Alysson Augusto
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O Impeachment rolou, e agora será encaminhado ao Senado para o julgamento final.
Acontece que estão, adoidados, soltando rojões e fogos de artifício "em comemoração" ao ocorrido.

Depois eu digo que política no Brasil é o mesmo que futebol e vocês não acreditam.
A gente parte sempre da emoção, esquece da razão e perde a compostura.

Nas terras tupiniquins, no país do futebol, impeachment é isso: apenas mais um evento capaz de reunir pessoas na rua vestindo camisetas de times.
Não é minha função julgar o que alguém deve ou não fazer. Mas estou convicto de que, mais do que nunca, a esquerda enquanto movimento político deve se organizar para fazer justiça, já que sente-se injustiçada com este "golpe".

É nesse sentido que os ânimos devem ser mantidos: com a queda de Dilma, o terror à impunidade deve ser disseminado, contaminando cada instância democrática com o fato de que a justiça será feita, alarmando cada representante público com o temor de que seus erros os levarão à ruína.

Mais do que em qualquer momento deste ano, a esquerda deve deixar de clamar "não vai ter golpe" e passar a dizer "eu vou fazer a morte do governo Dilma não ser em vão".

Porque, com toda certeza, não é este o momento para ficarmos massageando nossos egos com teorias conspiratórias, colocando o governo como uma vítima (que esquerda é essa que vitimiza governos?).

Agora é a hora de inflar o peito e dizer "eu sou de luta", como têm dito até então. É hora de se organizar pela queda de Cunha, no mínimo, e exigir a devida punição a Temer. É hora de exigir a derrocada de cada político que ousou ferir as vias democráticas em benefício próprio. É hora de ampliar o "fazer história", e tornar este momento uma profusão de ações que acabem, por fim, em criar uma onda pela reforma política urgente.

E não esperem que isso aconteça do outro lado. Vocês não dizem que os "anti-corrupção" só queriam tão somente tirar o PT do poder? Então sejam coerentes e façam sua parte: tirem os outros, pois é a isso, e tão somente a isso, que servimos agora.

- Alysson Augusto
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A polêmica quanto à limitação da internet fixa, equiparando-a à internet móvel - em que nosso fluxo de dados é cortado assim que atingimos certo limite de uso -, nos traz uma ótima oportunidade para refletirmos sobre qual seja o papel do Estado frente a seu povo, em terras tupiniquins.

Com este caso, está mais do que evidente que, à Anatel (órgão responsável pela regulamentação da comunicação em nosso país), mais importa atender aos interesses do oligopólio da comunicação brasileira do que, de fato, trazer equilíbrio entre os interesses do empresário e os interesses do consumidor.

Aliás, vale dizer que este problema tenha relação direta com uma cultura de cultuamento do Estado, em que, acomodados, acreditamos que nossos problemas dependem ligeiramente da máquina pública dizer, a nós, o que é certo e errado, o que é "melhor pro povo", pro consumidor.

Talvez seja o momento de darmos mais voz aos liberais, tão esculachados e jogados de canto quanto dizem e provam que o Mercado deva seguir sua própria lógica, tendo um "Estado mínimo", atuando como suporte e não como regulador de cada detalhe nas relações de troca entre vendedores e consumidores.

Pois se continuarmos a cultuar um Estado que nos priva de liberdade até mesmo para navegarmos na internet, que liberdade teremos para exigir que pequenos empreendedores possam crescer e nos oferecer melhores e menos limitados serviços, em concorrência aos que aí estão?

Só quando nos tocarmos que é o Estado, e tão somente o Estado, que mantém a existência de oligopólios, é que veremos que, ao consumidor, mais importa a livre concorrência - sem a mão de quem usa da força legal para dizer como podemos ser livres nesta sociedade.

- Alysson Augusto
De alguma forma bastante curiosa, estou contente com o caos político instaurado no país. Não que eu esteja torcendo pelo caos, longe disso (embora possa ser uma solução).

