"Quem, por doçura e inclinação natural, esquece as ofensas recebidas, comete uma bela ação, digna de louvores; mas quem, profundamente ferido e irritado, luta contra um terrível desejo de vingança e pela razão consegue dominar-se, faz melhor sem dúvida. Aquele age certo, este virtuosamente. O ato do primeiro é de bondade, o do segundo de virtude."
— Michel de Montaigne, Ensaios, Vol. I, Cap. XI "Da Crueldade", Col. Os Pensadores, Ed. Nova Cultural.
— Michel de Montaigne, Ensaios, Vol. I, Cap. XI "Da Crueldade", Col. Os Pensadores, Ed. Nova Cultural.
Segue a thread: https://twitter.com/EuSouLivres/status/1060940842695905280
Diversas universidades australianas banem o sarcasmo pois é uma "forma de violência"
Fonte: caldronpool.com/several-australian-universities-ban-sarcasm-because-its-a-form-of-violence/
@edaldem
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@edaldem
Não são só políticos que podem fazer a diferença.
Você recebeu um convite para fazer parte da comunidade do Ribon e fazer doações todos os dias sem gastar dinheiro. Ao entrar agora você ganha moedas suficientes para doar 4 dias de água.
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O Supremo Tribunal Federal já mandou sinais claros de que deverá coibir abuso autoritário do poder público dentro de instituições de ensino. Em artigo ao EL PAÍS o presidente da Corte, ministro Dias Tóffoli, afirmou que o Supremo será "garantidor de direitos", entre eles o da liberdade de expressão. Mas não foi só: em julgamento realizado no início do mês a maioria dos ministros foi contra as intervenções realizadas por Tribunais Regionais Eleitorais dentro de universidades às vésperas das eleições, e aproveitou para mandar um recado para os defensores do Escola Sem Partido: "Dificultar a manifestação plural de pensamento é amordaçar professores e alunos. A única força que deve ingressar nas universidades é a força das ideias", afirmou a ministra Cármen Lúcia.
https://www.change.org/p/movimento-escola-com-diversidade-em-contraposi%C3%A7%C3%A3o-ao-escola-sem-partido
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Change.org
Assine o Abaixo-assinado
Movimento "Escola com Diversidade" em contraposição ao "Escola sem Partido"
Todos concordam que devemos ter liberdade de expressão. Mas muita gente discorda sobre qual o limite dessa liberdade. Posso falar absolutamente tudo o que eu quiser? posso xingar? posso ser preconceituoso? posso mentir? Como seria a liberdade de expressão no ancapistão?
Via @ancapsu
youtu.be/UWRJ34GtofM
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Qual é o limite da liberdade de expressão?
Todos concordam que devemos ter liberdade de expressão. Mas muita gente discorda sobre qual o limite dessa liberdade. Posso falar absolutamente tudo o que eu quiser? posso xingar? posso ser preconceituoso? posso mentir? Como seria a liberdade de expressão…
Forwarded from Alysson Augusto via @like
O advogado fez errado em ofender um ministro do STF gratuitamente, apenas pra incomodá-lo. Mas o ministro fez ainda mais errado ao solicitar a prisão do advogado, pois isso feriu o Princípio da Proporcionalidade. Dois errados não fazem um certo. Existindo a liberdade de expressão primordialmente para combater abusos do Estado, o ministro é o grande culpado da história. Entretanto, o advogado feriu a razoabilidade necessária para abordar o ministro, que era apenas mais um sujeito no mesmo avião. Se ambos os lados fossem moderados, a situação não ocorreria, e não estaríamos vendo tantas pessoas desmoralizarem o STF (o que, por tabela, é uma desmoralização do Estado de Direito) enquanto tantas outras o defendem apenas por corporativismo (o que precisa ser denunciado pois imoral). O ministro e seus apoiadores precisam reconhecer o excesso, bem como o advogado que ofendeu gratuitamente precisa admitir que não foi razoável.
Forwarded from Aventuras na Justiça Social (AJS)
Patreon abandonou a liberdade de expressão? https://youtu.be/Qsvb7qH8tBA
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Patreon abandonou a liberdade de expressão?
Uma discussão de eventos recentes da maior plataforma de financiamento de criadores de conteúdo da web. Originalmente transmitido ao vivo na página da AJS no...
Bernardo Kuster denuncia a exclusão de páginas conservadoras do Facebook, e acredita que o Estado deve ser interventor na gestão privada da empresa Facebook para garantir liberdade de expressão condizente com a realidade brasileira, instaurando uma CPI do Facebook, por ex. O que vocês acham?
https://youtu.be/RhK5y4Rew9Q
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MIMIMI - Facebook é livre o escambau!
Já encheu o saco essa história de que o governo nada pode fazer com o Facebook pois se trata de uma empresa privada. Isto é conversa pra boi dormir. 🎅PROMO d...
