Talvez a dica mais valiosa pra seguir carreira acadêmica seja a tentativa de consistência.
Digo, constantemente nos sabotamos tentando falar de diversos assuntos que não dominamos, e os motivos são variados. No meu caso, gosto da sensação de interdisciplinariedade proporcionada pela referenciação de diversas fontes num mesmo tema. Acredito que torna o assunto mais rico. E pra ter essa sensação, preciso peregrinar sobre temas inéditos a mim mesmo, de modo que eu acabe sendo um leigo falando genericamente sobre um ponto que nunca abordei antes.
Isso mostra abertura pro aprendizado, mas esse impulso por ampliação temática pode ser perigoso também: você acaba se tornando um generalista, não foca em nada em específico e — o que é pior — facilmente perde a continuidade de seus estudos anteriores.
Essa contínua descontinuidade ocasionada pela curiosidade criativa pode ser ótima para pensadores livres, que não têm compromisso intelectual e acadêmico com alguma instituição que lhe paga bolsas para entregar resultados. Para o acadêmico, entretanto, o foco é mais que necessário, e se ele pode acabar podando a liberdade criativa, por outro lado ele pode facilitar o próprio serviço acadêmico: pela pesquisa contínua, você não apenas consegue atingir novidades na área — e, assim, entregar conteúdo inédito e rigoroso —, como você também pode alcançar tal nível de consistência a ponto de você se tornar uma referência na área e seus trabalhos, girando todos dentro de uma temática comum, acabarem sendo constantemente reaproveitados para as produções inéditas que precisará fazer.
Apelar à consistência é tornar sua carreira acadêmica mais profissional e atraente a nível de referência. É especializar-se nas generalidades de uma única temática. É facilitar seu empreendimento e sua conquista de bolsas (se não fosse o trabalho que fiz na minha graduação, não teria adquirido meu mestrado, por exemplo). A lição que fica é esta: se você já está naturalmente com os olhos e o foco em algo, aproveite essa sua disposição inicial e trace as próximas etapas. Tudo fica mais fácil, proveitoso e rigoroso quando você consegue ousar inovar num lugar comum — aceite que você nunca esgotará um único assunto, e então sua especialização se abrirá a possibilidades nunca antes imaginadas.
Digo, constantemente nos sabotamos tentando falar de diversos assuntos que não dominamos, e os motivos são variados. No meu caso, gosto da sensação de interdisciplinariedade proporcionada pela referenciação de diversas fontes num mesmo tema. Acredito que torna o assunto mais rico. E pra ter essa sensação, preciso peregrinar sobre temas inéditos a mim mesmo, de modo que eu acabe sendo um leigo falando genericamente sobre um ponto que nunca abordei antes.
Isso mostra abertura pro aprendizado, mas esse impulso por ampliação temática pode ser perigoso também: você acaba se tornando um generalista, não foca em nada em específico e — o que é pior — facilmente perde a continuidade de seus estudos anteriores.
Essa contínua descontinuidade ocasionada pela curiosidade criativa pode ser ótima para pensadores livres, que não têm compromisso intelectual e acadêmico com alguma instituição que lhe paga bolsas para entregar resultados. Para o acadêmico, entretanto, o foco é mais que necessário, e se ele pode acabar podando a liberdade criativa, por outro lado ele pode facilitar o próprio serviço acadêmico: pela pesquisa contínua, você não apenas consegue atingir novidades na área — e, assim, entregar conteúdo inédito e rigoroso —, como você também pode alcançar tal nível de consistência a ponto de você se tornar uma referência na área e seus trabalhos, girando todos dentro de uma temática comum, acabarem sendo constantemente reaproveitados para as produções inéditas que precisará fazer.
Apelar à consistência é tornar sua carreira acadêmica mais profissional e atraente a nível de referência. É especializar-se nas generalidades de uma única temática. É facilitar seu empreendimento e sua conquista de bolsas (se não fosse o trabalho que fiz na minha graduação, não teria adquirido meu mestrado, por exemplo). A lição que fica é esta: se você já está naturalmente com os olhos e o foco em algo, aproveite essa sua disposição inicial e trace as próximas etapas. Tudo fica mais fácil, proveitoso e rigoroso quando você consegue ousar inovar num lugar comum — aceite que você nunca esgotará um único assunto, e então sua especialização se abrirá a possibilidades nunca antes imaginadas.