É que, diante do fracasso do governo Dilma em se manter de pé, diante de tanta teoria da conspiração sobre haver ou não um golpe, diante de tanta lama de corrupção e de tantos boatos sobre todos os detalhes possíveis que regem cada escândalo, uma coisa tem se mostrado surpreendentemente positiva: as pessoas estão, mesmo que ignorante e ingenuamente, falando mais de política.

A cobertura que as emissoras convencionais deram e estão dando à política, muitas vezes deixando de lado seus programas que existem tão somente pela audiência, tem feito com que os cidadãos comuns, muitas vezes alienados da situação macroeconômica do país (e não sem motivo), estejam agora dispostos a entender melhor o que está acontecendo neste lugar que chamamos Brasil.

E isso tem chegado a mim, em forma de surpresa: conhecidos, amigos e familiares estão comentando a respeito, estão sabendo agora quem é Roberto Jefferson e por que Cunha é seu “vilão favorito”; quem é Temer e por que sua mulher é “bela, recatada e do lar”. Estão super interessados em resoluções e, curiosamente, preocupados com sua própria ignorância ao não saber que haviam eleito pessoas que dão as piores justificativas para darem um simples voto.

Talvez a previsão do Rodrigo da Silva se concretize, e o governo Dilma seja visto, um dia, como o maior mandato da história do país — pois seu fracasso é tão autoevidente que faz até analfabetos políticos se interessarem por alguma coisa. Ou, como diria a sabedoria popular: “há males que vêm para o bem”.

- Alysson Augusto
Olho nos teus olhos e os vejo vibrar, toco em tuas mãos e as sinto tremular, beijo o teu rosto e o percebo esquentar.

Me distancio para visar tua completitude, o conjunto do teu poema; é quando vejo que teu sorriso já é mais largo que teus problemas.

- Alysson Augusto
Olhar para trás é um gesto necessário. Pois, embora não saibamos dizer ao certo pelo que passamos, temos a certeza de que já não seremos mais os mesmos.

- Alysson Augusto
Não importa o quão bem ou mal eu lembre de cada momento de minha vida. O importante é recordar daqueles que faltaram comigo e, principalmente, daqueles que estiveram sempre junto a mim.

- Aly Augusto
Não diga que faria de tudo para me ter quando, na verdade, todas as tuas ações são de quem busca me perder.

- Alysson Augusto
Basta que você chore por uma pessoa para que alguém te diga "não chore, não vale a pena", sem saber pelo que vocês passaram juntos.

Há muita opinião para pouco conhecimento.

- Alysson Augusto
Filosofia é a ciência dos conceitos - a arte de conceituar propriamente dita. Para se fazer uma boa filosofia, é necessário que se faça uma busca pela distinção entre joio e trigo, traçando não apenas as diferenças como também buscando verificar as semelhanças.

Mas é curioso que a arte do "o quê? por quê? quem sou eu?" não consiga clamar a si uma definição inequívoca e "cientificamente" aceita.

É curioso que a pergunta "o que é filosofia?" ainda careça de uma resposta completa, quando ela mesma tem para si o mérito do esclarecimento.

E talvez aí resida o charme da filosofia: na busca pelas definições perfeitas, esquece de definir a si mesma. E isso, ah, isso é libertador - pois impede que a filosofia limite-se e a permite investigar, sempre, inclusive a si mesma.

Filosofia é a arte da autocrítica.

- Alysson Augusto
Me parece extremamente problemática a ideia de que, devido ao impeachment ter um viés não só jurídico como também político, ele automaticamente torna-se um tipo de corrupção, um mal que atenta contra a democracia, um "golpe".

Afinal, o que se está dizendo é que, se algo tem um lado político, logo este algo é mal-caráter. É triste que defendam isso, pois engana-se quem pensa assim.

Toda e qualquer manifestação pública que vise modificar a sociedade (tanto em termos sociais e/ou econômicos) é, naturalmente, política. Quando alguém usa a expressão "político" ou "política" para denegrir uma ação, esse alguém está defendendo a errônea ideia de que "política não presta".

