Me parece extremamente problemática a ideia de que, devido ao impeachment ter um viés não só jurídico como também político, ele automaticamente torna-se um tipo de corrupção, um mal que atenta contra a democracia, um "golpe".
Afinal, o que se está dizendo é que, se algo tem um lado político, logo este algo é mal-caráter. É triste que defendam isso, pois engana-se quem pensa assim.
Toda e qualquer manifestação pública que vise modificar a sociedade (tanto em termos sociais e/ou econômicos) é, naturalmente, política. Quando alguém usa a expressão "político" ou "política" para denegrir uma ação, esse alguém está defendendo a errônea ideia de que "política não presta".
O que estamos vivendo no Brasil tem sim seu caráter fortemente político, e tem sim seu lado jurídico. O que acontece é que, se realmente defendemos a democracia, devemos defender o fato de que a democracia não se limita à presidência da república.
A democracia é esta grande mescla de interesses que se apoiam mutuamente ou se negam. A partir dessas uniões (para não dizer conchavos) e rupturas, acaba por direcionar o país para algum lugar, seja lá para onde for.
Quando alguém diz, portanto, que "democracia é respeitar os tantos milhões de votos dos brasileiros", está dizendo, indiretamente, que "democracia é respeitar só esses votos, ignorando as massas que protestam nas ruas e passando por cima dos votos que colocaram os deputados e senadores, responsáveis pelo julgamento da presidente, em seus atuais postos".
Aceite: a presidente não é a única representante democraticamente eleita. Há diversos outros representantes que, quer você queira ou não, têm legitimidade para julgá-la. E foi o povo, este que você tanto diz defender e amar, que os colocou lá.
- Alysson Augusto
Afinal, o que se está dizendo é que, se algo tem um lado político, logo este algo é mal-caráter. É triste que defendam isso, pois engana-se quem pensa assim.
Toda e qualquer manifestação pública que vise modificar a sociedade (tanto em termos sociais e/ou econômicos) é, naturalmente, política. Quando alguém usa a expressão "político" ou "política" para denegrir uma ação, esse alguém está defendendo a errônea ideia de que "política não presta".
O que estamos vivendo no Brasil tem sim seu caráter fortemente político, e tem sim seu lado jurídico. O que acontece é que, se realmente defendemos a democracia, devemos defender o fato de que a democracia não se limita à presidência da república.
A democracia é esta grande mescla de interesses que se apoiam mutuamente ou se negam. A partir dessas uniões (para não dizer conchavos) e rupturas, acaba por direcionar o país para algum lugar, seja lá para onde for.
Quando alguém diz, portanto, que "democracia é respeitar os tantos milhões de votos dos brasileiros", está dizendo, indiretamente, que "democracia é respeitar só esses votos, ignorando as massas que protestam nas ruas e passando por cima dos votos que colocaram os deputados e senadores, responsáveis pelo julgamento da presidente, em seus atuais postos".
Aceite: a presidente não é a única representante democraticamente eleita. Há diversos outros representantes que, quer você queira ou não, têm legitimidade para julgá-la. E foi o povo, este que você tanto diz defender e amar, que os colocou lá.
- Alysson Augusto
Um dos motivos pelos quais me vi desinteressado em escrever sobre sentimentos é o notável fato de que esse mundo de “escritores de amorzinho na internet” é, em muitos sentidos, repudiável.
É realmente muito difícil descobrir alguém que escreva nesse nicho sem, sobretudo, exaltar sua imagem. É um culto e louvação ao ego sem precedentes, de tal forma que, na maioria das vezes, a capacidade de exercer um pensamento complexo e “fora da caixa” é soterrada pela constante pressão em manter as aparências, tendo que escrever mais e mais semanalmente, a fim de alimentar o público que você têm cultivado.
Essa pressão torna o conteúdo simplista, de fácil digestão e, muitas vezes, avesso á crítica. Nesse hábito os escritores mantêm personalidades arrogantes, pois é muito mais fácil adaptar suas próprias crenças a acreditar que está sempre fazendo um ótimo trabalho do que estar aberto ao fato de que você, ao fim das contas, pode sim ser um merda, que usa de inúmeros clichês e um falatório vazio para se crer especial (com o elogio dos outros, menos críticos ainda, sobre o que você faz, é claro).