Acabei de salvar um rato que caiu no "cola-rato", uma armadilha grudenta feita para que o rato (ou outros animais pequenos) fiquem presos até a morte ou até que a pessoa que a armou descubra e 1) esmague o rato ou 2) o libere longe de casa.
Como não vejo necessidade em matar o animal, após vê-lo gritando por ter sido colado, peguei ele preso na armadilha e pedi à minha prima que pegasse uma vasilha. Ela trouxe um daqueles potes avulsos de bolo (era o que tinha), então coloquei o rato colado ali dentro, joguei óleo de cozinha por cima dele e fechei a tampa. Em questão de segundos o óleo de cozinha fez com que a cola parasse de ser grudenta, e o rato se libertou do grude. Como ele ainda tava preso dentro do pote, levamos ele num terreno baldio longe de casa e soltamos.
Pontos positivos: o rato mantém sua vida, a armadilha pode ser reutilizada e a "ameaça" foi distanciada (altamente improvável que volte aqui pra casa).
Pontos negativos: o rato pode passar a importunar outra pessoa que morava perto daquele terreno baldio, e continuar procriando e importunando ainda mais pessoas.
Pensando num cálculo de custo-benefício, os pontos positivos se sobrepõem aos negativos, especialmente frente ao fato de que o incômodo que o rato possa ocasionar (que no caso é apenas ativar o "nojo" de muitas pessoas) é muito menor que o sofrimento e a perda da sua vida que possamos lhe infligir.
Aniquilar o animal seria a opção fácil, e sua proliferação em ambiente doméstico diz mais sobre como o ambiente é porcamente gerido do que sobre como o rato é uma real ameaça.
Como não vejo necessidade em matar o animal, após vê-lo gritando por ter sido colado, peguei ele preso na armadilha e pedi à minha prima que pegasse uma vasilha. Ela trouxe um daqueles potes avulsos de bolo (era o que tinha), então coloquei o rato colado ali dentro, joguei óleo de cozinha por cima dele e fechei a tampa. Em questão de segundos o óleo de cozinha fez com que a cola parasse de ser grudenta, e o rato se libertou do grude. Como ele ainda tava preso dentro do pote, levamos ele num terreno baldio longe de casa e soltamos.
Pontos positivos: o rato mantém sua vida, a armadilha pode ser reutilizada e a "ameaça" foi distanciada (altamente improvável que volte aqui pra casa).
Pontos negativos: o rato pode passar a importunar outra pessoa que morava perto daquele terreno baldio, e continuar procriando e importunando ainda mais pessoas.
Pensando num cálculo de custo-benefício, os pontos positivos se sobrepõem aos negativos, especialmente frente ao fato de que o incômodo que o rato possa ocasionar (que no caso é apenas ativar o "nojo" de muitas pessoas) é muito menor que o sofrimento e a perda da sua vida que possamos lhe infligir.
Aniquilar o animal seria a opção fácil, e sua proliferação em ambiente doméstico diz mais sobre como o ambiente é porcamente gerido do que sobre como o rato é uma real ameaça.
Ontem postei o que fiz com um camundongo (evitei matá-lo após tê-lo pego) e algum ofendidinho resolveu compartilhar meu post num grupo conservador (não vou dar nomes, embora já saiba quem seja). Surgiu monte de gente me zoando ou apontando que serei o responsável pela nova peste bubônica, e que o caos social se instalará porque, afinal, eu salvei um animal de 7 centímetros.
É incrível como o método de ataque político (promover caça às bruxas de quem se discorda), a afecção proporcionada (mostrar-se ofendido com um ato localizado) e o fatalismo denunciado (defender que tal ato culminará num desequilíbrio social) representam exatamente o tipo de tática que há tempos tem tornado um lixo o debate público, só que agora com o sinal trocado: se antes eram os justiceiros sociais promovendo linchamento virtual, hoje são os conservadores mimizentos se sentindo ofendidos porque alguém contrariou seus valores sacros, mostrando que talvez os animais não sejam tão inferiores aos humanos como gostam de pensar.
Em certo sentido eu dou risada da situação: ora, um bando de marmanjo se ofendendo porque alguém salvou um rato é risível. Ainda assim, a situação é preocupante, porque mostra exatamente o tipo de coisa que venho criticando há tempos, que é o tribalismo político determinante da política nacional.
