Alysson Augusto
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Eu tô relativamente abismado com essa notícia, pois ao longo de um ano e meio, nas aulas de pedagogia na universidade, sempre foram romantizados os métodos construtivistas para a educação de crianças e adolescentes. O estudo mostra que o ensino direto é superior. Isso me lembrou de um professor de História das Américas que tive na PUCRS. Ele pegava a gente pela mão e levava longe. Aulas excelentes, memoráveis e totalmente direcionadas. Recebi a notícia com os destaques abaixo:

“Alunos aprendem quando o ensino é sistemático, explícito, em que o estudante não orienta o andamento das aulas, mas segue o professor, que é quem comanda o processo de aprendizagem. Isso é o que aponta uma pesquisa publicada na mais conceituada revista acadêmica de Educação do mundo, a Review of Educational Research, primeira no ranking de impacto do Scimago Journal Ranking, indicador internacional utilizado para medir a qualidade de estudos científicos.

A partir de um levantamento feito com resultados de 328 estudos publicados em 50 anos, entre 1966 e 2016, sobre diferentes métodos para ensinar, focando em 4 mil efeitos, quatro pesquisadores da Universidade de Oregon chegaram à conclusão que a “instrução direta”, que parte do princípio que todos os alunos podem aprender, desde que recebam instruções bem planejadas, tem resultados mais robustos comparados com outros métodos.

(...)

A pesquisa cita como exemplo de “instrução direta” o modelo inventado pelo pesquisador Siegfried Engelmann, na Universidade de Oregon, nos Estados Unidos. E aponta como menos eficazes:

o construtivismo, quando o aluno teoricamente seria protagonista na construção do conhecimento, mas, na prática, é muitas vezes colocado na situação de ter de ‘adivinhar’ conceitos – crianças de maior vulnerabilidade social são as principais prejudicadas por esse modelo, por terem menos recursos em seu entorno familiar;

a abordagem desenvolvimentista, que ensina de acordo com padrões comportamentais (evidências do estudo mostram que o ensino direto aumenta a autoestima da criança e, por consequência, seu comportamento);

as teorias de estilos de aprendizagem, baseadas na tese de que cada pessoa tem uma forma diferente para aprender.”

"Depois do método fônico já ter sido exaustivamente provado como eficaz através de uma combinação entre experimentos sociais e neurociência, agora a instrução direta comprova uma eficácia superior por meio de uma respeitada pesquisa. Ou seja, a metodologia construtivista está completamente defasada em relação às evidências científicas e deve causar muito dano ao aprendizado no nosso país."

https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/estudo-reforca-evidencia-de-que-a-instrucao-direta-e-mais-eficaz-que-o-construtivismo/
O trabalho é, em primeiro lugar, um processo de que participam igualmente o homem e a natureza, e no qual o homem espontaneamente inicia, regula e controla as relações materiais entre si próprio e a natureza. Ele se opõe à natureza como uma de suas próprias forças, pondo em movimento braços e pernas, as forças naturais de seu corpo, a fim de apropriar-se das produções da natureza de forma ajustada às suas próprias necessidades. Pois, atuando assim sobre o mundo exterior e modificando-o, ao mesmo tempo ele modifica a sua própria natureza. [...] Não estamos lidando agora com aquelas formas primitivas de trabalho que nos recordam apenas o mero animal. [...] Pressupomos o trabalho em uma forma que o caracteriza como exclusivamente humano. Uma aranha leva a cabo operações que lembram as de um tecelão, e uma abelha deixa envergonhados muitos arquitetos na construção de suas colmeias. Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é que o arquiteto ergue a construção em sua mente antes de a erguer na realidade. Na extremidade de todo processo de trabalho, chegamos a um resultado já existente antes na imaginação do trabalhador ao começá-lo.

- MARX, Karl. O Capital. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2008, v. 6.
Hoje foi meu primeiro dia como professor de filosofia no JPSul. Recepção nota 10 por parte da equipe, com colegas bastante profissionais e, pude perceber, realmente eficientes. Mas o melhor são os alunos: demonstraram verdadeiro interesse e curiosidade sobre essa tal coisa chamada filosofia. Me sinto privilegiado pela missão de motivar mais e mais jovens ao engajamento racional nesse mundo. A ambição é simples: extrair o melhor que a filosofia pode oferecer para esses jovens, associando o melhor da tecnologia ao melhor do conteúdo filosófico.
Neste fim de semana terei aula com a grande neurocientista Suzana Herculano-Houzel no curso de neurociência e comportamento da PUCRS Online.

Se alguém quiser endereçar alguma pergunta a ela por meio de minha pessoa, estamos aí! (vai que ela aceita gravar um vídeo comigo, né).
Recomendação.
Eu tento mas juro que não consigo acreditar na ideia de "Direitos naturais". Tô lendo o livro The Animal Rights Debate, em que Tom Regan e Carl Cohen, dois defensores da ideia de direitos naturais, se alfinetam quanto ao tópico em disputa: animais não-humanos têm ou não têm direitos? Regan acredita que sim, e Cohen acredita que não. O ruim é que não consigo concordar com nenhum sobre isso: a ideia de direitos naturais me parece extremamente circular, uma convenção social que tomamos como dogma pois é socialmente útil. Ou seja, entende-se que direitos justificam-se a si mesmos, quando, ao meu ver, só fazem sentido à luz de sua utilidade.

