Alysson Augusto
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Ao examinar as considerações militares levantadas por Kant, Clausewitz, Marx, Engels e Tolstoy no decorrer de suas carreiras, o filósofo e teórico político escocês W. B. Gallie observa:

“Com exceção de Kant, todos esses autores foram escritores capazes, sendo alguns até excepcionalmente dotados. [...] Toda a obra política de Kant data de sua velhice, quando seu estilo já não era o mesmo. Além do mais, Kant foi um dos poucos filósofos em que o homem se dissocia do estilo: a forma da obra obsessivamente pedante; a criatura, apesar de algumas patéticas fraquezas, heroicamente humana. Portanto, não tive escrúpulos em escrever e ordenar novamente as opiniões expressas na Paz Perpétua, de forma a evidenciar suas provas, questões, argumentos e conclusões mais originais – escondidos pelos desajeitados esforços de Kant para popularizar o panfleto.” (W. B. Gallie – Os Filósofos da Paz e da Terra. 1979)

Sempre achei que Kant escreve extremamente mal, mas pelo visto não tô sozinho.
"Veganismo" virou um palavrão pra alguns, e um título honrável pra outros. Independente do que você ache do termo e do que ele pode significar, o importante sempre foi reconhecer que, se é pro veganismo ter algum conteúdo, trata-se da preocupação em defender os animais não-humanos.

Se você é vegano por modinha, ou se você não é vegano só porque não gosta de modinha, você ainda assim precisa admitir que só faz sentido falar (seriamente) sobre veganismo quando se fala (seriamente) sobre direitos dos animais.

Se você não está falando sobre direitos dos animais, mas apenas sobre o quão chato é determinado vegano, ou sobre o quanto a causa vegana comporta gente extremista apaixonada, você não está levando os direitos dos animais a sério — está, na verdade, apenas levando futilidades a sério.

Quando se fala de veganismo, toda discussão para além dos direitos dos animais é apenas secundária ou mesmo dispensável. Não se destrói o núcleo de uma ideia atacando sua superfície.

@alyaugusto
O Edoardo Lobl já foi entrevistado no meu canal, e agora resolveu criar o próprio canal onde ele bate um papo com convidados de diferentes áreas. No primeiro ETalks, o Edoardo entrevista o Vitor Douglas (que também já participou do meu canal). Tá bem papo cabeça essa conversa, recomendo!

https://youtu.be/0XX5VHO4LWs
Descobri a utilidade do novo avatar do Facebook.
Precisamos de mais direitos a animais e não mais penas em favor de cães e gatos agora.
O principal nome da Teoria da Evolução, Charles Darwin, revolucionou a história da humanidade por, justamente, aproximar o ser humano dos outros animais. No seguinte trecho, Gary Francione explica a importância de Darwin na defesa dos animais não-humanos:

"É empiricamente difícil negar que os animais possuem muitas das características mentais que temos considerado exclusivas aos humanos. De fato, a proposição de que os humanos têm características mentais totalmente ausentes nos animais demonstra uma confusão sobre a teoria da evolução, que, embora contestada por alguns extremistas religiosos, geralmente é aceita pela maioria das pessoas educadas em todo o mundo.

Charles Darwin deixou claro que não existem características unicamente humanas, quando escreveu que 'a diferença entre a capacidade mental do homem e a dos animais superiores, por grande que seja, é certamente uma diferença de grau e não de tipo.'

Darwin não tinha dúvida de que os cachorros, gatos, animais de fazenda e outros são capazes de pensar e têm muitas das mesmas reações emocionais que os humanos têm: 'os sentidos e as intuições, as diferentes emoções e faculdades, tais como o amor, a memória, a atenção, a curiosidade, a imitação, a razão etc., dos quais o homem se gaba, podem ser encontrados em estado incipiente, ou às vezes até bem desenvolvido, nos animais inferiores.'

Darwin afirmou que os animais fêmeas exibiam afeição maternal e observou que 'os animais que se tornam companheiros têm um sentimento de amor uns pelos outros' e que 'muitos animais [...] certamente se compadecem dos outros que estejam angustiados ou em perigo.'

Quaisquer diferenças entre os humanos e os animais, Darwin afirmava, são diferenças de grau, ou diferenças quantitativas, e não diferenças de tipo, ou diferenças qualitativas. Em resumo, os humanos não têm nenhuma característica exclusivamente humana que possa justificar um tratamento diferencial baseado apenas na espécie."

Gary Francione, Introdução aos Direitos Animais: seu filho ou o cachorro? 2015, Ed. Unicamp, Trad. Regina Rheda, p. 200-201.
Para filósofos como Immanuel Kant, a forma cruel com que tratamos os animais deturpa o que há de melhor na espécie humana, como a compaixão e a bondade. Leia o que disse o pensador iluminista:


"[O] homem precisa exercitar sua compaixão com os animais, pois aquele que se comporta cruelmente com eles também possui um coração insensível [endurecido] para com seus congêneres. Pode-se, pois, conhecer o coração humano a partir de sua relação com os animais. [...] Quanto mais nos ocupamos de observar aos animais e sua conduta, mais os amamos, pois teremos a oportunidade de ver como cuidam de suas crias; desta forma, nem sequer seremos capazes de manter pensamentos cruéis acerca do lobo."


Immanuel Kant, em "Lecciones de Ética", 2° ed., Barcelona: Crítica, 2008c. Tradução de Gabriel Garmendia de Trindade.
Vou tentar uma nova estratégia conciliando produção de conteúdo com meus deveres acadêmicos: a partir de hoje, entre 21h e 22h, vou fazer transmissões ao vivo diárias, no meu canal no YouTube, lendo meus livros pendentes. Quem quiser acompanhar minhas leituras, já sabe onde e quando me encontrar.
A sugestão de que levar os interesses dos animais a sério requer que nos tornemos vegetarianos pode parecer radical. Mas, como observou o filósofo James Rachels,

"[...] o oposto é verdadeiro: a norma contra causar dor desnecessária é a menos excêntrica dentre todos os princípios morais, e essa norma leva direto à conclusão de que deveríamos abandonar a produção de carne e adotar dietas alternativas. Considerando por esse ângulo, o vegetarianismo pode ser visto como uma postura moral severamente conservadora."

James Rachels, Created from Animals: The Moral Implications of Darwinism. Oxford, Oxford University Press, 1990, p. 212.
Está escolhida a próxima leitura comentada no meu canal no YouTube. Para acompanhar, acesse diariamente YouTube.com/AlyssonAugusto e estude comigo sobre a ideologia do #carnismo, de que fala Melanie Joy, autora do livro "Por que amamos cachorros, comemos porcos e vestimos vacas: uma introdução ao carnismo". Te espero lá!