais potente o discurso número 2.

A criação de inimigos imaginários vira arma política, mais por retórica do que por fato comprovado. Tem apelo maior, pois nos faz acreditar que não fazemos parte do problema, que estamos do lado da solução, que somos vítimas injustiçadas.

Obviamente existem aqueles que, como muitos de nós, acreditamos mais no discurso 1. Mas pensar que o 2 não tem um apelo maior me parece ingênuo.

Joseph Goebbels, João Santana e Steve Bannon não são pessoas maléficas, mas também não são qualquer Madre Teresa. São pessoas comuns que entendem de comportamento de massas, reconhecem como nosso psicológico primitivo opera e tentam extrair benefícios a partir disso com suas propagandas políticas mentirosas marteladas mil vezes até se tornarem verdade.

Se tem um fator realmente malefício nisso tudo é o simples fato humano de que somos sugestionáveis e adoramos uma boa história para confirmar nossas predisposições tribais. Não é que existam seres excepcionais nos conduzindo maquiavelicamente, é apenas que, como diz o meme, somos "gado D+".
"Bolsonaro vai a Davos em busca de investimentos sem viés ideológico."

Se bozo lesse Adam Smith saberia que a essência do comércio é o desprendimento com qualquer viés ideológico. O único viés dos negócios é o autointeresse. Aliás, isso se estende inclusive na política. É como o Nobel em economia e reconhecido esquerdista, Joseph Stiglitz, falava sobre rent-seeking: o importante é descobrir meios dentro da legalidade para aumentar o próprio patrimônio, ainda que seja imoral ou possa vir a ser criminoso. O também Nobel em economia Milton Friedman, influência acadêmica do próprio Paulo Guedes, também já alertava que viés ideológico é secundário no mundo do comércio, e seu vídeo famoso sobre as origens de um simples lápis comprovam que as pessoas podem mesmo se odiar, que ainda assim estarão trocando bens e serviços. A teoria da Escolha Pública é a melhor explicação para o fato econômico do autointeresse, antes de qualquer viés ideológico, dominar não apenas empresários como também políticos. E as denúncias de corrupção de baixo clero na família Bolsonaro apenas atestam isso, da mesma forma que as denúncias de corrupção de Lula e Dilma também atestaram. Nesse sentido, o discurso ideológico anti-ideológico é apenas um meio de atingir seus objetivos pessoais, pois tem gado caindo nessa.
Pare e pense: em qual grupo de países abaixo você gostaria de trabalhar?

1) Estados Unidos, Canadá, Austrália, Cingapura, Hong Kong (China), Maldivas, Ilhas Marshall.

2) Bolívia, Venezuela, Guiné Equatorial, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Congo e República Centro-Africana.

Se você é uma pessoa autointeressada, vai preferir viver em qualquer dos países do grupo 1 em detrimento do 2. Ora, você quer ter boas condições de emprego, poder ascender socialmente e viver em paz com seu bolso e estômago cheios.

Ainda assim, são os países do Grupo 2 que mais protegem seus trabalhadores. A Venezuela proíbe demissão de quem ganha até um salário mínimo e meio, e o dono de uma fábrica em Guiné Equatorial tem de pagar anos de salário a funcionários demitidos. As leis nesse grupo de países são rígidas em defesa dos trabalhadores.

Mas por que são as nações do grupo 1 que costumam receber imigrantes buscando trabalho, enquanto as nações do grupo 2 costumam exportar trabalhadores? As leis protegendo o proletariado não estão sendo aplicadas?

Para muitos é contra-intuitivo, mas pra maioria dos economistas é bem simples: leis trabalhistas rígidas mais prejudicam do que ajudam trabalhadores. Os países do primeiro grupo têm as legislações trabalhistas mais flexíveis do mundo, enquanto os do segundo grupo têm as mais rígidas.

Agora você entende do que fala um liberal quando aponta que de boas intenções o inferno está cheio?

Prefira a liberdade, e não o paternalismo.
Pessoal, dia 29, próxima terça, vamos discutir os 3 primeiros capítulos do livro "O Maior Bem Que Se Pode Fazer" do filósofo australiano Peter Singer.

A ideia é pensar o @AltruismoEficaz, corrente de ética prática inaugurada por Peter Singer e que está movimento bilhões de dólares pela caridade ao redor do mundo.

Claro, existem das mais variadas formas de ser um altruísta eficaz sem precisar tirar dinheiro do seu bolso, e isso tudo será abordado no encontro.

