Alysson Augusto
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Sabemos que somos todos reprodutores de uma sociedade que nos vende uma felicidade material, colorida e atraente, em forma de propaganda, mercadorias e bens materiais. E por isso cabe a nós discutirmos se esse é realmente o caminho para alcançarmos a tão procurada felicidade humana, diante de uma realidade que preza pelas estatísticas, pelos “valores da bolsa”, e não pelos valores humanos.

Essa “verdadeira tristeza” se apropria de nosso desejo pela felicidade. Assim, nos vende uma “fórmula mágica da felicidade” totalmente materialista (“você é o que você tem”), onde todos nós, homens e mulheres, das mais variadas origens e comportamentos, semelhantes e diferentes que somos, todos cada vez mais deixando de sermos cidadãos e consequentemente reduzidos a consumidores.

Mas o que eu procuro fazer para afugentar essa “verdadeira tristeza”?

A resposta é simples: reconhecê-la.
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A censura, nos dias de hoje, ocorre no barulho.

- Alysson Augusto
Sequências e mais sequências de tiros. É com isso que acabo de acordar.

Com a crise política, a crise de segurança pública, principalmente em regiões mais pobres, acaba por ser esquecida em prol dos holofotes sobre outros assuntos.

Enquanto isso, vizinhos próximos estão apavorados, e vizinhos mais distantes, aqueles que moram extremamente próximos dos conflitos, estão desesperados, sem saber para onde correr.

A segurança pública está sucateada. As pessoas, inconformadas. As autoridades? Caladas e inoperantes.

Seguimos. Só nunca saberemos até quando.
De tudo o que já senti, me sinto convicto de que a paixão, aquela repentina e sedutora, mais fala comigo, mais me atrai e me distrai. Aquele fogo que, num ímpeto de insanidade, acende sem dar vestígios, sem partir de faíscas ou se importar com inícios. Simplesmente nasce.

Para a paixão que em mim brota, não há acordos e regras de como proceder, não há diálogos.

Minto. Há sim um diálogo, mas é platônico.

Para Platão, amor é desejo, uma ânsia por adquirir algo que ainda não se tem. Amor é o que nos move em busca de um mundo utópico e que supra todos nossos interesses. Mas Platão generaliza ao chamar amor de paixão.

Quem se importa? Minha paixão é amor platônico.

[Alysson Augusto]
Aceite a diferença de opinião
Alysson Augusto

É interessante como algumas pessoas, não contentes com os algoritmos das redes sociais (os quais beneficiam os interesses em comum e nos fazem ver o que queremos ver), vão além e levam suas bolhas para os debates pessoais, com familiares e amigos.

Não é a primeira vez que testemunho um caso em que uma pessoa desistiu de conversar com a outra por um motivo banal: “a gente pensa muito diferente, não quero discutir contigo”, ela disse.

Oras, não é a diferença de opinião que fundamenta a existência de uma discussão?

Prezo por um mundo onde todos saibamos que discutir é diferente de massagear o próprio ego e reforçar os próprios pensamentos.


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Como você, eu busco alguma certeza na vida. Busco um fundamento, uma base para pôr os pés sabendo que o solo é firme. Busco um caminhar que, embora incerto, tenha um objetivo. Uma luz, talvez distante, brilhando ao fim do túnel.

Busco, porque não tenho. Não tenho, porque com pouco não me contento. O que me falam, o que me ditam e o que pensam me provar não pode me acomodar. Não penso que eu deva abrir mão de minha consciência a favor de uma atraente crença que alivia a carga que é estar vivo.

E estou vivo. Sei, porque sinto. Mas não sinto por testemunho ou por uma breve percepção de mim mesmo neste mundo. Sinto por experimentar, em mesma intensidade, o ansiado prazer, bem como a tão repudiada dor.

Sinto porque sigo, persisto e persigo algum rumo. Quando buscamos solo, fundamento e terreno fértil, o que temos é uma sensação, um sentimento de que é possível. Falta certeza, falta clareza. Mas não falta horizonte, não falta utopia.

Basta a possibilidade.

O resto? Bem, o resto depende de você pegar com vontade e fazer acontecer.

[Alysson Augusto]
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Pras bandas de cá, o frio chegou. Com o frio, a certeza de que um abraço significa amor próprio e torna-se gesto de caridade. De quebra, a oportunidade de mostrarmos um outro lado nosso, mais enroupado e estiloso.