É incrível como o método de ataque político (promover caça às bruxas de quem se discorda), a afecção proporcionada (mostrar-se ofendido com um ato localizado) e o fatalismo denunciado (defender que tal ato culminará num desequilíbrio social) representam exatamente o tipo de tática que há tempos tem tornado um lixo o debate público, só que agora com o sinal trocado: se antes eram os justiceiros sociais promovendo linchamento virtual, hoje são os conservadores mimizentos se sentindo ofendidos porque alguém contrariou seus valores sacros, mostrando que talvez os animais não sejam tão inferiores aos humanos como gostam de pensar.
Em certo sentido eu dou risada da situação: ora, um bando de marmanjo se ofendendo porque alguém salvou um rato é risível. Ainda assim, a situação é preocupante, porque mostra exatamente o tipo de coisa que venho criticando há tempos, que é o tribalismo político determinante da política nacional.
Seria o vegetarianismo uma obrigação ética? Na live de hoje batemos um papo descompromissado sobre o assunto. Começa às 19h.
youtu.be/efl4xQf8aMU
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YouTube
LIVE DO VEGETARIANISMO ÉTICO
Seria o vegetarianismo uma obrigação ética? Na live de hoje batemos um papo descompromissado sobre o assunto. Apoie o canal → https://www.alyssonaugusto.com....
Pessoal, tô com um projeto novo: um canal totalmente dedicado ao @AltruismoEficaz no YouTube. Por favor, inscrevam-se, pois me verão fazendo VÍDEOS INÉDITOS por lá. Basta acessar e aguardar os vídeos novos: http://bit.do/altruismo
Tô tendo aula agora com o Karnal. Aula de história, não de autoajuda. E o cara manja muito de muita coisa que eu sequer já ouvi falar. Ao menos ele passa essa impressão. Vou ver se consigo tirar uma selfie com ele. Amanhã teremos aula com ele de novo. O cara custa 5k por hora/aula. É apressado demais pra permitir que eu grave vídeo com ele, mas amanhã eu tento. Se tiverem ideias de perguntas que posso fazer a ele, mandem aí.
Vocês tem que entender que quando uma pessoa diz "ah como eu amo esse frio" ela tá querendo dizer "ah como eu amo estar protegida desse frio, aquecida e sem suar como costumo suar no calor". Pintar a pessoa como indiferente a moradores de rua por ela "gostar de frio" é apenas politizar a banalidade do fato de que todos gostamos de estar protegidos, e nenhum problema em expressarmos felicidade a partir disso.
Quanto a ajudar os animais, a depender da motivação, somos mais ou menos coerentes. Por ex., se minha motivação é ajudar os animais da forma mais eficiente possível, o veganismo é a opção mais segura a nível individual. Agora, se ajudar os animais é apenas uma parte da motivação que me levou ao ovolactovegetarianismo, provavelmente há outros fatores aí pesando e influenciando nos meus hábitos, o que pode ir desde a preguiça culinária até à mais pura "akrasia" (uma espécie de dissonância entre teoria e prática). O fato de um estilo de vida vegano por vezes exigir um custo energético maior das pessoas, especialmente para aquelas que não querem "perder tempo" pesquisando produtos e serviços, é um fator que pesa na motivação mesmo das que já têm o mindset vegano, ainda que não compartilhem de sua prática. E é justamente devido a essas interferências na motivação pessoal que acredito que o sucesso do veganismo depende muito mais da inovação tecnológica e da facilitação econômica do que propriamente da ideologia. Se o mercado dá os incentivos necessários para que "ser vegano" não seja mais um empecilho, mas inclusive uma facilidade a nível pessoal, então não haverá qualquer desculpa relativamente razoável para não ser vegano. Podemos até apontar a dissonância entre teoria e prática da pessoa, mas o real problema é muito mais relativo à natureza humana do que relativo a ter as motivações certas.
Mimo incrível que recebi hoje da @tecnopuc, me convidando pra #StartupGaragem, um programa de três meses que ajuda a transformar ideias 💡 em negócios. 💼
Com direito a cookie delicioso da @zcafeoficial, um livro dedicado a atacar os bancos (achei muito minha cara haha) indicado pela @anlab_br, uma carteira vegana da @querodobra (sempre quis uma!) e um planner personalizado da própria Tecnopuc, pra me organizar até o fim do ano (como sabem que tô precisando me organizar? Hmmm)
Ah, o mais legal é que a cartinha de convite é toda escrita à mão. Eu queria ter essa letra fofinha haha
A #StartupGaragem começa dia 19 de agosto e iniciará com palestra da @querodobra, que será aberta ao público - e eu espero demais conseguir ir!
