Alysson Augusto
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Ser convidado pra dar aula na sua universidade, sem ainda ter se formado, é sempre um tesão, haha.

Tá rolando o Open Campus na PUCRS, uma experiência onde a universidade é aberta ao público em geral, e vou ministrar dois encontros nesta quarta (19), pela manhã e tarde, com as temáticas "Filosofia pra quê?" e "Qual o sentido da Ética". Se você se inscreveu, então nos vemos lá! 😊

pucrs.br/opencampus/
O que a filosofia tem a dizer sobre o #SetembroAmarelo? Para descobrir, convidei alguns filósofos da PUCRS para darem seu depoimento sobre suicídio, sua prevenção e o sentido da vida. Bora nessa?

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youtu.be/konvwCOh6SA
Não existe ameaça comunista, de fato. Mas isso por mera impossibilidade do comunismo. O que existe de ameaçador não é uma agenda comunista global tentando dominar o mundo. Antes, a ameaça está, isso sim, numa aspiração igualitária que toma a natureza humana como algo completamente moldável à luz de uma infraestrutura econômica. A ameaça está num entendimento heterodoxo da economia, que aceita um "darwinismo do pescoço pra baixo", que acredita em utopias não necessariamente comunistas, mas típicas de um planejamento central dos meios de produção pelo próprio Estado, ignorando o funcionamento dos seres humanos à luz de incentivos que influenciam direto em seu comportamento. A ameaça comunista, se é que existe, é a mesma ameaça que destruiu a França com a Revolução Francesa e deturpou a ciência e a agricultura com Lysenko na União Soviética: é uma ameaça fruto de um entendimento errado da natureza humana, um entendimento de uma esquerda não-darwinista.
O discurso de Ciro sobre "sul nazista" é equiparável ao do General Mourão sobre famílias sem pais serem desestruturadas: num primeiro momento você se indigna, daí vai ver o que a pessoa falou de fato e descobre que a indignação é seletiva e não está julgando o que foi dito por seu mérito, mas visando apenas explorar politicamente as palavras da oposição.
A vantagem de um segundo turno entre duas podridões morais é que ambas teriam os holofotes sobre si e 1) teriam de explicar melhor seus planos de governo ao passo em que 2) precisariam mostrar maior disposição em dialogar com o centro para garantir governabilidade.

A desvantagem é o fato de que uma campanha antagônica entre Haddad x Bolsonaro seria uma grande ameaça à democracia pois a polarização estaria acirrada. A esquerda em peso vendo alguma esperança num governo presidido da cadeia, e a direita em peso apostando em um Bolsonaro moderado e controlado por assessores.

De toda forma, a democracia exige que a gente saiba respeitar os resultados das urnas — mesmo que você acredite ilogicamente que um complô a nível nacional está as fraudando (um complô que manteve tanto o PT quanto Bolsonaro por mais de décadas em algum nível do poder).
Pro segundo turno eu me decidi: vou bancar o eleitor indeciso. Aquele que quer votar na melhor opção disponível, mas não sabe qual. Pra isso, vou tentar acompanhar a campanha dos dois lados da história como se eu não tivesse problema algum com ambos os lados. Estou disposto a votar, seja num, seja noutro. Seja contra um, seja contra outro. Anular o voto é uma possibilidade, mas o voto que por ora dou é um voto de confiança: aquele dos candidatos que convencer melhor, que tenha meu apoio discreto e profundamente envergonhado.
Projeto de mestrado devidamente submetido. Torçam por mim que até 2020 vai ter livro TOP sobre direitos animais.
Três textos que li hoje sobre fascismo que ajudam a, se não esclarecer o termo, ao menos a provar a necessidade de não-utilizá-lo caso não se saiba do que tá falando:

1) "O que é o fascismo? Perguntamos a pensadores da Itália, berço do movimento" — Lucas Ferraz / BBC Brasil

Aqui o termo fascismo tem sua etimologia explicada, mostrando que, por gênese, trata-se da simbolização do poder coletivo. Entretanto, tal poder não significa exatamente a representação dos interesses do povo, mas justamente a antagonização do nós contra eles, os quais devem ser eliminados. Embora a discussão sobre o que é o fascismo seja tão antiga quanto o fascismo (de modo que muitos defendam que o fascismo morreu junto de Mussolini), é possível discutir a inspiração fascista dos atuais políticos. O que parece claro é que fascismo não é exatamente uma ideologia, mas um método de atuação política. O que está claro é que a falta de clareza sobre o que seja fascismo faz as pessoas tomarem a palavra como um palavrão, significando "tudo aquilo de que não gosto".