Por fim, temos o calor. É o calor que justifica o frio, é pelo calor que pedimos o frio. Não há touca, se não pelo calor. Não há casacos pesados, se não pelo calor. Não há camadas de cobertores nos afogando contra o colchão, se não pelo calor.

Vamos evitar hipocrisias. A verdade é que não gostamos do frio. Gostamos é da sensação de estarmos protegidos do frio. Gostamos de encarar a geada lá fora dando gargalhada, com um copo de chocolate quente em mãos, sem sentir a verdadeira sensação que é passar frio.

E eu falo de passar frio, não de sentir frio. Um brisa gelada encostando no seu rosto não pode ser comparada à sensação de ter o corpo todo tomado por injeções anestésicas vencidas.

Se aqueles que se acobertam com papelões e escondem-se em latas de lixo fossem lembrados, dizer amar o frio seria crime de falta de empatia.

Alysson Augusto
Se você quiser se conhecer, terá que enfrentar o desconhecido. Quando você se dispõe a encarar aquilo o que não conhece, por própria vontade, boa parte desse enfrentamento se sucederá a partir das relações que você cria, das alianças cultivadas e mutuamente utilizadas. A amizade é uma arma poderosa.

- Alysson Augusto
A questão da produtividade pessoal e profissional é uma das que mais têm me afligido ultimamente. É como se minha capacidade de "dar conta" de tudo o que espero poder realizar, num certo período de tempo e em determinados espaços, fosse tão limitada a ponto de não haver qualquer relação lógica entre minhas expectativas e a realidade do que posso ou não atingir.

Mas percebi que isso não é de todo ruim. Muitas vezes, afinal, será justamente nesse "quebra-cabeça" que nos encontraremos e a partir do qual descobriremos nossas limitações, partindo das barreiras que se criam frente a essa busca pela concretização de cada uma de nossas expectativas.

Ser produtivo, nesse sentido, é uma questão de arriscar não conseguir produzir. Pois é no choque de conflitos entre o que se deseja e o que se consegue que descobriremos, ao fim das contas, quem somos, quem podemos ser e, o mais importante de tudo, o que fazemos por aquilo o que aspiramos nos tornar.

- Alysson Augusto
Precisamos aprender a lidar conosco de modo solitário e receptivo. Precisamos amar nossas qualidades, mas também precisamos acolher nossos defeitos.

Ao fazer isso, passamos a notar que não somos tudo o que nosso ego tenta nos fazer acreditar que somos. Somos pequenos e, muitas vezes, fracos. Tão fracos que nossa força pode estar apenas em nossos ideais, não em nossas ações e capacidade.

Porém, se percebermos isso acolhendo essa "inferioridade", estaremos retendo essa informação em nosso ego e o acalmando, não deixando que ele entre mais em crises por se ver pequeno e, consequentemente, não deixando com que nos abalemos mais quando nos percebermos fracos e incapazes.

- Alysson Augusto
Olho nos teus olhos e os vejo vibrar, toco em tuas mãos e as sinto tremular, beijo o teu rosto e o percebo esquentar.

Me distancio para visar tua completitude, o conjunto do teu poema; é quando vejo que teu sorriso já é mais largo que teus problemas.

- Alysson Augusto
Assim ó, galera: a chance da Dilma cair é cada vez mais evidente. Tem que haver uma grande reviravolta no senso comum dos deputados para que deixem de votar a favor do impeachment.

Minha preocupação, tomando como dado o fato de que ela será afastada, é sobre o que devemos fazer depois.

Eu não me posicionei nem contra nem a favor do impeachment. Tendo a acreditar haver mais argumentos a favor do que contra, mas não cheguei a sequer participar de alguma manifestação, seja "pró-impeachment" ou "a favor da democracia".

Só que não será assim após a queda de Dilma. Farei frente na promoção tanto de manifestações contra Eduardo Cunha quanto de, quem sabe, Michel Temer.

Agora é o momento da ruína de nossa presidente, que respeitemos isso. Mas já quero pedir que comecemos a articular manifestações contra Cunha, porque sua vez deverá chegar.

Pois se passarmos a nos calar, seja do lado dos 'pró-impeachment' ou dos 'pró-democracia', apenas estaremos dizendo ao mundo e, pior, a nós mesmos que não estamos assim tão interessados em melhorar o país - que estamos, ao fim das contas, apenas fazendo politicagem.

E não é essa a imagem que queremos passar, não é mesmo?

- Alysson Augusto