Alysson Augusto
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Um pouco sobre ontem, no Fórum da Liberdade 2019. Ao meu lado, Sandro Sanfelice, o @Zanfa do blog @Capinaremos. Aliás, o Zanfa tá com um canal no YouTube que tá crescendo bastante, e ainda que nós discordemos profundamente sobre o papel do Estado, conheçam e se inscrevam no canal "Ancapinaremos": youtube.com/ancapinaremos
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Se Desidério Murcho comentasse o caso do Danilo Gentili.

@edaldem
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Duas coisas que me chamam atenção nessa notícia:

1) chama-se "crime contra a honra" tudo que possa ser englobado aí, como injúria, difamação e calúnia. A posição desta página é, no geral, de que se tem um crime contra a honra que deve ser extirpado do código penal é o de injúria, pois é apenas ofensa, não representando mais que isso. Entretanto, crimes de difamação e calúnia tem elementos mais complexos e que podem invocar danos reais: quando você difama alguém, essa difamação gera boicote à pessoa, e ela pode ser prejudicada materialmente; quando você calunia, essa calúnia pode inclusive levar a pessoa à detenção (falso testemunho) apenas porque você está mentindo sobre ela. No caso da matéria, defende-se que Danilo é hipócrita porque solicitou defesa de sua honra ao mesmo tempo em que nega tal defesa quando ele ataca a honra alheia. O porém é que, como a própria matéria demonstra, Danilo processou não por injúria, mas por difamação: detratores de sua imagem pegaram um tweet seu, descontextualizaram e o fizeram parecer apoiador de uma "cultura do estupro", quando seu tweet tinha nada a ver com esse contexto. Esse tipo de manobra não é injúria, mas difamação. Logo, se Danilo é contra a existência do crime de injúria mas não é contra a existência do crime de difamação, ele não está sendo hipócrita.*

2) Olhando por cima, me parece que Danilo, especialmente por enfrentar tantos processos de crime contra a honra, entende como se dá o modus operandi da justiça, e não acredita que isso vai mudar. Portanto, ele resolve entrar no jogo, e usar os meios disponíveis para desqualificar seus detratores, não deixando barato especialmente quando sabe que, se fosse ele a ofender, não deixariam barato, e reclamariam a coerção do Estado para calá-lo. Se for isso mesmo, então temos não um Danilo principiológico, defensor da liberdade de expressão, mas um Danilo pragmático, que se utiliza das ferramentas disponíveis para defender-se na guerra política. Para muitas pessoas, a visão pragmática é a visão que deve ser perpetuada a fins de implodir o sistema por sua própria insustentabilidade. Afinal, se o sistema não aguenta tantos processos de crimes contra a honra, o sistema é forçado a rever o modo como tem feito as coisas.

* Vale pontuar que, independente da hipocrisia que o Danilo possa ter sobre o assunto, é uma régua MUITO tosca pensar que o que mede a validade de uma reivindicação é o quanto o reivindicador é ou não é consistente entre a teoria e a prática. De fato, eu posso defender X e fazer não-X. A questão é: por eu não fazer X, significa que X é errado? Esse raciocínio é idiota, tosco, débil. Eu, por exemplo, defendo que devamos fazer doações a projetos de caridade eficientes, mas eu não faço isso. Significa que, por eu não fazer e ser hipócrita, logo não devemos doar a caridades eficazes? A hipocrisia não é medida para legitimidade de pautas. Você pode defender o fim do crime de injúria e pedir, ao mesmo tempo, que sejam criminalizadas pessoas que te ofenderam. Isso te categoriza como hipócrita mas em nada diminui a sua reivindicação. Na verdade, a sua hipocrisia, por ser claramente danosa na medida em que você pratica o que critica, é um ponto a favor da sua pauta: se você não estivesse autorizado a criminalizar o discurso alheio, ninguém se escandalizaria com isso... ao fazê-lo, você implode o sistema, usando-o a si mesmo como arma política contra sua própria legitimidade.

~~ @alyaugusto

theintercept.com/2019/04/15/danilo-gentili-processa-criticos/
Hoje na aula de filosofia política teve uma discussão sobre se os princípios da justiça de John Rawls devem ser absolutos e invioláveis ou se, por ex., existem casos em que devem ser relativizados.