O que estamos vivendo no Brasil tem sim seu caráter fortemente político, e tem sim seu lado jurídico. O que acontece é que, se realmente defendemos a democracia, devemos defender o fato de que a democracia não se limita à presidência da república.

A democracia é esta grande mescla de interesses que se apoiam mutuamente ou se negam. A partir dessas uniões (para não dizer conchavos) e rupturas, acaba por direcionar o país para algum lugar, seja lá para onde for.

Quando alguém diz, portanto, que "democracia é respeitar os tantos milhões de votos dos brasileiros", está dizendo, indiretamente, que "democracia é respeitar só esses votos, ignorando as massas que protestam nas ruas e passando por cima dos votos que colocaram os deputados e senadores, responsáveis pelo julgamento da presidente, em seus atuais postos".

Aceite: a presidente não é a única representante democraticamente eleita. Há diversos outros representantes que, quer você queira ou não, têm legitimidade para julgá-la. E foi o povo, este que você tanto diz defender e amar, que os colocou lá.

- Alysson Augusto
Um dos motivos pelos quais me vi desinteressado em escrever sobre sentimentos é o notável fato de que esse mundo de “escritores de amorzinho na internet” é, em muitos sentidos, repudiável.

É realmente muito difícil descobrir alguém que escreva nesse nicho sem, sobretudo, exaltar sua imagem. É um culto e louvação ao ego sem precedentes, de tal forma que, na maioria das vezes, a capacidade de exercer um pensamento complexo e “fora da caixa” é soterrada pela constante pressão em manter as aparências, tendo que escrever mais e mais semanalmente, a fim de alimentar o público que você têm cultivado.

Essa pressão torna o conteúdo simplista, de fácil digestão e, muitas vezes, avesso á crítica. Nesse hábito os escritores mantêm personalidades arrogantes, pois é muito mais fácil adaptar suas próprias crenças a acreditar que está sempre fazendo um ótimo trabalho do que estar aberto ao fato de que você, ao fim das contas, pode sim ser um merda, que usa de inúmeros clichês e um falatório vazio para se crer especial (com o elogio dos outros, menos críticos ainda, sobre o que você faz, é claro).

Está claro que não apenas selfies servem para massagear o ego. A escrita também. Não à toa há uma carga de aparência quanto a algo que deveria, a princípio, ter tão somente seu conteúdo louvado.

O escritor “mais bonito” tem vantagem em relação ao menos bonito, ainda mais numa era de redes sociais, em que buscamos nos outros a personificação do melhor que gostaríamos de ter em nós mesmos.

E quando você tem que manter as aparências acima de tudo, seu trabalho naturalmente perde a qualidade — você está mais focado não no conteúdo de sua criação, mas em seu resultado e no que você ganhará com isso.

O amor à escrita não é critério para ser escritor. Às vezes, basta o amor a si mesmo. Amor excessivo e narcísico a si mesmo.

- Alysson Augusto

Originalmente postado em meu Medium.
Escrevi o artigo abaixo, falando do oportunismo de algumas pessoas frente ao fato de que há muitas outras em cima do muro. Boa leitura!
Forwarded from Xibolete
O isentão se apropria da ideia de imparcialidade quanto ao julgamento, mas o faz a fim de influenciar os verdadeiramente isentos.

Leia: http://ano-zero.com/isentao-governo/
A realização pessoal não passa por fazer com que nossos problemas cessem. Trata-se de usá-los como oportunidades para melhorarmos quem somos, sempre.

- Alysson Augusto
Se não vivermos o momento, viveremos o quê? Só temos o momento. Sem o momento presente, nada temos.

Passado é fatos armazenados na memória. Sem memória, o que resta? O momento.

No futuro, temos ideias de momentos vindouros. E tais ideias só acontecem porque temos, agora, um momento presente nos possibilitando a projeção de momentos futuros no nosso consciente.

- Alysson Augusto