A ressuscitação cardio-pulmonar é uma manobra que busca prolongar a vida de pessoas que tenham sofrido parada cardio-respiratória. Imagine quantas vidas seriam salvas se ela fosse aprendida durante o Ensino Médio.
Assine e ajude a salvar vidas: https://goo.gl/b8Ew6w
Assine e ajude a salvar vidas: https://goo.gl/b8Ew6w
Forwarded from Alysson Augusto via @like
Pra mostrar a "ideologia anti-ideológica" proposta por Bolsonaro, vou tratar de três coisas principais neste vídeo:
1°) A segurança e as alianças no rito de posse como presidente do Bolsonaro;
2°) A diferença dos discursos feitos no Congresso e no Parlatório;
3°) E por fim vou invocar aqui a presença de Voltaire, um dos filósofos iluministas franceses que pode nos ajudar a lidar com o novo governo.
youtu.be/PVaCkYPxqQQ
1°) A segurança e as alianças no rito de posse como presidente do Bolsonaro;
2°) A diferença dos discursos feitos no Congresso e no Parlatório;
3°) E por fim vou invocar aqui a presença de Voltaire, um dos filósofos iluministas franceses que pode nos ajudar a lidar com o novo governo.
youtu.be/PVaCkYPxqQQ
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A IDEOLOGIA BOLSONARO | Entendendo o Bolsonarismo
Pra mostrar a "ideologia anti-ideológica" proposta por Bolsonaro, vou tratar de três coisas principais neste vídeo: 1°) A segurança e as alianças no rito de ...
Forwarded from Alysson Augusto via @like
Confiram com os próprios olhos: http://bit.do/ancapferradura
Mais uma vez o @alyaugusto é bloqueado no Facebook. Lembrete de que você não pode falar a palavra V**** por lá.
Governador do RJ, Witzel censura exposição e prova que liberdade cultural no Brasil ainda precisa avançar muito
Censura. Não há outra palavra para definir a proibição de uma exposição e de uma performance na Casa França-Brasil. A performance, que continha nudez, tinha sido previamente acertada e autorizada pela casa, com entrada apenas para maiores de 18 anos. Alegando, no entanto, que não havia qualquer acordo e que a exposição poderia ir de encontro a "questões da Vara da Infância e Juventude", Witzel proibiu as "perigosas" obras. Ironicamente ou não, a performance criticava e fazia menção às torturas sofridas por presos pela ditadura brasileira, cuja inclinação para a censura é bem conhecida. Como disse a presidente do Livres, Elena Landau, em brilhante artigo sobre liberdade de expressão e arte: "Parte de nossa sociedade vem demandando a tutela e a censura do Estado. Eu tenho dificuldades para aceitar a existência de liberdade conservadora. E tenho certeza que sem liberdade a cultura não floresce. "
Censura. Não há outra palavra para definir a proibição de uma exposição e de uma performance na Casa França-Brasil. A performance, que continha nudez, tinha sido previamente acertada e autorizada pela casa, com entrada apenas para maiores de 18 anos. Alegando, no entanto, que não havia qualquer acordo e que a exposição poderia ir de encontro a "questões da Vara da Infância e Juventude", Witzel proibiu as "perigosas" obras. Ironicamente ou não, a performance criticava e fazia menção às torturas sofridas por presos pela ditadura brasileira, cuja inclinação para a censura é bem conhecida. Como disse a presidente do Livres, Elena Landau, em brilhante artigo sobre liberdade de expressão e arte: "Parte de nossa sociedade vem demandando a tutela e a censura do Estado. Eu tenho dificuldades para aceitar a existência de liberdade conservadora. E tenho certeza que sem liberdade a cultura não floresce. "
Tolerância e ofensa
Desidério Murcho
A tolerância é uma das noções mais difíceis de compreender. Confunde-se geralmente com o relativismo epistémico e esta confusão denuncia incapacidade ou até falta de vontade para aceitar a tolerância. Os pensadores pós-modernistas são responsáveis por contaminar a cultura contemporânea com esta confusão grave, que acaba por tornar impossível a genuína tolerância.
Ser tolerante é aceitar o direito de alguém afirmar o que pensamos firmemente ser falso ou errado ou inaceitável ou ofensivo. Isto é de tal modo difícil de assimilar que os pensadores pós-modernistas se sentem na necessidade de declarar que não há “verdades”, mas apenas “construções sociais da realidade”. E, por causa disso, todas as diferentes “construções” são igualmente aceitáveis. Pensa-se então que esta atitude é tolerante, quando, ironicamente, torna impossível a tolerância. Pois se ninguém pode realmente estar errado nem dizer coisas falsas nem inaceitáveis, não podemos realmente ser tolerantes: limitamo-nos a aceitar todas as perspectivas que reconhecemos à partida serem tão aceitáveis como as nossas.