Está claro que não apenas selfies servem para massagear o ego. A escrita também. Não à toa há uma carga de aparência quanto a algo que deveria, a princípio, ter tão somente seu conteúdo louvado.
O escritor “mais bonito” tem vantagem em relação ao menos bonito, ainda mais numa era de redes sociais, em que buscamos nos outros a personificação do melhor que gostaríamos de ter em nós mesmos.
E quando você tem que manter as aparências acima de tudo, seu trabalho naturalmente perde a qualidade — você está mais focado não no conteúdo de sua criação, mas em seu resultado e no que você ganhará com isso.
O amor à escrita não é critério para ser escritor. Às vezes, basta o amor a si mesmo. Amor excessivo e narcísico a si mesmo.
- Alysson Augusto
Originalmente postado em meu Medium.
É realmente muito difícil descobrir alguém que escreva nesse nicho sem, sobretudo, exaltar sua imagem. É um culto e louvação ao ego sem precedentes, de tal forma que, na maioria das vezes, a capacidade de exercer um pensamento complexo e “fora da caixa” é soterrada pela constante pressão em manter as aparências, tendo que escrever mais e mais semanalmente, a fim de alimentar o público que você têm cultivado.
Essa pressão torna o conteúdo simplista, de fácil digestão e, muitas vezes, avesso á crítica. Nesse hábito os escritores mantêm personalidades arrogantes, pois é muito mais fácil adaptar suas próprias crenças a acreditar que está sempre fazendo um ótimo trabalho do que estar aberto ao fato de que você, ao fim das contas, pode sim ser um merda, que usa de inúmeros clichês e um falatório vazio para se crer especial (com o elogio dos outros, menos críticos ainda, sobre o que você faz, é claro).
Está claro que não apenas selfies servem para massagear o ego. A escrita também. Não à toa há uma carga de aparência quanto a algo que deveria, a princípio, ter tão somente seu conteúdo louvado.
O escritor “mais bonito” tem vantagem em relação ao menos bonito, ainda mais numa era de redes sociais, em que buscamos nos outros a personificação do melhor que gostaríamos de ter em nós mesmos.
E quando você tem que manter as aparências acima de tudo, seu trabalho naturalmente perde a qualidade — você está mais focado não no conteúdo de sua criação, mas em seu resultado e no que você ganhará com isso.
O amor à escrita não é critério para ser escritor. Às vezes, basta o amor a si mesmo. Amor excessivo e narcísico a si mesmo.
- Alysson Augusto
Originalmente postado em meu Medium.
Medium
Por que parei de escrever sobre “amorzinho” na internet
Um dos motivos pelos quais me vi desinteressado em escrever sobre sentimentos, lá nas minhas páginas Alysson Augusto e T…
Escrevi o artigo abaixo, falando do oportunismo de algumas pessoas frente ao fato de que há muitas outras em cima do muro. Boa leitura!
Forwarded from Xibolete
O isentão se apropria da ideia de imparcialidade quanto ao julgamento, mas o faz a fim de influenciar os verdadeiramente isentos.
Leia: http://ano-zero.com/isentao-governo/
Leia: http://ano-zero.com/isentao-governo/
Ano Zero
O "isentão" e a mania de tirar o governo da reta
O isentão se apropria da ideia de imparcialidade quanto ao julgamento, mas o faz a fim de influenciar os verdadeiramente isentos.
Se não vivermos o momento, viveremos o quê? Só temos o momento. Sem o momento presente, nada temos.
Passado é fatos armazenados na memória. Sem memória, o que resta? O momento.
No futuro, temos ideias de momentos vindouros. E tais ideias só acontecem porque temos, agora, um momento presente nos possibilitando a projeção de momentos futuros no nosso consciente.
- Alysson Augusto
Passado é fatos armazenados na memória. Sem memória, o que resta? O momento.
