Alysson Augusto
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A sensação de frustração existencial é um porre, especialmente quando você não vê motivos claros e distintos pra isso, você apenas sente. A respiração fica assíncrona, a indisposição toma conta e você não se sente empolgado com nenhuma meta estabelecida em sua vida, pois entende que no fundo isso tudo é sem sentido, uma passagem aleatória entre nascimento e morte, da qual buscamos tirar todo o proveito possível, sem no entanto saber de que serviria esse proveito em última instância, para além da efemeridade. Mas você sabe, também, que desistir não é uma opção legítima, pois ainda reside uma esperança de que surgirá uma "moral da história" ao longo da sua vida, e por mais que isso seja altamente improvável, a mera possibilidade de uma justificação da própria existência parece uma aposta que vale abraçar. Felizmente, seu cérebro é altamente adaptável, e mesmo com essa indisposição existencial consegue seguir a vida em relativa estabilidade, ainda que sem grandes satisfações. A sorte de muitos é que, quando se deparam com essa sensação aleatória de incapacidade de estabelecer um sentido, reconhecem que dormir e reiniciar o dia tem um efeito terapêutico de esquecimento sobre esses devaneios, e ao acordar você pode voltar a se ludibriar com as sempre presentes efemeridade do cotidiano. Ora, se por um lado o verme do suicídio já se instala na cabeça do homem no simples ato de refletir sobre o assunto, por outro lado precisamos imaginar Sísifo feliz, rolando montanha acima sua rocha em uma constância de movimentos repetidos e sem sentido, mas que mantém seu porte atlético e alimentam sua esperança de que a eternidade ainda há de se desculpar. Bora dormir que já passou da hora.
Olá pessoal,

Fiz uma enquete aqui pra gravação de transmissões ao vivo e tô em busca de pessoas que tem algo interessante a disseminar por aí. Se for o seu caso, favor preencher. Se você conhece alguém que merece ser entrevistado, envie o link: http://bit.do/livedoaly
Finalmente assisti a Vingadores: Ultimato. Filme bem bom mesmo, não tenho do que reclamar prum filme de entretenimento com heróis.

Apenas me pergunto se, do ponto de vista do Thanos, alguém que sabe ser possível remodelar o universo por meio da posse das joias do infinito... Se o fato de você estar em posse de tamanho poder não acaba te imputando um dever moral absoluto em fazer algo a respeito, que é o que o Thanos tenta fazer: aniquilar metade dos seres vivos do universo para que a outra metade prospere.

Ok, Thanos poderia ter feito de outra forma, não é isso que tá em questão aqui. A questão é: se alguém detém tamanho poder, se alguém é DEUS, por que "fazer nada" seria um dever? Diante de tamanho poder, FAZER ALGO, especificamente ALGO QUE AUMENTE A FELICIDADE GERAL não seria um DEVER?

Não sei vocês mas ao meu ver, em alguma medida, o Thanos é o herói derrotado da história.
Hoje, às 21h30, live sobre direitos animais num hipotético mundo sem Estado.

Seria plausível defender a existência de direitos dos animais numa sociedade anarcocapitalista, ou os animais não passam de propriedade dos seres humanos, estes sim com direitos naturais? No papo de hoje, Luiz Fabrette, um anarcocapitalista defensor dos direitos animais, é nosso convidado para uma conversa filosófica a este respeito.

Participando da conversa, estão Luiz Fabrette, Vitor Douglas, Tiago Carneiro e Alysson Augusto.

https://youtu.be/7Fsqltf_4Dg
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Cinema & Filosofia é o novo quadro no canal. Amanhã sai o primeiro vídeo.
Hoje terei aula com o Pondé, e pretendo aproveitar a ocasião pra fazer um breve vídeo com ele. Por favor, mandem perguntas interessantes pra eu fazer a ele, selecionarei as melhores (o tempo será curto mas, se tudo der certo, teremos vídeo de Alysson com Pondé! haha)

Envie as perguntas para @alyssonaugusto
Pondé pós aula sobre felicidade. Amanhã teremos outra aula e ele falará sobre Utilitarismo. Já combinamos de ele responder algumas questões minhas em vídeo, vamos ver se dá tempo.
Vai ter vídeo com Pondé!
Concordo que nenhuma promessa de revolução é suficiente pra valer uma vida. Porém fica a questão: e se não for promessa? E se for uma CERTEZA de revolução?

Digo, recentemente aproveitei o último filme dos Vingadores pra fazer um vídeo defendendo que, se Deus existe, então sua bondade emana da sua coparticipação na melhora das condições da criação. Daí usei o Thanos como exemplo, dando razões pra acreditarmos que a certeza de melhorar o mundo com um estalar de dedos pela manopla do infinito justifica ir atrás dessas joias para melhorar o mundo. Assim, Deus podendo fazer algo mas nada fazendo torna-se algo totalmente imoral, pois se está em suas mãos a paz e prosperidade, se é possível que a melhora de vida aconteça, permitir a desgraça quando pode ser evitada não se diferencia, em termos de consequências (já que o vídeo bem pontuou a fala de Sarte sobre as intenções), de efetivamente agir pra consolidar a desgraça, como fez Daenerys.

Como Deus não existe (ou no mínimo é totalmente razoável acreditar nisso), não sendo puramente bondade, portanto, faz sentido que o mundo não seja melhor quando pode ser. Ora, Deus não está aí para melhorá-lo, afinal.

https://youtu.be/tgJkcsY9N_U
Forwarded from Ética Animal (Alysson Augusto) via @like
Retirar uma faixa em defesa da educação de uma universidade é similar a tirar uma faixa em defesa da justiça na OAB. É simbolicamente anular não os respectivos prédios, mas o propósito de os mesmos existirem.
Assim como uma das entrevistadas, também sou um dos primeiros da minha família a entrar na universidade. Aliás, já tô até no mestrado em Filosofia e fazendo especialização em neurociência. Sou pardo, e o IBGE me identifica como negro (pretos e pardos), o que infla as estatísticas da quantidade de negros no Brasil. De toda forma, meu ensino superior está na base da baixa renda, e não da cor da pele. Quando a mesma entrevistada falou de alto índice de evasão dos cotistas, me lembrei do livro Ação Afirmativa ao Redor do Mundo, do economista negro norte-americano Thomas Sowell, em que ele mostra como as políticas de cotas acabam provocando maior evasão de negros das universidades ao colocarem esses negros, que tiveram educação básica bastante precária, em pé de igualdade com brancos não-pobres que tiveram educação básica decente e disputaram vaga não pela cor da pele mas pelo mérito. O negro consegue a vaga, mas, durante o processo, se vê acuado diante da superioridade intelectual de seus pares brancos, e assim ele se desmotiva e desiste. Logo, o problema das cotas raciais nem é elas em si mesmas, mas o fato de que elas não são voltadas para a educação básica (ponto de partida da vida escolar), e sim voltadas para educação superior (para muitos, ponto de chegada, último estágio da educação). Espero que melhorem o monitoramento de como se desenvolve a vida acadêmica do cotista, porque provavelmente muitos negros estão tendo sua autoestima destruída só porque alguém inventou que, com ensinos básicos tão díspares em comparação a muitos brancos, esses negros são igualmente capazes de disputar o terreno no ensino superior. Infelizmente muitos não são, e a evasão mostra isso. Falta prioridade na educação básica.

https://youtu.be/Plgix-G9Im0