Alguém aí tem um argumento decisivo para a defesa da existência (objetiva) de direitos naturais?
Num momento sou workaholic, totalmente dedicado a fazer acontecer, empolgado com tudo que toco e desejante de produzir e produzir e ver o resultado do que tô fazendo. No outro momento, sou pseudo-depressivo, sem rumo, com vontade de ficar apenas deitado e sem cabeça e entusiasmo pra qualquer coisa. Meu lado workaholic fica puto com essas pausas demoradas, afinal é perda de tempo frente à necessidade de fazer tantas coisas ainda não realizadas; já meu lado pseudo-depressivo julga meu lado workaholic como uma ficção geradora de sentido, algo meramente útil frente ao fato (?) de que a vida não tem um sentido objetivo, que somos produtos evolutivos de uma grande complexidade que não entendemos e nunca iremos compreender. Há boas "razões de ser" de ambos os lados, como se uma coisa nivelasse a outra, combatendo seus excessos. O problema é ficar estagnado numa das condições, apontando constantemente a outra como fútil, desesperada e totalmente equivocada. Essa inconstância de estados de espírito é interessante, e me ajuda a perceber o quão complicado é existir - afinal, em última instância, não sabemos ao certo porque existimos (se há um propósito ou há apenas acaso), e se perguntar sobre isso, a fundo, pode ser perigoso.
Para Pierre Lévy, as ciências humanas precisam passar por uma revolução, como passaram as naturais, e a tecnologia é a chave pra atingir um patamar mínimo no tratamento dessa área.

https://youtu.be/-TsnLqycweI
Parece que o novo Coringa é vegano. Hitler era vegetariano. Dois personagens maléficos do mundo contemporâneo defendem os animais. Batman come carne. Os americanos e os russos que derrotaram o nazismo comiam carne. De que lado você está!?!?!/?!?!souretardado/ironia
Já gravei e tô editando um vídeo respondendo ao Paulo Kogos e sua "refutação lógica" dos Direitos dos Animais. Se eu conseguir postar hoje, posto hoje. Mas a princípio sairá amanhã. De toda forma, ativem o sininho lá no canal pra ficarem sabendo quando for postado. bjs de luz
NOVO AUDIOTEXTO!

Em abril de 1783 o jornal germânico Berlinische Monatschrift perguntava: "O que é o esclarecimento?" Diversas respostas foram enviadas, mas foi um ano depois, em dezembro de 1784, que o filósofo Immanuel Kant responderia a questão com um brevíssimo ensaio, que no entanto ficou famoso e teve o maior impacto dentre todas as respostas.

https://youtu.be/8F75nk1D-lo
Alain Badiou, filósofo marroquino naturalizado francês, escreveu o seu Manifesto Pela Filosofia, no qual responde à mentalidade niilista do século XX que crê ter a filosofia chegado ao seu fim.

https://youtu.be/_oLLWaF_zUE
REVELADA A VERDADE SOBRE OLAVO DE CARVALHO!!111onze

Algumas impressões inicias sobre Antonio Gramsci, hegemonia cultural, marxismo cultural, revolução, burguesia, proletariado, Karl Marx, guerra cultural, superestrutura, infraestrutura, estruturalismo, marxismo ortodoxo, marxismo humanista e outras divagações. Buscando entender o que Olavo de Carvalho tem a ver com isso tudo, e por que ele bate tanto na tecla de que a direita deve buscar hegemonia na cultura.

https://youtu.be/jk3maHZ-CPw
P1: Filósofo é aquele que busca a verdade
P2: Não busca a verdade aquele que aplica táticas o tempo todo para provar que está certo
P3: Olavo de Carvalho aplica táticas o tempo todo para provar que está certo. C: Olavo não é filósofo. Este argumento é:
Anonymous Poll
71%
O argumento é válido e verdadeiro
21%
É válido, mas não verdadeiro
8%
Nem válido nem verdadeiro, sou olavete
Existe uma reclamação contra analíticos que considero extremamente legítima: quando o cara usa notação lógica o tempo todo pra provar suas asserções sem sequer se preocupar se o outro lado tá entendendo, tipo:

A → B ⊨ ¬B → ¬A (em que A = choveu e B = molhou).

A forma lógica acima é fácil de entender quando você tá treinado. Porém, numa discussão com leigos, o melhor a se fazer é simplesmente dizer "Se choveu, então molhou. Portanto, se não molhou, então não choveu."

De nada adianta meter analiticidade trigonometricamente conjecturada no debate se os outros não te entendem. A graça da precisão lógica é justamente fazer-se entender.

Se a estrutura proposicional apenas é traduzida como argumento de autoridade ("eu sou analítico, uh durh, olha como sei escrever sentenças como se fosse matemática"), então sua preocupação não é com clarificação de ideias; seu interesse é o de apenas colocar o pau na mesa e mensurá-lo com a régua do pi.

Deve enrijecer-se quando comentam: "Ah lá, analiTicão ele."
"Leitura estrutural", aparentemente um método bastante comum em algumas cadeiras continentais, parece ser mais uma forma de colocar na conta do leitor o que deveria ser trabalho do autor.

Mas o que é essa tal leitura estrutural? O objetivo é isto: "Identificadas as partes [do texto] e as relações entre elas, você tem agora a estrutura do texto, e deve expô-la de maneira a explicar o texto."

Mano, se o autor não estrutura seu próprio texto adequadamente, colocando capítulos em ordem, por que eu tenho que ficar descobrindo como ele desenvolveu o próprio raciocínio?

Ontem eu critiquei analíticos. Pra ser justo, fica aí uma crítica a continentais, que perdem muito tempo tentando se entender, apelando a métodos analíticos de interpretação de texto mas sem partir pro que é fundamental: exigir que conty escreva que nem gente.