Pior: a falsa tolerância abre as portas ao fanatismo, cada vez mais presente na sociedade contemporânea. O fanatismo consiste em usar sistematicamente a noção de ofensa para silenciar os outros. Assiste-se assim à imposição de um discurso falsamente politicamente correcto, proibindo-se seja quem for de dizer seja o que for que possa ser ofensivo seja para quem for. Não se pode dizer que o cristianismo, o islamismo, o budismo ou o judaísmo são basicamente tolices supersticiosas, porque isso é ofensivo. Não se pode dizer, como James Watson, que os negros são menos inteligentes do que os brancos. Não se pode fazer cartoons a gozar com Maomé. E, numa reviravolta digna dos Monthy Python, os docentes da Universidade de Roma La Sapienza declaram-se ofendidos com as opiniões do Papa sobre Galileu e os estudantes encenam protestos mediáticos análogos aos protestos contra os cartoons do Maomé.
A tolerância pressupõe a convicção do erro. Só podemos tolerar o que estamos convictos de que é um erro inaceitável, uma falsidade patente, um absurdo ofensivo. Tolerar é tolerar humanamente. Não é tolerar epistemicamente, no sentido de defender que qualquer afirmação é igualmente justificável epistemicamente. Não é epistemicamente justificável a opinião de que o Holocausto não existiu ou que qualquer negro é menos inteligente do que qualquer branco ou que os seres humanos descendem de Adão e Eva. E é precisamente porque tais opiniões são claramente falsas, claramente injustificáveis, que podemos ser tolerantes relativamente a quem as defende. Ser tolerante é defender as pessoas que têm ideias falsas, idiotas ou inaceitáveis e atacar essas ideias; não é atacar as pessoas para evitar o incómodo de provar que as suas ideias são falsas. E, se tais ideias nos ofendem, paciência. Não é possível garantir a liberdade de expressão e ao mesmo tempo garantir que não seremos ofendidos.
Desidério Murcho
Publicado no jornal Público (22 de Janeiro de 2008)
Desidério Murcho
A tolerância é uma das noções mais difíceis de compreender. Confunde-se geralmente com o relativismo epistémico e esta confusão denuncia incapacidade ou até falta de vontade para aceitar a tolerância. Os pensadores pós-modernistas são responsáveis por contaminar a cultura contemporânea com esta confusão grave, que acaba por tornar impossível a genuína tolerância.
Ser tolerante é aceitar o direito de alguém afirmar o que pensamos firmemente ser falso ou errado ou inaceitável ou ofensivo. Isto é de tal modo difícil de assimilar que os pensadores pós-modernistas se sentem na necessidade de declarar que não há “verdades”, mas apenas “construções sociais da realidade”. E, por causa disso, todas as diferentes “construções” são igualmente aceitáveis. Pensa-se então que esta atitude é tolerante, quando, ironicamente, torna impossível a tolerância. Pois se ninguém pode realmente estar errado nem dizer coisas falsas nem inaceitáveis, não podemos realmente ser tolerantes: limitamo-nos a aceitar todas as perspectivas que reconhecemos à partida serem tão aceitáveis como as nossas.
Pior: a falsa tolerância abre as portas ao fanatismo, cada vez mais presente na sociedade contemporânea. O fanatismo consiste em usar sistematicamente a noção de ofensa para silenciar os outros. Assiste-se assim à imposição de um discurso falsamente politicamente correcto, proibindo-se seja quem for de dizer seja o que for que possa ser ofensivo seja para quem for. Não se pode dizer que o cristianismo, o islamismo, o budismo ou o judaísmo são basicamente tolices supersticiosas, porque isso é ofensivo. Não se pode dizer, como James Watson, que os negros são menos inteligentes do que os brancos. Não se pode fazer cartoons a gozar com Maomé. E, numa reviravolta digna dos Monthy Python, os docentes da Universidade de Roma La Sapienza declaram-se ofendidos com as opiniões do Papa sobre Galileu e os estudantes encenam protestos mediáticos análogos aos protestos contra os cartoons do Maomé.
A tolerância pressupõe a convicção do erro. Só podemos tolerar o que estamos convictos de que é um erro inaceitável, uma falsidade patente, um absurdo ofensivo. Tolerar é tolerar humanamente. Não é tolerar epistemicamente, no sentido de defender que qualquer afirmação é igualmente justificável epistemicamente. Não é epistemicamente justificável a opinião de que o Holocausto não existiu ou que qualquer negro é menos inteligente do que qualquer branco ou que os seres humanos descendem de Adão e Eva. E é precisamente porque tais opiniões são claramente falsas, claramente injustificáveis, que podemos ser tolerantes relativamente a quem as defende. Ser tolerante é defender as pessoas que têm ideias falsas, idiotas ou inaceitáveis e atacar essas ideias; não é atacar as pessoas para evitar o incómodo de provar que as suas ideias são falsas. E, se tais ideias nos ofendem, paciência. Não é possível garantir a liberdade de expressão e ao mesmo tempo garantir que não seremos ofendidos.
Desidério Murcho
Publicado no jornal Público (22 de Janeiro de 2008)