Mais infos sobre a #StartupGaragem vocês podem encontrar em pucrs.br/tecnopuc/garagem (já tô até organizando minhas ideias pra disputar mais esse espaço!)
Com direito a cookie delicioso da @zcafeoficial, um livro dedicado a atacar os bancos (achei muito minha cara haha) indicado pela @anlab_br, uma carteira vegana da @querodobra (sempre quis uma!) e um planner personalizado da própria Tecnopuc, pra me organizar até o fim do ano (como sabem que tô precisando me organizar? Hmmm)
Ah, o mais legal é que a cartinha de convite é toda escrita à mão. Eu queria ter essa letra fofinha haha
A #StartupGaragem começa dia 19 de agosto e iniciará com palestra da @querodobra, que será aberta ao público - e eu espero demais conseguir ir!
Mais infos sobre a #StartupGaragem vocês podem encontrar em pucrs.br/tecnopuc/garagem (já tô até organizando minhas ideias pra disputar mais esse espaço!)
Alysson Augusto via @like
Finalmente nossos policiais terão uma qualificação de qualidade! Agora todos os meliantes que portarem Pepsis serão presos por tráfico de órgãos e apenas os policiais que estiverem com sorte do dia no horóscopo serão convocados para trabalhar. Temam diante disto, criminosos!
https://twitter.com/alystoteles/status/1153129672038854657
https://twitter.com/alystoteles/status/1153129672038854657
Conforme Sergio Tufik, renomado médico brasileiro que fundou o Instituto do Sono a partir de sua tese de doutorado, “só lembramos de um sonho se acordarmos no meio ou no final dele". Ou seja, se ao acordar você lembra do que estava sonhando, em nome da sua qualidade de vida é melhor identificar o que é que está causando esse rompimento de seu ciclo de sono REM (quando os olhos mexem rapidamente e nosso cérebro começa a produzir sonhos vívidos).
Tufik, no curso de especialização em neurociência e comportamento que estou fazendo na PUCRS, também disse que “o sono ideal é aquele do qual despertamos sem precisar de nenhum estímulo." Aqui podemos deduzir que, ao acordar lembrando de seu sonho, você pode estar sendo vitimado pelo seu despertador. O ideal é descobrir quantas horas mais ou menos seu corpo necessita para despertar naturalmente, e então programar seus sonos de acordo. Se você é menos regrado, como eu, aplicativos como o Sleep Cycle ajudam a prevenir esse tipo de rompimento brusco causado por alarmes instantâneos que interfere na qualidade de seu sono.
Se o seu corpo não dá conta de acordar naturalmente no horário desejado, que ao menos a sua utilização de tecnologias para despertar seja uma utilização não apenas eficiente, como também inteligente. Fica a dica.
Tufik, no curso de especialização em neurociência e comportamento que estou fazendo na PUCRS, também disse que “o sono ideal é aquele do qual despertamos sem precisar de nenhum estímulo." Aqui podemos deduzir que, ao acordar lembrando de seu sonho, você pode estar sendo vitimado pelo seu despertador. O ideal é descobrir quantas horas mais ou menos seu corpo necessita para despertar naturalmente, e então programar seus sonos de acordo. Se você é menos regrado, como eu, aplicativos como o Sleep Cycle ajudam a prevenir esse tipo de rompimento brusco causado por alarmes instantâneos que interfere na qualidade de seu sono.
Se o seu corpo não dá conta de acordar naturalmente no horário desejado, que ao menos a sua utilização de tecnologias para despertar seja uma utilização não apenas eficiente, como também inteligente. Fica a dica.
Pesquisar é difícil pra caramba, pois na maior parte do tempo você tá perdido, sem direção, tentando encontrar alguma noção de por onde ir pra, pelo menos, estabelecer uma linha de raciocínio coerente e que valha a leitura. Trata-se do processo de aprender para só depois ensinar.
Quando você lê um artigo em língua inglesa, é muito comum que ele tenha sido escrito em primeira pessoa caso apenas uma pessoa o tenha escrito, e em terceira pessoa caso duas ou mais tenham escrito.