Espero que tenham interesse, nos vemos lá!

Link para participar do evento no Facebook: facebook.com/events/385136342219987/

Link para participar no MeetUp: meetup.com/pt-BR/Altruismo-Eficaz-em-PoA/events/257741567/
Meu HD pifou e preciso de toda ajuda possível. Explico melhor no vídeo, espero que compreendam!

youtu.be/_NCcAqPPZH0
Fala pessoal, convido todos a baterem um papo comigo e outros entusiastas do @AltruismoEficaz. Será na Cidade Baixa às 19h! Mais informações no link do evento abaixo:

facebook.com/events/385136342219987/
Pode à primeira vista parecer horrendo, mas privatizar a Amazônia, os oceanos, todos os museus, escolas e serviços culturalmente entendidos como públicos pode ter resultados muito bons pra todo mundo, inclusive pro próprio Estado - cujo papel primordial seria o da regulamentação e garantia do Império da Lei, recolhendo impostos de onde antes não recolhia. Quando a gente aprende na faculdade que "Centro Acadêmico de TodXs" é, na prática, Centro Acadêmico de ninguém (tudo fica pixado, ninguém lava a louça nem varre o chão, etc), a gente tem que começar a se perguntar se isso também não é o que rola na vida em sociedade, onde tudo que for público acaba, na ausência de um proprietário delimitado, sofrendo com a indiferença de todos que utilizam do espaço. Se você não tem a quem responsabilizar pelo problema, que incentivo existirá pra cuidar do grêmio estudantil, da escola sucateada, da floresta desmatada, do mar sem peixes? A gente precisa falar mais sobre Tragédia dos Comuns e menos sobre boas intenções. O mundo é muito mais politicamente Incorreto do que os intelectuais e os ativistas empoderados gostariam que fosse.
"Pela soberania do povo brasileiro, o Brasil precisa ser industrializado!"

Pra pessoas que pensam assim, o Brasil deve atuar numa gama de atividades cada vez mais amplas, não sendo apenas uma potência na questão da agricultura, alimentando povos de todo o mundo. É preciso ser uma potência na tecnologia, nos bens e serviços, de modo a inclusive se tornar "autossuficiente", sem depender das relações comerciais a nível internacional.

O que essas pessoas não contam (ou não sabem reconhecer) é algo que vem lá de David Ricardo, um dos nomes clássicos da economia. Trata-se do Princípio da Vantagem Comparativa, que basicamente diz que tanto pessoas quanto países naturalmente escolhem investir seus esforços em atividades com o menor custo de oportunidade.

Em outras palavras, se você se muda para uma cidade e precisa de uma casa, de comida e de bens e serviços, é mais vantajoso, pra você mesmo, investir seu tempo e esforço fazendo aquilo que, dentro do seu campo de possibilidades, te dará o melhor retorno financeiro para que, assim, você possa contratar pessoas que te darão o que você quer/precisa. Isso também vem da economia clássica, e se chama "divisão do trabalho" (para Adam Smith, considerado pai da economia, esse é o principal motivo da riqueza das nações). Assim, para que você tenha sucesso e tenha prosperidade, você precisa se especializar e fornecer a maior produtividade possível para colher os melhores frutos possíveis. O mesmo acontece com as nações.

Ou seja, em termos de vantagem comparativa, não é vantajoso, para o Brasil, "reinventar a roda", tentando disputar no mercado global de smartphones ou peças para espaçonaves. Para o Brasil, é melhor disputar a hegemonia da exportação de produtos alimentares, algo em que somos bons. Em troca de nossa comida, o Japão nos manda sua tecnologia, a França nos manda seu Vinho, e a Inglaterra nos manda suas ferramentas. Assim como você, enquanto indivíduo, pode usar do bom e do melhor produzindo localmente em sua cidade apenas com a divisão do trabalho... O Brasil, enquanto nação, pode ter do bom e do melhor apenas se especializando no que é bom fazendo.

Se o Chile (país mais rico da América Latina), o Canadá e a Austrália conseguem viver da exportação de matérias primas e importação de produtos industrializados (e vão muito bem, obrigado), por que o Brasil deveria ignorar a vantagem comparativa para arriscar dinheiro e esforços em projetos potencialmente fracassados e que não trarão lucro diante da concorrência global? Não é mais inteligente abrir as fronteiras e permitir o livre comércio, ao invés de defender o protecionismo local em nome de uma suposta "soberania nacional"?

É pra se pensar.