No futuro, temos ideias de momentos vindouros. E tais ideias só acontecem porque temos, agora, um momento presente nos possibilitando a projeção de momentos futuros no nosso consciente.
- Alysson Augusto
Chocolate branco ou preto, café com ou sem açúcar, ou isso ou aquilo. Ou oito, ou oitenta.
Se tem indecisão, é porque tem opção. Se tem opção, qual é da escolha a condição? Gente que reclama, pede liberdade de escolha, e quando a tem não sabe ir além.
Gente carente de sensação de autonomia, coisa que, se pensar bem, tem na rotina, mas na hora de decidir sequer opta pelo que convém.
É, minha gente, tá na hora de tomar a frente, agir de modo consciente e reclamar só quando tiver razão.
A não ser que prefiram o paredão, que suma a liberdade sobre a própria decisão e o dilema torne-se:
"Ou oito ou nem tenta."
- Alysson Augusto
Se tem indecisão, é porque tem opção. Se tem opção, qual é da escolha a condição? Gente que reclama, pede liberdade de escolha, e quando a tem não sabe ir além.
Gente carente de sensação de autonomia, coisa que, se pensar bem, tem na rotina, mas na hora de decidir sequer opta pelo que convém.
É, minha gente, tá na hora de tomar a frente, agir de modo consciente e reclamar só quando tiver razão.
A não ser que prefiram o paredão, que suma a liberdade sobre a própria decisão e o dilema torne-se:
"Ou oito ou nem tenta."
- Alysson Augusto
Sabe, tenho saudade de você. Saudade da gente, na verdade. Saudade de tudo o que fomos e do que poderíamos ser.
Saudade dos afetos e dos abraços, dos carinhos e dos amassos, saudade até das amarguras que vivenciamos sem querer.
Saudade dos dias e das alegrias, das noites bem ou mal dormidas, saudade da perfeita sintonia que cultivávamos sem saber.
E isso te digo com muita bondade: sim, tenho saudade, e ela é ferida no peito que arde sem doer.
- Alysson Augusto
Saudade dos afetos e dos abraços, dos carinhos e dos amassos, saudade até das amarguras que vivenciamos sem querer.
Saudade dos dias e das alegrias, das noites bem ou mal dormidas, saudade da perfeita sintonia que cultivávamos sem saber.
E isso te digo com muita bondade: sim, tenho saudade, e ela é ferida no peito que arde sem doer.
- Alysson Augusto
Não é raro usarmos de espaços na internet para aprendermos algumas coisas específicas. Na verdade, ultimamente tem sido muito mais comum que procuremos nas redes sociais, por meio de opiniões alheias, razões para crermos ou não em algo.
Quando nos pegamos em situações complexas de divergência, principalmente entre familiares, em que sentimos necessidade de ter os melhores argumentos para demonstrarmos as melhores razões, tendemos a nos perguntar: "o que aquela galera, lá do grupo do Facebook, que eu admiro pacas, diria sobre isso?".
Neste breve exercício de "reflexão por meio da cabeça alheia" buscamos, acima de tudo, ter o que falar sobre coisas que, talvez, não conheçamos de forma suficiente para falar sobre. E quando só nos interessa "dar a última palavra", temos a prova maior de que só nos importa ter razão, e não entender a razão que move as pessoas a pensarem diferente da gente.
Quando recorremos aos outros para dizer algo, ao invés de analisarmos o que está sendo dito por nós próprios, temos aí o que chamo de "desespero por achar um argumento que cale a boca do outro".
Se a gente se preocupa mais em calar quem pensa diferente do que analisar seus pontos e rebater de acordo com a racionalidade em jogo, ficamos burramente desesperados quando a divergência dá as caras, e assim caímos num apego à ideologia que é a própria essência do autoengano.
- Alysson Augusto
Quando nos pegamos em situações complexas de divergência, principalmente entre familiares, em que sentimos necessidade de ter os melhores argumentos para demonstrarmos as melhores razões, tendemos a nos perguntar: "o que aquela galera, lá do grupo do Facebook, que eu admiro pacas, diria sobre isso?".