Isso parece tão adequado à escrita que pode soar banal notar esse detalhe, mas não é banal quando você, acadêmico brasileiro, é incentivado a sempre escrever seus textos de modo impessoal, como que distanciando sua escrita da sua própria identidade.
Ao invés de falar "neste artigo eu mostro que X implica Z", você é incentivado (para não dizer forçado) a escrever "neste artigo nós mostramos/é demonstrado que X implica Z". Você pesquisou sozinho, escreveu sozinho e concluiu uma coisa da outra sozinho. Mas a formalidade brasileira comumente exige que você escreva num tom de impessoalidade, ou como se sua escrita fosse sempre uma escrita coletiva. E eu acredito que isso pode vir a ter alguns efeitos estranhos no próprio processo de escrita.
Dentre os possíveis "transtornos" que a exigência de impessoalidade pode causar (não confundamos com exigência de imparcialidade, que é louvável), temos por exemplo a geração de uma mentalidade específica no acadêmico brasileiro, em que ele se crê sempre como apenas um coadjuvante do conhecimento, alguém que deve reproduzir mais do que produzir, alguém que está apenas repassando informações já dadas, sem muita brecha para ir além do que já está estabelecido pelo seu campo de estudo.
Obviamente, efeitos complexos são multifatoriais, e não podemos simplesmente derivar a falta de originalidade acadêmica no Brasil de uma simples causa como uma mera formatação estilística de textos. Meu ponto é que a forma como escrevemos invariavelmente influi sobre a forma como pensamos, e se somos levados a escrever como se estivéssemos (relativamente) ausentes de todo nosso processo de pensamento, tendemos a nos ver não como protagonistas, mas como coadjuvantes do conhecimento, e assim nos tornamos excelentes comentaristas de filosofia, mas péssimos produtores de filosofia propriamente dita — ficamos, portanto, à margem da inovação e da disputa global pelo progresso.
De fato, talvez seja um tremendo exagero o que estou dizendo, mas é sempre marcante ler um anglo-saxão escrevendo em nome de si mesmo, colocando não apenas seus argumentos à prova, como também relacionando-os à sua própria identidade, e pleiteando originalidade argumentativa frente à comunidade de especialistas, disputando o terreno do conhecimento com a exposição de seus acertos e de suas falhas, não se bastando em simplesmente reproduzir o que autor de renome X ou autor Y disse sobre um assunto, mas indo além e efetivamente confrontando o que tais autores, especialmente contemporâneos a si, estão dizendo sobre os mais diferentes tópicos.
Embora todos tenhamos um background sempre coletivo, é preciso admitir, com pessoalidade e em primeira pessoa: eu sou o responsável pelos meus raciocínios, e todos têm o direito de saberem o que penso, por que penso e como penso. Travestir a visão pessoal do acadêmico como se fosse uma visão institucional é uma ilusão desnecessária e que só fomenta a aversão ao risco de muitos acadêmicos que temem arriscar originalidade e, por isso, serem mal recebidos por seus pares.
A mera institucionalização da possibilidade de falar formalmente em nome de si mesmo é um passo necessário, e se os países desenvolvidos já fazem isso desde o começo da carreira acadêmica, não é sem motivo.
Isso parece tão adequado à escrita que pode soar banal notar esse detalhe, mas não é banal quando você, acadêmico brasileiro, é incentivado a sempre escrever seus textos de modo impessoal, como que distanciando sua escrita da sua própria identidade.
Ao invés de falar "neste artigo eu mostro que X implica Z", você é incentivado (para não dizer forçado) a escrever "neste artigo nós mostramos/é demonstrado que X implica Z". Você pesquisou sozinho, escreveu sozinho e concluiu uma coisa da outra sozinho. Mas a formalidade brasileira comumente exige que você escreva num tom de impessoalidade, ou como se sua escrita fosse sempre uma escrita coletiva. E eu acredito que isso pode vir a ter alguns efeitos estranhos no próprio processo de escrita.
Dentre os possíveis "transtornos" que a exigência de impessoalidade pode causar (não confundamos com exigência de imparcialidade, que é louvável), temos por exemplo a geração de uma mentalidade específica no acadêmico brasileiro, em que ele se crê sempre como apenas um coadjuvante do conhecimento, alguém que deve reproduzir mais do que produzir, alguém que está apenas repassando informações já dadas, sem muita brecha para ir além do que já está estabelecido pelo seu campo de estudo.