2) "A gente não vota em Hitler" — Francisco Razzo / Gazeta do Povo

Aqui o objeto de discussão não é exatamente o fascismo, mas o nazismo. Entretanto, a julgar a clara filiação entre ambos os regimes, o mesmo tipo de discussão se apresenta: existe uma tendência política pela acusação da oposição de ser a representação do mal na terra (em outras palavras, Hitler). Acusar alguém de nazista, assim, vira o mesmo que acusar alguém de troglodita que representa tudo o mais desprezível. A reflexão deste texto é que, embora possamos traçar uma diversidade de semelhanças entre a gênese e práticas do nazismo com a gênese e práticas de um político dos dias de hoje, "é possível falar mentiras apenas contando a verdade"*, na medida em que se pinta o retrato do inimigo político como sendo um nazista, desconsiderando outros aspectos relevantes na própria formação do nazismo.

3) "Não é avanço do fascismo o que está acontecendo no Brasil" — Gustavo Lopes Machado / PSTU

Este foi o texto que mais me surpreendeu, dado que dele se esperaria um apoio à chapa à esquerda neste segundo turno. Entretanto, o autor reconhece a inexistência de fascismo no Brasil, ao passo em que parece sugerir uma aspiração fascista em termos de tática política ao pintar um inimigo comum sem que este esteja lá para se defender. Aqui a banalização do termo fascismo também é denunciada, porém como tática político-partidária, a fim de angariar adeptos a uma causa pela antagonização com a dissidência. O objetivo de tal tática é mostrar a existência de um mal maior, que garanta apoio a um mal menor, ainda que realmente mal.
"Não apoiar ninguém agora, não é o mesmo que apoiar Bolsonaro? Ser isentão não seria o mesmo que estar ao lado de quem tá ganhando?"

São coisas diferentes. Embora seja possível que a consequência de votar nulo/branco seja positiva para quem tá ganhando, o voto nulo/branco em si mesmo não reflete apoio algum a ninguém. Não culpe quem preferiu se isentar pela eleição de Bolsonaro. Culpe aqueles que votaram nele e aqueles que, contrários a ele, não conseguiram converter mais votos para suas causas. Haddad não ganhará apoio com você acusando os outros de isentões.

Aliás, que mundo merda este onde você ser contrário a modelar-se conforme a conjuntura te torna cúmplice da tragédia anunciada. Os dois lados estão atacando os isentos como se fossem coniventes com a possibilidade de qualquer dos candidatos vencer. Ser isento não é lavar as mãos, mas 1) não acreditar que seu voto individual fará diferença e, 2) acima de tudo, posicionar-se pela rejeição às opções disponíveis, sinalizando a carência por opções melhores, incentivando assim que a concorrência no mercado das ideias se amplie para que tais isentos sejam verdadeiramente representados.
Um conflito moral que tenho enfrentado ultimamente é sobre o consumo de livros pirateados. Por um lado, a violação de direitos autorais ao reproduzir uma obra em meio digital sem autorização de seus criadores/detentores reforça um desincentivo à produção de obras como essa. Por outro, o acesso facilitado à obra favorece a qualidade do conteúdo de quem está pesquisando sobre o assunto tratado para escrever papers, monografias, dissertações, teses e por aí vai. As coisas ficam ainda mais interessantes quando seu campo de estudo é a Ética. Afinal, estaria eu sendo ético ao basear meus estudos em conteúdo pirateado? Por quê?

Uma coisa que me faz ficar com a consciência relativamente tranquila quanto ao conteúdo pirata é este documentário. Super recomendo.

https://papodehomem.com.br/voce-nao-e-criativo/
Tem gente dizendo que eu deveria fazer campanha pelo Haddad só pra provar que eu tava certo neste vídeo. Gente, muita coisa aconteceu depois deste post que deu a Bolsonaro um apoio maior que o esperado. Não vou fazer campanha contra ele apenas pra dizer que eu tava certo. Motivos para não votar no Bolsonaro não significam motivos para votar no Haddad. É cada uma...

eusoulivres.org/textos/por-que-bolsonaro-nao-sera-presidente-por-alysson-augusto/
Forwarded from Altruísmo Eficaz Brasil via @like
De todos os problemas que a Humanidade enfrenta, em quais nos devemos concentrar para resolver primeiro? Numa palestra convincente sobre como tornar o mundo melhor, o filósofo moral Will MacAskill apresenta um enquadramento para responder a essa questão com base na filosofia do "altruísmo eficaz" — e partilha ideias para enfrentar três questões globais prementes.

