Alysson Augusto
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Escrever um livro não é difícil. Sério. Não existem muitos critérios para a publicação de um livro. A dificuldade reside na sua predisposição e paixão pra levar um assunto adiante, em algum nível de profundidade que dê não apenas conteúdo, como também significado à sua obra.

Porém, mesmo essa dificuldade subjetiva pode ser superada se você não dá a mínima tanto pra sua paixão pelo tema abordado quanto pelo rigor e seriedade do conteúdo - aliás, os "famosos ghost writers" estão aí pra mostrar isso.

Se você pode ler um livro em quatro horas, você pode escrever um em quatro semanas.

O entrave de muitas pessoas, pessoas geniais que têm muito conteúdo a ofertar ao mundo, não é nem que não sejam capazes de dar profundidade aos seus temas ou que não vejam um propósito que confira sentido neles. A grande dificuldade é tanto o perfeccionismo - a crença de que, se é pra fazer, que seja bem feito - quanto a síndrome do Impostor - a crença que ronda a mente de pessoas geniais as fazendo pensar que não são boas o suficiente pra tratar do assunto.

Eu olho muitas pessoas à minha volta, seus escritos mesmo nas redes sociais e sempre me vem à mente: essa pessoa poderia publicar um livro - e o faria brincando. Mas isso não ocorre, simplesmente porque a pessoa se leva a sério o suficiente para não "publicar por publicar" (digamos que ela não segue o lema parnasiano de "arte pela arte"), o que na prática reflete uma diminuição do alcance daquela voz em particular, que é, sim, uma voz acima da média no mercado editorial.

Por outro lado, ainda no espectro psicológico temos as pessoas que sofrem de efeito dunning-Krueger - a crença de que você sabe do que tá falando, ainda que seja ignorante no assunto. Essas pessoas não precisam sanar o critério do perfeccionismo e sequer sofrem com a síndrome do Impostor - muito pelo contrário! Elas só precisam de algum conteúdo e de uma verdadeira disposição em fazer acontecer. São pessoas bem intencionadas, que acreditam estar levando cultura pela literatura, e então escrevem livros e livros, às vezes mais livros que um acadêmico profissional conseguiria escrever (afinal, seus critérios são mais rigorosos), e então essa pessoa fica famosa, transformando livros em uma janela de comunicação que, socialmente, lhe conferem a moeda social da erudição (afinal, socialmente a gente acredita que "escrever livro não é pra qualquer um", quando na verdade é sim).

Eu vejo isso em mim mesmo: por um lado, sou perfeitamente capaz de escrever um livro, e poderia transformar este post aleatório na Internet em um artigo inteiro dentro de uma obra com um nome cult e uma capa de cor fosca. Por outro, existem barreiras tanto epistemológicas quanto morais que dificultam minha dedicação a essa empreitada, pois sinto precisar de mais e mais pesquisa para afirmar algo de forma minimamente consistente, bem como sinto que estaria enganando as pessoas com a distribuição de um conteúdo que não domino apenas para garantir moedas sociais.

A lição que me parece evidente, aqui, é que as pessoas geniais, aquelas que certamente têm algo a dizer de modo consistente e fundamentado, precisam superar a síndrome do Impostor e seu perfeccionismo, o postergando para as próximas edições de seus livros (é pra isso que servem as edições, para fazermos correções posteriormente à publicação original), e aprendendo que a verdadeira revisão por pares ocorre no front da crítica aberta ao debate público.

Quanto às pessoas que apenas buscam moedas sociais e baseiam sua busca num efeito Dunning-Krueger... Bem, nem que eu dissesse o que elas precisam fazer elas iriam se tocar, então vão continuar ofertando qualquer coisa que escrevam ao mercado editorial, fazendo fama e monopolizando toda Bienal com algo simplista, intuitivo e que estaria mais coerentemente publicado num textão em seu perfil no Facebook.
Os atores políticos, incluindo eleitores, ativistas e líderes, muitas vezes ignoram fatos básicos que são relevantes para as escolhas políticas. Mesmo os especialistas têm pouca compreensão do funcionamento da sociedade e pouca capacidade de prever resultados futuros. Somente as reivindicações políticas mais simples e incontroversas podem ser contadas. Isto é em parte porque o conhecimento político é muito difícil de alcançar, e em parte porque os indivíduos não estão suficientemente motivados para alcançá-lo. Como resultado, o melhor conselho para os atores políticos é, muitas vezes, simplesmente parar de tentar resolver problemas sociais, uma vez que intervenções que não são baseadas em entendimento preciso provavelmente farão mais mal do que bem.

Ouça ao audiotexto completo:
https://youtu.be/MuXXBiFZXPc
Este sou eu salvando o Floquinho, meu cão.