Obviamente, efeitos complexos são multifatoriais, e não podemos simplesmente derivar a falta de originalidade acadêmica no Brasil de uma simples causa como uma mera formatação estilística de textos. Meu ponto é que a forma como escrevemos invariavelmente influi sobre a forma como pensamos, e se somos levados a escrever como se estivéssemos (relativamente) ausentes de todo nosso processo de pensamento, tendemos a nos ver não como protagonistas, mas como coadjuvantes do conhecimento, e assim nos tornamos excelentes comentaristas de filosofia, mas péssimos produtores de filosofia propriamente dita — ficamos, portanto, à margem da inovação e da disputa global pelo progresso.
De fato, talvez seja um tremendo exagero o que estou dizendo, mas é sempre marcante ler um anglo-saxão escrevendo em nome de si mesmo, colocando não apenas seus argumentos à prova, como também relacionando-os à sua própria identidade, e pleiteando originalidade argumentativa frente à comunidade de especialistas, disputando o terreno do conhecimento com a exposição de seus acertos e de suas falhas, não se bastando em simplesmente reproduzir o que autor de renome X ou autor Y disse sobre um assunto, mas indo além e efetivamente confrontando o que tais autores, especialmente contemporâneos a si, estão dizendo sobre os mais diferentes tópicos.
Embora todos tenhamos um background sempre coletivo, é preciso admitir, com pessoalidade e em primeira pessoa: eu sou o responsável pelos meus raciocínios, e todos têm o direito de saberem o que penso, por que penso e como penso. Travestir a visão pessoal do acadêmico como se fosse uma visão institucional é uma ilusão desnecessária e que só fomenta a aversão ao risco de muitos acadêmicos que temem arriscar originalidade e, por isso, serem mal recebidos por seus pares.
A mera institucionalização da possibilidade de falar formalmente em nome de si mesmo é um passo necessário, e se os países desenvolvidos já fazem isso desde o começo da carreira acadêmica, não é sem motivo.
Eu tô relativamente abismado com essa notícia, pois ao longo de um ano e meio, nas aulas de pedagogia na universidade, sempre foram romantizados os métodos construtivistas para a educação de crianças e adolescentes. O estudo mostra que o ensino direto é superior. Isso me lembrou de um professor de História das Américas que tive na PUCRS. Ele pegava a gente pela mão e levava longe. Aulas excelentes, memoráveis e totalmente direcionadas. Recebi a notícia com os destaques abaixo:
“Alunos aprendem quando o ensino é sistemático, explícito, em que o estudante não orienta o andamento das aulas, mas segue o professor, que é quem comanda o processo de aprendizagem. Isso é o que aponta uma pesquisa publicada na mais conceituada revista acadêmica de Educação do mundo, a Review of Educational Research, primeira no ranking de impacto do Scimago Journal Ranking, indicador internacional utilizado para medir a qualidade de estudos científicos.
A partir de um levantamento feito com resultados de 328 estudos publicados em 50 anos, entre 1966 e 2016, sobre diferentes métodos para ensinar, focando em 4 mil efeitos, quatro pesquisadores da Universidade de Oregon chegaram à conclusão que a “instrução direta”, que parte do princípio que todos os alunos podem aprender, desde que recebam instruções bem planejadas, tem resultados mais robustos comparados com outros métodos.
(...)
A pesquisa cita como exemplo de “instrução direta” o modelo inventado pelo pesquisador Siegfried Engelmann, na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. E aponta como menos eficazes:
o construtivismo, quando o aluno teoricamente seria protagonista na construção do conhecimento, mas, na prática, é muitas vezes colocado na situação de ter de ‘adivinhar’ conceitos – crianças de maior vulnerabilidade social são as principais prejudicadas por esse modelo, por terem menos recursos em seu entorno familiar;
a abordagem desenvolvimentista, que ensina de acordo com padrões comportamentais (evidências do estudo mostram que o ensino direto aumenta a autoestima da criança e, por consequência, seu comportamento);
as teorias de estilos de aprendizagem, baseadas na tese de que cada pessoa tem uma forma diferente para aprender.”