ted.com/talks/will_macaskill_how_can_we_do_the_most_good_for_the_world?language=pt
Com as quatro últimas eleições presidenciais tendo sido vencidas à base de acusar o opositor político como um inimigo dos pobres e oprimidos a ser combatido pelas forças do bem, não é de se surpreender que os atuais adeptos do petismo só saibam buscar convencer a grande massa com o discurso do medo. A questão para os cientistas políticos e sociais é descobrir em que ponto exatamente esse jogo virou, em que ponto o discurso do medo, de que o opositor irá estabelecer o fascismo caso eleito, ou entregar os bens públicos aos grandes interesses do capital financeiro, passaram a ser discursos vazios, que não convencem ninguém, embora alimentem a movimentação dos já convertidos. Não só isso: é preciso entender também o quanto a mesma tática tem favorecido uma visão negativa sobre o próprio petismo, que se espalha como uma visão negativa sobre a esquerda em geral, onde ser de esquerda torna-se ser no mínimo conivente com o petismo, diante da ameaça Bolsonaro. A única coisa certa até aqui, me parece, é o quanto o uso frequente da tática política que desumaniza a oposição, embora possa ser constantemente renovada, é uma tática que cansa o eleitorado, que põe em descrédito aquele que a utiliza. Se o PT não renovou a tática ou não adotou táticas melhores até agora, é de se esperar que atualize sua militância após a derrota que, me parece evidente, sofrerá nas urnas. Se a tática da imposição do medo ainda persistir, bem... Que 2022 seja majoritariamente cômico, porque de tragédia 2018 já saturou há tempos.
Muitas pessoas me disseram conhecer, seja direta ou indiretamente, a jovem gaúcha que denunciou ter sido esfaqueada por nazistas em pleno bairro famoso e repleto de câmeras da cidade de Porto Alegre. Todas essas pessoas tentaram me garantir que o relato era verdadeiro, e bastava conhecer a vítima para acreditar nela.

Acontece que a perícia investigou o caso e, até o momento, nada tem sido favorável ao discurso da denunciante e suposta vítima.

Me soa muito razoável que uma pessoa que faça uma séria denúncia envolvendo a violação de seu corpo torne-se, ela mesma, criminosa diante da prova de que ela mentiu — seja lá por quais motivos forem.

Não porque eu quero ver ela se danar, mas porque instituições democráticas sólidas precisam trabalhar com base em incentivos, e ter em mente a chance de você se dar mal com uma denúncia falsa certamente tende a diminuir os casos de denúncias do tipo.

Ora, seria muito atraente para militância de qualquer tipo mutilar o próprio corpo e culpar como criminosa a sua oposição, diante da falta de mecanismos punitivos para no mínimo fazer com que ela repense suas estratégias políticas.

"Mas, Alysson, se a vítima tem chances de virar criminosa quando faz uma denúncia, basta uma falha da perícia para tornar passível de crime alguém que não o cometeu!"

Paciência. Não é por que a justiça é imperfeita que devemos deixar as porteiras abertas para fazer de sua imperfeição uma oportunidade perfeita.

Além disso, esse tipo de incentivo não apenas coíbe denúncias falsas. Antes, economiza recursos públicos, uma vez que o processo de investigação, demorado que é, envolve a disposição de horas de trabalho e pagamento de salários de policiais, advogados, médicos legistas, equipe de imprensa e outros detalhes custosos que poderiam estar sendo direcionados para denúncias reais e verdadeiramente importantes.

Lembram daquela fábula infantil, sobre o menino e o lobo? Talvez seja preciso lembrá-la: o menino tinha o dever de cuidar das ovelhas, e alertar o povoado caso aparecesse um lobo. O menino, entediado, mentiu algumas vezes ao povoado que tinha visto um lobo. O povoado cansou das mentiras, e parou de acreditar no menino. Quando o lobo de fato apareceu, ninguém acreditou no menino e as ovelhas foram devoradas.

Se casos reais de nazistas esfaqueando jovens estiverem de fato rolando por aí, saibam que mentiras e falsas denúncias são oportunidades perfeitas para que ninguém mais leve esses casos a sério.

Os lobos agradecem.
Aceitar a eleição de Bolsonaro é aceitar a democracia (da qual nunca fui grande fã, se é que me entendem). E aos bons democratas caberá endossar medidas positivas de seu governo, e fiscalizar e denunciar as medidas negativas, sempre a partir de critérios objetivos (comecemos descartando argumentos do tipo "ah mas ele é malvado então só pode vir coisa ruim de seu governo"). Qualquer oposição que se propuser a ser "oposição pela oposição" (o que alguns mais ideológicos chamam de "resistência"), seguindo o discurso de "Nós X Eles", não estará respeitando a democracia, mas sim buscando, em nome dela, subvertê-la. A prova da maturidade democrática de qualquer pessoa ou partido é aceitar um resultado contrário ao desejado, e, como já diria Popper, será pela transição pacífica e diplomática de um governo a outro que nossa democracia dará provas de ter a força que queremos que ela tenha.