Se duvida, tenho até vídeo relatando a situação. Sério: https://youtu.be/VDU__5H4v30
Maia empurra responsabilidade da reforma sobre Bolsonaro. Bolsonaro empurra para o parlamento. Tudo indica que não haverá reforma. A reforma mexe com muitos interesses distintos, da direita à esquerda. Interesses muitas vezes corporativos. Bolsonaro se apropriou de uma agenda liberal durante campanha política para, agora, frustrar os liberais, especialmente os economistas que entendem a realidade deficitária do Brasil. O governo parece estar disposto a empurrar com a barriga o maior problema de nossa época, e então jogar a bomba, talvez já explodida, no colo do próximo governo. No médio prazo, os movimentos de esquerda contrários à reforma vão se vangloriar, dizendo que não rolou reforma devido à "pressão popular", algo que serve à narrativa do "poder das ruas" - ainda que o verdadeiro poder não seja popular, e sim populista, interesseiro e corporativista. No longo prazo, os movimentos de esquerda se darão conta da cagada que abraçaram e dirão que não tiveram nada a ver com isso, que sua luta era por uma outra reforma, e não por reforma nenhuma (como se, na verdade, sua luta não fosse por mera oposição... RealPolitik, sabe?). Dizem que o Brasil tem jeito, mas tá difícil ver razão nessa ideia.
Alysson Augusto (PUCRS) convida Tiago Carneiro (UFRJ) e Vitor Douglas (UFOP) para uma conversa sobre o texto "A Ética Argumentativa Hoppeana" de Vinícius Scheffel (V 4.0). A ideia é validar pontos positivos e objetar os pontos negativos, sob uma ótica utilitarista.

https://youtu.be/ioeGVdwuAWg
As 10 características do humanismo secular, Corliss Lamont

O Humanismo é o ponto de vista de que as pessoas têm apenas uma vida para viver e devem aproveitá-la ao máximo em termos de trabalho criativo e felicidade; que a felicidade humana é sua própria justificação e não requer sanção ou apoio de fontes sobrenaturais; que o sobrenatural, comumente concebido na forma de deuses ou céus, não existe; e que os seres humanos, ao usarem sua própria inteligência e ao colaborarem liberalmente uns com os outros, podem construir uma resistente cidadela de paz e beleza sobre esta Terra.

Ouça: https://youtu.be/fSat8UMsabQ
O caso da constitucionalidade de sacrifícios de animais em ritos religiosos veio em boa hora: estou escrevendo um paper sobre democracia e desobediência civil em Peter Singer. O conflito de valores é entre a liberdade religiosa e a crueldade desnecessária. Alguns fundamentam que a liberdade religiosa é um preceito fundante da democracia moderna, e por isso mesmo não podemos interferir em sua liturgia. Outros, porém, entendem que não é a constitucionalidade e muito menos a liturgia própria de uma religião que fundamenta a normatividade de sua prática. Aos meus olhos, só é uma questão difícil de resolver porque não colocamos real peso nos direitos animais, dando mais valor ao capricho estético de uma crença humana em particular do que ao fato biologicamente necessário do sofrimento animal. Se aceitamos que a ética pode vir a corrigir a legislação (o que fundamenta a desobediência civil, e vemos uma defesa clássica dessa ideia já na common law americana), então temos de aceitar, de prontidão, que os ministros de nosso STF possivelmente erraram nessa decisão, colocando o medo de parecerem preconceituosos frente às religiões de matriz africana acima do fato de que são preconceituosos na questão animal.
Minha primeira comunicação em Simpósio foi aprovada. Divulgarei quando tiver local e data marcada.
O Vitor Douglas teve a ideia, e o Joel topou. Vamos falar sobre essa treta do STF então, envolvendo aspectos jurídicos (afinal, o STF legislou?), aspectos religiosos e mesmo aspectos éticos. Uma conversa acima de tudo filosófica.

Link para assistir: https://youtu.be/VPOys3Z5WaI

(entrem no vídeo e cliquem em "definir lembrete" para serem previamente avisados)
Se você tivesse que decidir entre salvar uma ovelha 🐑 ou dar um pedaço de chocolate para uma criança 🍫, o que você faria?

Essa pergunta tem um fundo de verdade importante. No caso, foi proposta no vídeo abaixo (um ótimo vídeo), em que um comedor de carne, ao estudar filosoficamente a questão dos direitos animais, propõe essa questão como relativa à questão real que temos que resolver atualmente: é melhor salvar os animais do abate ou dar às pessoas o prazer da carne?

Vale assistir cada minuto https://youtu.be/C1vW9iSpLLk
É engraçado como realmente prezamos mais por consistência do que pela verdade das coisas. Ao menos tenho percebido um padrão bastante difuso, de criticarmos as pessoas em seus próprios termos, mostrando que elas são inconsistentes com suas próprias crenças. Utilizamos isso como forma de concluir que a pessoa criticada é hipócrita, e por ser hipócrita LOGO ela está errada.

Mas essa é uma derivação lógica que não se aplica. No máximo, esse tipo de raciocínio tem certo apelo emotivo, pois preferimos acreditar em quem pratica o que defende, pois é mais seguro acreditar em algo que vemos o outro praticar e conseguir viver bem com aquilo na prática. O porém é que, embora isso se justifique de um ponto de vista psicológico, não necessariamente é algo filosoficamente válido. Ao menos não do ponto de vista da verdade das coisas, do fato de se, a despeito da hipocrisia, a ideia que o hipócrita defende é realmente a ideia certa.
Um pouco sobre ontem, no Fórum da Liberdade 2019. Ao meu lado, Sandro Sanfelice, o @Zanfa do blog @Capinaremos. Aliás, o Zanfa tá com um canal no YouTube que tá crescendo bastante, e ainda que nós discordemos profundamente sobre o papel do Estado, conheçam e se inscrevam no canal "Ancapinaremos": youtube.com/ancapinaremos
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Se Desidério Murcho comentasse o caso do Danilo Gentili.

@edaldem