Na treta se invocou a seguinte situação: uma pessoa X precisa de medicamentos que não pode pagar, e portanto recorre a algum juiz para que lhe dê o direito ao medicamento (bem primário básico vital, numa leitura rawlsiana). O juiz bate o martelo e obriga o Estado a dar o medicamento gratuitamente ao paciente. O medicamento custa R$ 400.000, a serem retirados da receita (impostos) da União. Com o mesmo valor, você poderia comprar milhares de outros medicamentos mais baratos para assistência básica de saúde para outras milhares de pessoas, porém você excluiria o atendimento à necessidade específica da pessoa X, a deixando desamparada. Contrários à decisão do juiz, economistas argumentam que atender essa demanda unitária fere as previsões para fechar o orçamento do semestre, causando dívida pública.

E aí, neste caso em específico, o princípio do direito ao mínimo existencial (o mínimo vital da saúde plena) deve ser absoluto? Ou deve ser relativizado, em nome de evitar contração de dívida pública e de atender centenas de outras pessoas necessitadas, ainda que com problemas menos graves?

Esse nem de longe é um problema simples, mas gostaria das respostas de vocês para que possamos entender o que está em jogo a nível ético, político, econômico e jurídico.
Immanuel Kant é um dos autores mais prolíficos na história da filosofia, tendo influência abrangente em virtualmente toda a disciplina. Nesse artigo, numa das áreas em que Kant mais contribuiu para a filosofia, explica-se a legitimidade do Estado e seus fundamentos na filosofia kantiana, estabelecendo uma base normativa (de caráter deontológico) sólida e profícua para o liberalismo clássico.

https://youtu.be/0AMNydPCCfs
A ciência no Brasil vai mal, muito mal. Porém, antes de clamar por mais verbas é necessário garantir que a verba atual seja adequadamente alocada, que o investimento seja produtivo. E, no Brasil, este não parece ser o caso.

https://youtu.be/IJUqeL7lGIw
Ainda há censura no Brasil. Embora tenhamos a ventura de não vivermos mais nos tempos da ditadura militar, o fato de por vezes o judiciário ser usado para censurar é algo que merece a atenção não apenas de jornalistas e juristas, mas de todos.

Ouça agora: https://youtu.be/wwvMzxWLQAY
Muito feliz de ter feito minha primeira comunicação em um Simpósio. Infelizmente não consegui acompanhar o evento na íntegra mas fiz minha parte. Agora é terminar esse artigo pra publicar em e-book.
Hoje adquiri meu quarto cartão de #FilhoDaPUCRS. Faltam dois: doutorado e professor. Vamos ver no que dá. #Filosofia
Será que a filosofia traz retorno imediato à sociedade, ou é uma perca de tempo?

Jair Bolsonaro anunciou que, junto ao ministro da educação, pretende "descentralizar os recursos em filosofia" e em humanas em geral. Eu quero aqui atacar os dois lados da moeda desse debate, que é tanto o governo Bolsonaro e sua perseguição ideológica quanto os intelectuais que tão criticando o governo.

https://youtu.be/XyUXGu9Gk_M
É mais fácil converter pessoas do que eu imaginava.

https://youtu.be/bvLtgSwfbzw
A sensação de frustração existencial é um porre, especialmente quando você não vê motivos claros e distintos pra isso, você apenas sente. A respiração fica assíncrona, a indisposição toma conta e você não se sente empolgado com nenhuma meta estabelecida em sua vida, pois entende que no fundo isso tudo é sem sentido, uma passagem aleatória entre nascimento e morte, da qual buscamos tirar todo o proveito possível, sem no entanto saber de que serviria esse proveito em última instância, para além da efemeridade. Mas você sabe, também, que desistir não é uma opção legítima, pois ainda reside uma esperança de que surgirá uma "moral da história" ao longo da sua vida, e por mais que isso seja altamente improvável, a mera possibilidade de uma justificação da própria existência parece uma aposta que vale abraçar. Felizmente, seu cérebro é altamente adaptável, e mesmo com essa indisposição existencial consegue seguir a vida em relativa estabilidade, ainda que sem grandes satisfações. A sorte de muitos é que, quando se deparam com essa sensação aleatória de incapacidade de estabelecer um sentido, reconhecem que dormir e reiniciar o dia tem um efeito terapêutico de esquecimento sobre esses devaneios, e ao acordar você pode voltar a se ludibriar com as sempre presentes efemeridade do cotidiano. Ora, se por um lado o verme do suicídio já se instala na cabeça do homem no simples ato de refletir sobre o assunto, por outro lado precisamos imaginar Sísifo feliz, rolando montanha acima sua rocha em uma constância de movimentos repetidos e sem sentido, mas que mantém seu porte atlético e alimentam sua esperança de que a eternidade ainda há de se desculpar. Bora dormir que já passou da hora.