"Depois do método fônico já ter sido exaustivamente provado como eficaz através de uma combinação entre experimentos sociais e neurociência, agora a instrução direta comprova uma eficácia superior por meio de uma respeitada pesquisa. Ou seja, a metodologia construtivista está completamente defasada em relação às evidências científicas e deve causar muito dano ao aprendizado no nosso país."
https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/estudo-reforca-evidencia-de-que-a-instrucao-direta-e-mais-eficaz-que-o-construtivismo/
“Alunos aprendem quando o ensino é sistemático, explícito, em que o estudante não orienta o andamento das aulas, mas segue o professor, que é quem comanda o processo de aprendizagem. Isso é o que aponta uma pesquisa publicada na mais conceituada revista acadêmica de Educação do mundo, a Review of Educational Research, primeira no ranking de impacto do Scimago Journal Ranking, indicador internacional utilizado para medir a qualidade de estudos científicos.
A partir de um levantamento feito com resultados de 328 estudos publicados em 50 anos, entre 1966 e 2016, sobre diferentes métodos para ensinar, focando em 4 mil efeitos, quatro pesquisadores da Universidade de Oregon chegaram à conclusão que a “instrução direta”, que parte do princípio que todos os alunos podem aprender, desde que recebam instruções bem planejadas, tem resultados mais robustos comparados com outros métodos.
(...)
A pesquisa cita como exemplo de “instrução direta” o modelo inventado pelo pesquisador Siegfried Engelmann, na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. E aponta como menos eficazes:
o construtivismo, quando o aluno teoricamente seria protagonista na construção do conhecimento, mas, na prática, é muitas vezes colocado na situação de ter de ‘adivinhar’ conceitos – crianças de maior vulnerabilidade social são as principais prejudicadas por esse modelo, por terem menos recursos em seu entorno familiar;
a abordagem desenvolvimentista, que ensina de acordo com padrões comportamentais (evidências do estudo mostram que o ensino direto aumenta a autoestima da criança e, por consequência, seu comportamento);
as teorias de estilos de aprendizagem, baseadas na tese de que cada pessoa tem uma forma diferente para aprender.”
"Depois do método fônico já ter sido exaustivamente provado como eficaz através de uma combinação entre experimentos sociais e neurociência, agora a instrução direta comprova uma eficácia superior por meio de uma respeitada pesquisa. Ou seja, a metodologia construtivista está completamente defasada em relação às evidências científicas e deve causar muito dano ao aprendizado no nosso país."
https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/estudo-reforca-evidencia-de-que-a-instrucao-direta-e-mais-eficaz-que-o-construtivismo/
Gazeta do Povo
Estudo reforça evidência de que a instrução direta é mais eficaz que o construtivismo
Resultados de 328 estudos publicados em 50 anos mostram a ampla vantagem da “instrução direta” em relação a outros métodos, como o construtivismo. Entenda.
O trabalho é, em primeiro lugar, um processo de que participam igualmente o homem e a natureza, e no qual o homem espontaneamente inicia, regula e controla as relações materiais entre si próprio e a natureza. Ele se opõe à natureza como uma de suas próprias forças, pondo em movimento braços e pernas, as forças naturais de seu corpo, a fim de apropriar-se das produções da natureza de forma ajustada às suas próprias necessidades. Pois, atuando assim sobre o mundo exterior e modificando-o, ao mesmo tempo ele modifica a sua própria natureza. [...] Não estamos lidando agora com aquelas formas primitivas de trabalho que nos recordam apenas o mero animal. [...] Pressupomos o trabalho em uma forma que o caracteriza como exclusivamente humano. Uma aranha leva a cabo operações que lembram as de um tecelão, e uma abelha deixa envergonhados muitos arquitetos na construção de suas colmeias. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é que o arquiteto ergue a construção em sua mente antes de a erguer na realidade. Na extremidade de todo processo de trabalho, chegamos a um resultado já existente antes na imaginação do trabalhador ao começá-lo.
- MARX, Karl. O Capital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, v. 6.
- MARX, Karl. O Capital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, v. 6.
Hoje foi meu primeiro dia como professor de filosofia no JPSul. Recepção nota 10 por parte da equipe, com colegas bastante profissionais e, pude perceber, realmente eficientes. Mas o melhor são os alunos: demonstraram verdadeiro interesse e curiosidade sobre essa tal coisa chamada filosofia. Me sinto privilegiado pela missão de motivar mais e mais jovens ao engajamento racional nesse mundo. A ambição é simples: extrair o melhor que a filosofia pode oferecer para esses jovens, associando o melhor da tecnologia ao melhor do conteúdo filosófico.