Alysson Augusto
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Pessoal, fiz um site simples e gostaria da opinião de vocês. O que devo melhorar? O que está bom?

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Estou dando aulas particulares de filosofia. Se tiver interesse, é só acessar: bit.do/aula-de-filosofia

@AlyAugusto
Eu tenho uma mentalidade muito empreendedora pra me preocupar em ficar criticando capitalismo na academia. Eu entendo muito das posições críticas ao capitalismo, especialmente quando entendemos o capitalismo num sentido marxista, cuja associação ao Estado é inevitável. Agora, eu não posso me dar ao luxo de olhar pros problemas do mundo sem tentar saná-los na prática, e a verdade é que os problemas começam sempre num sentido micro: você tem que resolver a si mesmo antes de resolver aos outros e ao mundo.

Por isso mesmo tô cada vez mais preocupado em ter uma fonte de renda. Na condição de professor desempregado (mandei currículo para dezenas de escolas aqui em Porto Alegre e até agora nada), não vou ficar me lamentando diante do fato de que não sou assalariado. A verdade é que até prefiro assim, gosto do fato de que posso ser meu próprio gerente, determinando como eu trabalho, quando trabalho e a que preço. É por isso que tento unir o útil ao agradável: se gosto de fazer vídeos, por que não extrair renda disso?

Quando abri para apoiadores investirem no meu hobby, transformando-o em trabalho, não imaginava que conseguiria os mais de 200 reais mensais que recebo hoje de 9 pessoas que gostam do meu conteúdo. Também não imaginava que receberia tantos dólares quanto comecei meu canal no YouTube. De fato, nada que pagasse o custo que tive pra produzir mais de uma centena de vídeos, todos disponíveis de modo gratuito pra quem quiser ver, vídeos muitas vezes educativos, com referências e indicações intelectuais; vídeos muitas vezes opinativos, mostrando que tenho um lado, o meu lado, que por acaso é o lado de muita gente.

Mas o hobby ainda não é trabalho, e é preciso trabalhar para sobreviver. Se o intelectual de aspiração marxista critica o capitalismo, é porque tem problemas com o trabalho, porque gostaria de viver num mundo onde o trabalho beira a desnecessidade, sendo possível ficar apenas filosofando em ócio criativo o dia inteiro numa sociedade pretensamente justa. Nesse sentido utópico, eu também sou marxista: ora, prefiro não precisar transformar tempo e labor em dinheiro.

Agora, quem disse que minha preferência é determinante? Nem mesmo a favor de mim mesmo! O que determina a conduta de qualquer um são as condições que possibilitam sua agência. Se não tenho comida, preciso de comida e, portanto, minha ação se inclina à busca da comida. Se não tenho dinheiro e dele preciso, minha ação vai nesse sentido, e isso ocorre em todos os níveis da nossa realidade mundana (até mesmo ao nível da curiosidade filosófica). A pirâmide de Maslow é real.

Ora, se não tenho trabalho por meio do qual extrair o dinheiro, o que me impede de transformar em dinheiro aquilo que já faço de modo espontâneo e naturalmente dedicado? Quem dera ter uma bolsa integral e só me preocupar em ficar pesquisando pro mestrado, mas na ausência da regalia estatal, impera a necessidade, e necessidade é a geradora da criatividade, que é a verdadeira motivadora do livre mercado. Educação é mercadoria sim, e é por isso que tô me dispondo a dar aulas particulares e combinando com algumas pessoas para lançar cursos de filosofia.

Que a mentalidade anticapitalista vá de retro, satanás. Antes de me guiar por aspirações coletivas, sou um indivíduo precisando respeitar meus próprios desejos, limitações e possibilidades. Se o trabalho dignifica, tornar-se empreendedor de si mesmo transforma, autonomiza e supera a mentalidade assistencialista parasitária. Bora gerar valor definindo as próprias métricas, porque se independência não existe, ao menos deve ser desejável.
LIVE HOJE ÀS 20:30!

Link: https://youtu.be/ODCze82wZsY (adicione lembrete para receber notificação antes de começarmos)

Na live de hoje, bateremos um papo com Luan Rafael Marques sobre ética, livre arbítrio e responsabilidade moral. Afinal, se não houver livre arbítrio, como responsabilizar alguém por seus atos?

Tópicos desta live:

1 – Teorias diferentes sobre o livre-arbítrio
2 – É preciso de livre-arbítrio para haver ética?
3 – Consequências para uma ética sem livre-arbítrio
4 – Punição e merecimento

Participam deste papo, além do Luan (UFRJ), o Tiago Carneiro (UFRJ), o Vitor Douglas (UFOP) e, claro, eu (PUCRS).
Tô muito feliz de conseguir ter um site com link próprio! http://alyssonaugusto.com.br/

Mas ainda tenho uma dúvida: alguém sabe aí como configurar pro site não precisar do "www" do link? Tipo, sem o "www" o acesso não vai. Quem souber ajudar, me dá um toque aí!

EDIT: consegui ♥️
Visitem todas as páginas do meu site pra conhecer melhor meu trabalho!
VÍDEO NOVO!

Sacerdote de religião africana faz campanha no Brasil contra o sacrifício animal na umbanda e no candomblé. O líder do culto, Dagoberto Isaac, conhecido como Alawowwo, é um sacerdote do culto de Yezan, uma religião africana com mais de 4.500 anos que nunca usou sacrifício de animais.

Assista: youtu.be/BSHi_UAagtk
Dúvida aleatória: fundamentar uma posição normativa no fato de que ela é originada de uma "forte intuição" não acaba caindo em falácia naturalista? Ora, na medida em que somos produtos evolutivos, por que nossas intuições também não seriam, nesse sentido, produtos naturais? Ser intuitivo e ser natural, entendidos aqui como equivalentes, não seriam fatos insuficientes para fundamentar normas para ação?