Neste breve exercício de "reflexão por meio da cabeça alheia" buscamos, acima de tudo, ter o que falar sobre coisas que, talvez, não conheçamos de forma suficiente para falar sobre. E quando só nos interessa "dar a última palavra", temos a prova maior de que só nos importa ter razão, e não entender a razão que move as pessoas a pensarem diferente da gente.
Quando recorremos aos outros para dizer algo, ao invés de analisarmos o que está sendo dito por nós próprios, temos aí o que chamo de "desespero por achar um argumento que cale a boca do outro".
Se a gente se preocupa mais em calar quem pensa diferente do que analisar seus pontos e rebater de acordo com a racionalidade em jogo, ficamos burramente desesperados quando a divergência dá as caras, e assim caímos num apego à ideologia que é a própria essência do autoengano.
- Alysson Augusto
Não dá pra simplesmente dizer que aqueles que se manifestam hoje, contra o chamado "golpe", não têm legitimidade, partindo de como gostaríamos que fossem as coisas. As coisas estão dadas, temos portanto que trabalhar em cima delas - seja as analisando, seja as atribuindo novos factoides para sustentar narrativas.
Vi pessoas reclamando do fato de estarem interditando vias públicas, inclusive sugerindo que, já que manifestação é constitucional, que liberassem os sambódromos para fazê-lo (como se o intuito de manifestações não fosse causar incômodos), ao invés de deixarem que atrapalhem os "cidadãos de bem, trabalhadores e que sustentam este país".
Ditar qual seja a opinião mais correta sobre os ocorridos não é um bom caminho - é cair em autoritarismo equivalente ao daqueles que se critica.
Se queremos saber o que pensar, portanto, o melhor que podemos fazer é analisar jurídica e moralmente, avaliando nossos interesses sobre a questão, e buscando descobrir a opinião mais sensata que busque conciliar os direitos de manifestação dessa galera "anti-golpista" e os direitos de ir e vir - e de ter uma vida sossegada - dos que os consideram vagabundos.
Favorecer uns em detrimento dos outros não é a saída, e com toda certeza não é uma via democrática (seja para os que dizem defender a democracia, mas o fazem se impondo; seja para os que querem corruptos presos, mas ignoram sua parcela de responsabilidade).
- Alysson Augusto
Vi pessoas reclamando do fato de estarem interditando vias públicas, inclusive sugerindo que, já que manifestação é constitucional, que liberassem os sambódromos para fazê-lo (como se o intuito de manifestações não fosse causar incômodos), ao invés de deixarem que atrapalhem os "cidadãos de bem, trabalhadores e que sustentam este país".
Ditar qual seja a opinião mais correta sobre os ocorridos não é um bom caminho - é cair em autoritarismo equivalente ao daqueles que se critica.
Se queremos saber o que pensar, portanto, o melhor que podemos fazer é analisar jurídica e moralmente, avaliando nossos interesses sobre a questão, e buscando descobrir a opinião mais sensata que busque conciliar os direitos de manifestação dessa galera "anti-golpista" e os direitos de ir e vir - e de ter uma vida sossegada - dos que os consideram vagabundos.
Favorecer uns em detrimento dos outros não é a saída, e com toda certeza não é uma via democrática (seja para os que dizem defender a democracia, mas o fazem se impondo; seja para os que querem corruptos presos, mas ignoram sua parcela de responsabilidade).
- Alysson Augusto
Forwarded from Xibolete
Você já perdeu algum contato porque curte a página de certo político? Talvez você não saiba, mas provavelmente já tenha sido vítima desta infantilidade.
Leia: http://bit.ly/infantilidade
Leia: http://bit.ly/infantilidade
Ano Zero
A infantilidade em excluir quem pensa diferente
Você já perdeu algum contato porque curte a página de certo político? Talvez você não saiba, mas provavelmente já tenha sido excluído.
Escrevi recentemente o artigo acima, no qual falo da necessidade do diálogo. Espero que aproveitem!