Digo..., até mesmo pensamentos são naturais. O problema não é ser natural, é ser utilizado como justificação. Imagina alguém alegando "isso deve ser verdade porque as pessoas geralmente pensam que isso é verdade". Ora, as pessoas tenderem a pensar que algo é verdade torna isso verdade? Por quê? E por que essa descrição da realidade (pessoas pensam que X é verdade) justificaria a atribuição de uma norma frente à realidade (por pensarem que é verdade, então deve ser verdade)? Eu atribuiria duas falácias aí: falácia naturalista e argumentum ad populum (apelo ao povo).

Aliás... por que essa dúvida surgiu? Tava lendo isto e me perguntei kk

"Some theorists of moral status have argued that most people just have the intuition that certain beings (either humans or adult humans with certain capacities) have a special moral status, and that such a strong intuition is all we need to hold that view. However, this view appears to be insufficiently grounded too."

https://www.academia.edu/36392939/Why_the_Concept_of_Moral_Status_Should_Be_Abandoned
Seu principal marqueteiro é você mesmo, não sua mãe nem seus "paga-paus". Elogios giram em torno de seus esforços, mas também da sua abertura em recebê-los. A ideia de que somos responsáveis pela nossa imagem ajuda a nos dar rumo e limites. Aparências são importantes sim.
INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 30 DE JUNHO!!

Serão aceitos trabalhos em todas as áreas de pesquisa em Filosofia e em temas conexos de alunos vinculados a Programas de Pós-Graduação stricto sensu. As comunicações deverão ter até 20 (vinte) minutos de duração e serão seguidas por até 10 (dez) minutos de discussão, com perguntas e comentários. Os apresentadores receberão certificado no final de cada sessão e terão seus trabalhos publicados nos anais do evento, como capítulo de livro.

As inscrições poderão ser feitas por meio deste link
https://sites.google.com/view/xixsacfilpucrs/inscrições

Diretrizes completas para participação e demais informações estão disponíveis no site
https://sites.google.com/view/xixsacfilpucrs/diretrizes

A XIX Semana Acadêmica do PPG Filosofia da PUCRS ocorrerá nos dias 08, 09 e 10 de outubro de 2019.
Forwarded from Ética Animal (Alysson Augusto)
Estou lendo o livro "Critical Theory and Animal Liberation", organizado por John Sanbonmatsu, e o segundo artigo, que trata sobre fetichismo, tem insights bem interessantes a respeito da nossa indiferença com os animais que são mortos em beiras de estradas. Pensando aqui em fazer vídeo explicando essa relação, aproveitando inclusive que já escrevi um paper sobre fetiche da mercadoria na questão animal.

Quem tiver interesse pode baixá-lo (PDF) pelo LibGen: booksdescr.org/item/index.php?md5=2F0340F05A326949E26FD2B9D1D0BB91
O Estado da Arte, em parceria inédita com o Livres, publicou um texto meu.

"A natureza tribal humana permitiu nossa sobrevivência, mas também tem fomentado a geração muitas vezes inconsequente de novos conflitos. Entender este processo talvez seja o único meio de superá-lo."

Link para ler: https://cultura.estadao.com.br/blogs/estado-da-arte/superar-a-politica-tribal-e-possivel/
Talvez a dica mais valiosa pra seguir carreira acadêmica seja a tentativa de consistência.

Digo, constantemente nos sabotamos tentando falar de diversos assuntos que não dominamos, e os motivos são variados. No meu caso, gosto da sensação de interdisciplinariedade proporcionada pela referenciação de diversas fontes num mesmo tema. Acredito que torna o assunto mais rico. E pra ter essa sensação, preciso peregrinar sobre temas inéditos a mim mesmo, de modo que eu acabe sendo um leigo falando genericamente sobre um ponto que nunca abordei antes.

Isso mostra abertura pro aprendizado, mas esse impulso por ampliação temática pode ser perigoso também: você acaba se tornando um generalista, não foca em nada em específico e — o que é pior — facilmente perde a continuidade de seus estudos anteriores.

Essa contínua descontinuidade ocasionada pela curiosidade criativa pode ser ótima para pensadores livres, que não têm compromisso intelectual e acadêmico com alguma instituição que lhe paga bolsas para entregar resultados. Para o acadêmico, entretanto, o foco é mais que necessário, e se ele pode acabar podando a liberdade criativa, por outro lado ele pode facilitar o próprio serviço acadêmico: pela pesquisa contínua, você não apenas consegue atingir novidades na área — e, assim, entregar conteúdo inédito e rigoroso —, como você também pode alcançar tal nível de consistência a ponto de você se tornar uma referência na área e seus trabalhos, girando todos dentro de uma temática comum, acabarem sendo constantemente reaproveitados para as produções inéditas que precisará fazer.

Apelar à consistência é tornar sua carreira acadêmica mais profissional e atraente a nível de referência. É especializar-se nas generalidades de uma única temática. É facilitar seu empreendimento e sua conquista de bolsas (se não fosse o trabalho que fiz na minha graduação, não teria adquirido meu mestrado, por exemplo). A lição que fica é esta: se você já está naturalmente com os olhos e o foco em algo, aproveite essa sua disposição inicial e trace as próximas etapas. Tudo fica mais fácil, proveitoso e rigoroso quando você consegue ousar inovar num lugar comum — aceite que você nunca esgotará um único assunto, e então sua especialização se abrirá a possibilidades nunca antes imaginadas.